O Biopark, por meio da Donaduzzi Educação e da UMIPI (Unidade Mista de Pesquisa e Inovação), desenvolve, em parceria com a Embrapa, a Unioeste e o IFPR, uma pesquisa na área da piscicultura. O objetivo é oferecer aos piscicultores maior controle sobre toda a cadeia produtiva, incluindo políticas públicas, pesquisas, território e gestão, o que garantirá informações estratégicas aos produtores e aos demais setores envolvidos.
O pesquisador da UMIPI, Bruno Aparecido da Silva, explica: “Atualmente, as informações estão espalhadas por diversas bases de dados do Brasil, e algumas nem existem. A ideia é reunir todas em um único banco de dados e disponibilizá-las aos diferentes representantes da cadeia produtiva.”
Segundo o pesquisador, a ação tem como foco mostrar pontos fracos em que é preciso direcionar estudos para atender à cadeia produtiva do pescado, orientar políticas públicas para os diferentes locais do estado e focar nas demandas de cada região.
“O oeste do Paraná é o principal polo produtivo agropecuário do Brasil, com uma relação muito importante com a exportação de proteína de peixe para diferentes países, além de contar com agroindústrias consolidadas no processamento de proteína animal”, explica o pesquisador.
Além disso, o pesquisador salienta que o foco da pesquisa é identificar locais onde a piscicultura consiga se estabelecer de forma sustentável, com infraestrutura e disponibilidade de recursos naturais.

Ao longo do projeto, uma das ações foi a elaboração de um modelo espacial, por meio de oficinas participativas com gestores, produtores, representantes comerciais, técnicos, pesquisadores e acadêmicos. O objetivo foi construir um modelo o mais próximo possível da realidade, para encontrar condições propícias à expansão da piscicultura no Paraná.
Outro foco da pesquisa é identificar como a piscicultura evoluiu no estado, garantir a preservação ambiental e, posteriormente, assegurar às propriedades uma certificação ambiental.
“Além disso, será possível desenvolver pesquisas com foco na avaliação da qualidade da água em diferentes localidades, como já vem sendo feito com a participação da bolsista de pós-doutorado Débora Xavier, e identificar possíveis variações espaciais em diversos corpos hídricos da região. Com isso, busca-se compreender as condições ambientais no contexto das propriedades de cultivo, tendo em vista uma gestão sustentável da atividade”, esclarece o pesquisador.
Os resultados já obtidos mostram que cerca de 90% das pisciculturas do Paraná tiveram origem em áreas onde não houve comprometimento do meio ambiente por remoção de vegetação ou floresta nativa. Outro destaque do projeto é uma solução tecnológica inteligente: um aplicativo para celular que disponibilizará informações estratégicas a produtores, à cadeia produtiva e aos gestores da área. O aplicativo está na fase final de desenvolvimento, conduzido pelo bolsista Claudio Silva. A próxima etapa é validá-lo com o setor produtivo, com previsão de lançamento até meados do próximo ano.
Alguns dos resultados
Em relação aos locais de expansão da atividade, o Paraná possui cerca de 11,7 milhões de hectares (59% do território) com algum grau de adequabilidade para a implantação da tilapicultura em viveiros escavados.
O estudo identificou que 41% do território paranaense é considerado restrito, por se enquadrar em áreas de preservação, por exemplo. A classe altamente adequada ocupa 2,5 milhões de hectares (12,6%); a adequada, 3,0 milhões (15,1%); a moderadamente adequada, 2,5 milhões (12,6%); e a pouco adequada, 2,3 milhões (11,6%).
Diversos municípios da região oeste do estado, como Terra Roxa, Guaíra e São Pedro do Iguaçu, apresentaram os maiores percentuais de áreas na classe altamente adequada (de 40% a 56,6%).
Fonte: assessoria





