Instalada em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, a Herbarium é líder no mercado de fitoterápicos no País. Foto: Jose Fernando Ogura/AEN

O Paraná possui uma área de 6 mil hectares ocupada com espécies potenciais, medicinais, condimentares e aromáticas, que rendem uma produção anual média de 18,6 mil toneladas

O Paraná tem a maior tradição na produção de fitoterápicos no Brasil. O Estado possui uma área de 6 mil hectares ocupada com espécies potenciais, medicinais, condimentares e aromáticas, que rendem uma produção anual média de 18,6 mil toneladas e uma receita de R$ 88,5 milhões. Na série de reportagens que apresenta os produtos feitos no Paraná vamos conhecer mais sobre o início do cultivo e seu patamar atual.

“Tudo iniciou na década de 1970, quando o Estado começou a ter muitas áreas dedicadas à plantação de menta, que era usada na fabricação do óleo essencial e destinado à exportação”, conta Laís Gomes Adamuchio de Oliveira, coordenadora estadual de plantas potenciais, medicinais, aromáticas e condimentares do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater.

Apesar de a menta ter sido praticamente dizimada no território paranaense por uma doença e de não ser mais o forte da produção no Estado, a tradição do cultivo de plantas com propriedades terapêuticas e medicinais permaneceu.

Segundo a coordenadora, o plantio de plantas potenciais – plantas medicinais, aromáticas e condimentares – é uma excelente opção para a agricultura familiar por terem alta rentabilidade por área, chegando a ser até dez vezes mais lucrativas do que os grãos. Além disso, o cultivo demanda muita mão de obra, o que acaba gerando mais empregos.

Laís afirma que a busca das pessoas por produtos naturais tem alavancado o setor, principalmente aqueles para tratar a ansiedade, como lavanda, maracujá folha, capim-limão e erva-cidreira. “O mercado de cosméticos e corantes naturais também é promissor e tem aumentado a demanda por plantas com princípios ativos de interesse”, afirma.

Segundo os dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, são 154 municípios paranaenses envolvidos na produção das espécies potenciais, medicinais, aromáticas e condimentares, atendidos com assistência técnica do IDR-Paraná.

O grande destaque é a camomila, com 1.853 hectares distribuídos em 14 municípios. O Paraná se sobressai também como exportador de ginseng brasileiro e óleo essencial de menta japonesa.

Laís explica que a secretaria está finalizando um grande mapeamento que vai listar onde cada espécie de planta é cultivada no Estado. “Este levantamento facilitará, sobretudo, a comercialização destas plantas para grandes empresas”.

Entretanto, para que as plantas tenham apelo junto a empresas farmacêuticas, a capacitação dos agricultores é fundamental. “É preciso cuidar desde o plantio, passando pela colheita, até o beneficiamento para que não percam os princípios ativos que são de interesse das empresas compradoras. Os mercados de fitoterápicos e de óleos essenciais exigem mais cuidado e, por isso, a importância da assistência técnica”, afirma.

Instalada em Pato Bragado, no Oeste do Paraná, a Unidade de Produção de Extratos da Sustentec Agricultores Associados cria soluções para a cadeia produtiva de plantas medicinais. Foto: Jose Fernando Ogura/AEN

SUSTENTABILIDADE – Está instalada em Pato Bragado, no Oeste do Paraná, a Unidade de Produção de Extratos da Sustentec Agricultores Associados. Trata-se de uma instituição que agrupa produtores e técnicos que tem por objetivo criar soluções para a promoção do desenvolvimento sustentável na cadeia produtiva de plantas medicinais.

Presidente da organização, Euclides Lara Cardoso Junior conta que a Sustentec nasceu em 2003, priorizando dar mais valor agregado à cadeia produtiva da erva-mate. No entanto, o projeto foi ganhando força e cresceu. Com 17 anos de história, a associação já desenvolveu diversos projetos em parceria com o poder público e com o setor privado, sempre com a meta de desenvolver cadeias produtivas das plantas medicinais.

