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Pesquisa da Unioeste avalia segurança da barragem do Lago Municipal de Toledo

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Foto: Unioeste

Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Recursos Pesqueiros e Engenharia de Pesca da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) investiga a segurança da barragem associada ao Lago Municipal de Toledo. O estudo integra diferentes recursos e modelagens para compreender o funcionamento do sistema hídrico formado pelo lago e pela microbacia da Sanga Panambi, além de avaliar possíveis cenários de risco em eventos de chuvas intensas.

A pesquisa é resultado da tese de doutorado do pesquisador Leonan Costa, sob orientação da professora Maristela Cavicchioli Makrakis e coorientação do professor Sergio Makrakis, que buscou analisar de forma detalhada a dinâmica hidrológica do local, utilizando tecnologias avançadas para gerar dados técnicos que possam contribuir com o planejamento urbano e a prevenção de desastres.

Um espaço importante para a cidade

Localizado no Parque Ecológico Diva Paim Barth, o Lago Municipal é um dos principais cartões-postais de Toledo e um espaço de lazer, turismo e convivência para a população. Além da função recreativa, o lago também exerce um papel relevante na dinâmica hídrica da região.

Segundo o pesquisador, a relevância social e ambiental do espaço foi um dos principais fatores que motivaram o desenvolvimento da pesquisa. “O Lago Municipal tem grande importância para a cidade, tanto do ponto de vista ambiental quanto social. Por isso, entender o funcionamento do sistema hídrico e avaliar a segurança da barragem é fundamental para contribuir com a gestão desse espaço”, explica.

Outro aspecto que reforçou a necessidade do estudo é o aumento da frequência de eventos de chuvas intensas, fenômeno que vem sendo associado às mudanças climáticas. Em áreas urbanas com grande circulação de pessoas e presença de residências e avenidas próximas, o monitoramento de estruturas hidráulicas torna-se ainda mais importante.

Foto: Unioeste

Tecnologias aplicadas à análise da barragem

Para desenvolver a pesquisa, foram utilizadas diversas tecnologias e instrumentos de monitoramento que permitiram obter dados detalhados sobre o lago e a barragem.

Entre os recursos empregados estão levantamentos topográficos de alta precisão, uso de drones para obtenção de imagens aéreas e geração de modelos digitais do terreno, além de levantamento batimétrico com ecobatímetro para mapear o fundo do lago.

Também foram instalados piezômetros para monitorar a linha freática na barragem, réguas linimétricas para acompanhar a variação do nível da água e uma estação meteorológica para registrar dados de precipitação. Os dados coletados foram analisados com auxílio de Sistemas de Informação Geográfica e do software HEC-RAS, utilizado para modelagem hidrodinâmica e simulação de cenários de inundação.

“A integração dessas ferramentas permitiu gerar um conjunto de informações bastante detalhadas sobre o comportamento do lago, da barragem e da microbacia da Sanga Panambi”, destaca o pesquisador.

Simulações ajudam a prever cenários de risco

Um dos pontos centrais do estudo foi a modelagem de cenários hipotéticos de ruptura da barragem. Por meio de modelos computacionais, os pesquisadores simularam o comportamento da água caso ocorra uma falha estrutural na barragem, permitindo estimar velocidade do fluxo, profundidade da inundação e áreas potencialmente atingidas.

Esse tipo de análise é importante para orientar o planejamento urbano e apoiar a elaboração de planos de emergência. “A modelagem não significa que exista risco imediato, mas permite entender o que poderia acontecer em um cenário extremo. Isso ajuda gestores públicos a planejar ações preventivas e estratégias de resposta rápida”, explica Leonan.

As simulações indicaram que, em um cenário hipotético de ruptura, algumas áreas localizadas ao longo do curso da Sanga Panambi poderiam ser atingidas por inundação, especialmente em regiões mais baixas do vale. O objetivo do estudo, no entanto, é justamente identificar essas áreas de forma preventiva.

Resultados revelam dinâmica do sistema hídrico

Entre os resultados obtidos na pesquisa está a caracterização detalhada da morfologia e do volume do Lago Municipal de Toledo e do trecho analisado da Sanga Panambi.

Os dados indicam que o lago apresenta aproximadamente 49.759 metros cúbicos de volume em condição normal, podendo atingir cerca de 143.158 metros cúbicos em condição máxima. Já o trecho analisado da Sanga Panambi possui cerca de 78.503 metros cúbicos em nível normal, podendo chegar a aproximadamente 186.703 metros cúbicos em nível máximo.

Para o pesquisador, esses números evidenciam o papel do sistema na regulação das águas da microbacia. “Observamos uma diferença significativa entre o volume normal e o volume máximo que o sistema pode armazenar, o que demonstra a importância do lago e da Sanga Panambi na regulação das vazões da microbacia”, afirma.

Além de ampliar o conhecimento científico sobre o sistema hídrico urbano, a pesquisa fornece informações técnicas que podem auxiliar a gestão municipal no planejamento da segurança da barragem.

Os resultados podem contribuir para a elaboração ou atualização do Plano de Segurança de Barragens (PSB) e do Plano de Ação de Emergência (PAE), além de apoiar ações de monitoramento ambiental e planejamento urbano.

“A principal contribuição da pesquisa é fornecer dados técnicos que ajudem na tomada de decisões. A partir dessas informações, é possível planejar ações preventivas, monitorar melhor a barragem e reduzir riscos para a população”, destaca.

Ciência aplicada à segurança das cidades

Estudos como esse são fundamentais para cidades que possuem lagos e barragens urbanas, especialmente porque muitas dessas estruturas foram construídas há décadas e nem sempre contam com monitoramento técnico contínuo.

Ao integrar geotecnologias, monitoramento hidrológico e modelagem hidráulica, a pesquisa contribui para ampliar o conhecimento sobre o funcionamento das microbacias urbanas e fortalecer políticas públicas voltadas à prevenção de desastres.

Fonte: Unioeste

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