Uma patente desenvolvida por pesquisadores da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Toledo, em parceria com a empresa Prime Agro Produtos Agrícolas, pode representar um importante avanço para a agricultura sustentável no Brasil. A tecnologia utiliza nanofibras biodegradáveis para proteger microrganismos benéficos ao solo e às plantas, aumentando sua durabilidade e ampliando as possibilidades de uso no campo.
A invenção propõe uma nova forma de armazenar e aplicar bioinsumos utilizados na produção agrícola. A solução foi desenvolvida por pesquisadores da Unioeste Douglas Cardoso Dragunski, Bruna Aparecida Alexandre, Luiz Eduardo Montans Braga e Gabriel das Neves Pfeifer, em parceria com a Prime Agro, sob supervisão de Karlos Eduardo Pianoski.
O diferencial da inovação está na utilização de um processo chamado eletrofiação, capaz de produzir fibras extremamente finas a partir de materiais biodegradáveis. Essas nanofibras funcionam como uma espécie de “cápsula protetora”, envolvendo fungos e bactérias benéficos à agricultura e preservando sua eficácia por mais tempo.
Enquanto muitos bioinsumos disponíveis atualmente precisam de condições específicas de armazenamento e apresentam menor estabilidade, os testes realizados com a nova tecnologia demonstraram que os microrganismos permaneceram viáveis por mais de seis meses, mantendo suas características e sem apresentar contaminação.
A matriz utilizada para a produção das nanofibras é formada por materiais biodegradáveis e solúveis em água. Com isso, a tecnologia dispensa o uso de substâncias tóxicas e reduz a geração de resíduos prejudiciais ao meio ambiente.
Os microrganismos utilizados desempenham funções importantes para o desenvolvimento das plantas, como a promoção do crescimento vegetal, a disponibilização de nutrientes presentes no solo, o auxílio no controle biológico de pragas e doenças e o fortalecimento da resistência das culturas diante de condições adversas.
Para Karlos Eduardo Pianoski, coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento da Prime Agro, a tecnologia foi desenvolvida para solucionar desafios históricos relacionados ao uso de bioinsumos microbiológicos na agricultura. Segundo ele, a encapsulação dos microrganismos em nanofibras biodegradáveis amplia significativamente a estabilidade e a eficiência desses produtos.
“A inovação permite preservar a viabilidade dos microrganismos por períodos prolongados, reduzindo problemas relacionados ao armazenamento, transporte e contaminação. Além disso, possibilita que esses organismos sejam reativados e multiplicados em biorreatores industriais ou on-farm, além de serem aplicados diretamente como biofertilizantes. Isso representa um avanço importante para ampliar a eficiência, a segurança e a escalabilidade dos processos biotecnológicos utilizados no agronegócio”, destaca.
Para o professor do curso de Química da Unioeste, Douglas Cardoso Dragunski, a concessão da patente representa um marco para a universidade e evidencia o potencial da colaboração entre instituições de pesquisa e o setor produtivo. “Esta conquista demonstra como a união entre ciência e indústria pode gerar soluções concretas para desafios reais da agricultura. É um resultado que fortalece o papel da universidade pública como produtora de conhecimento, inovação e desenvolvimento tecnológico com impacto direto na sociedade”, destaca.
Segundo o pesquisador, a tecnologia resolve um dos principais desafios enfrentados pelos bioinsumos: a preservação da atividade dos microrganismos ao longo do tempo. “Conseguimos desenvolver uma matriz biodegradável capaz de proteger esses organismos por mais de seis meses. Quando aplicada no campo, ela libera os microrganismos gradualmente, permitindo diferentes formas de utilização pelo produtor rural”, explica.
O projeto foi desenvolvido com apoio do programa MAI/DAI do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), iniciativa que incentiva a aproximação entre universidades e empresas para o desenvolvimento de soluções inovadoras.
A aproximação entre a universidade e o setor produtivo foi fundamental para transformar a pesquisa em uma tecnologia com potencial de aplicação prática. De acordo com Pianoski, a ideia surgiu a partir de conversas entre ele o professor Douglas Cardoso Dragunski, da Unioeste, resultando na construção conjunta da invenção e no estabelecimento da parceria por meio do programa MAI/DAI.
“A colaboração entre a Prime Agro e a Unioeste permitiu unir conhecimento científico e experiência do setor produtivo para desenvolver uma solução inovadora voltada às necessidades reais da agricultura. A tecnologia fortalece a bioeconomia, incentiva a adoção de práticas mais sustentáveis e contribui para reduzir a dependência de insumos químicos convencionais, atendendo às demandas atuais por uma produção agrícola mais eficiente e ambientalmente responsável”, afirma.
De acordo com os inventores, não foram identificados registros nacionais ou internacionais com características semelhantes às apresentadas pela tecnologia patenteada. O ineditismo da proposta abre caminho para uma nova categoria de bioinsumos, reunindo eficiência, praticidade e responsabilidade ambiental.
Fonte: Unioeste