“Quando vamos desenvolver um produto ou um ciclo produtivo, a gente pensa no conceito de sustentabilidade social, econômica e cultural. A sustentabilidade está embutida em todas as etapas do processo”, explica Cardoso Junior.

Hoje, a organização conta com cerca de 200 produtores associados que fornecem as matérias-primas para a fabricação de extratos a granel, utilizados pelas indústrias farmacêutica e alimentícia. Os princípios ativos isolados pela Sustentec são vendidos para todo o Brasil e também para o Exterior.

Um dos exemplos é o extrato de guaco, produzido a partir da planta nativa de mesmo nome, oriunda da Mata Atlântica. “Há muito tempo esta planta é descrita como medicinal e há inúmeros medicamentos feitos a base deste princípio ativo. No entanto, estas plantas eram oriundas de extrativismo”, destaca Cardoso

Por isso, um dos primeiros projetos foi dominar a cadeia produtiva do guaco a partir de um cultivo racional porque, acrescenta, não há como desenvolver um setor produtivo baseado puramente no extrativismo. Desta forma, a associação desenvolveu, em parceria com entidades públicas e privadas, o cultivo do guaco totalmente orgânico, sem a utilização de agrotóxicos.A

A Herbarium produz em média, 650 mil unidades de medicamentos por mês. Foto: José Fernando Ogura/AEN

MEDICAMENTOS – Instalada em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, a Herbarium é líder no mercado de fitoterápicos no País. A empresa tem 35 anos e 450 colaboradores produzindo, em média, 650 mil unidades de medicamentos por mês.

Na área da empresa há um jardim educativo de plantas medicinais e uma horta orgânica para consumo dos funcionários. Tudo isso para harmonização com o DNA da empresa: produtos naturais e de alta qualidade.

A Herbarium é o único laboratório farmacêutico focado 100% em fitoterapia no Brasil. De acordo com Renato da Fonseca Prudente, vice-presidente de Operações e Gestão, apenas 3% dos medicamentos receitados no Brasil são fitoterápicos. “Países como a Alemanha, berço da fitoterapia mundial, este índice ultrapassa os 30%. Então ainda temos muito o que explorar”, afirma.

De acordo com Prudente, o propósito da empresa é levar produtos fitoterápicos como uma solução para o mercado. “Acreditamos que o fitoterápico tem várias vantagens em relação aos sintéticos. É um produto mais orgânico, que agride menos a fisiologia. Então, para tratamentos continuados ou preventivos, os fitoterápicos são as soluções mais indicadas”, afirma.

A maior parte dos insumos utilizados pela empresa é importada. No entanto, ela vem trabalhando para aumentar o número de fornecedores locais. Um exemplo é a parceria com a Sustentec, que desenvolveu junto com a Herbarium uma tintura de guaco, utilizada na fabricação de um xarope para tosses e resfriados. “Também estamos desenvolvendo com eles um outro insumo que era importado e que, a partir dos próximos meses, será feito com produtos locais”, comemora Prudente.

Com o isolamento social imposto pela pandemia, o consumo de alimentos saudáveis e com ingredientes naturais aumentou de 40,2% para 44,6% no Brasil, de acordo com um estudo do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP).

De olho neste mercado, a Herbarium está ampliando sua linha de produtos. Já lançou uma gama de fito-chás e, para o segundo semestre de 2021, planeja uma nova linha de produtos na área de bem-estar, com o objetivo de chegar ainda mais perto do consumidor final.

FEITO NO PARANÁ – Criado pelo Governo do Estado, e elaborado pela Secretaria do Planejamento e Projetos Estruturantes, o projeto busca dar mais visibilidade para a produção estadual. O objetivo é estimular a valorização e a compra de mercadorias paranaenses, movimentar a economia e promover a geração de emprego e renda.

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Fonte: Agência Estadual de Notícias