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 Para onde vão os peixes ornamentais do Brasil?

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O Brasil, reconhecido mundialmente por sua extraordinária biodiversidade, destaca-se como um dos principais fornecedores de peixes ornamentais, tanto de água doce quanto marinhos, para o mercado internacional. Esse segmento da aquicultura, movimenta uma cadeia produtiva complexa e estratégica, envolvendo logística especializada e comércio exterior. A pergunta que se impõe, no entanto, é: para onde vão os peixes ornamentais brasileiros?

No que se refere aos peixes continentais – ou seja, de água doce – a região Norte do país, especialmente os estados do Amazonas e do Pará, é responsável por grande parte da produção e coleta destinada à exportação. Espécies como o cardinal (Paracheirodon axelrodi), o acará-disco (Symphysodon spp.) e o cascudo (família Loricariidae) são algumas das mais demandadas internacionalmente. O principal destino desses organismos são os países asiáticos, como Taiwan, Hong Kong, Japão e China, seguido por Estados Unidos.

Com relação aos organismos marinhos ornamentais, incluindo peixes e diversas espécies de corais e invertebrados – os estados do Nordeste, como Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia, concentram os principais empreendimentos voltados à captura e produção. Embora em menor escala quando comparado ao comércio de peixes continentais, o setor marinho também possui forte vocação exportadora. Os Estados Unidos novamente lideram como principal importador, seguido por Sri Lanka, Hong Kong, Taiwan e China.

Os dados do comércio exterior brasileiro, compilados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) revelam que, embora o volume exportado possa parecer modesto em comparação com outros setores, o valor agregado por unidade é elevado, especialmente quando se trata de espécies raras ou com elevado grau de exigência na reprodução. O cardinal, por exemplo, ainda que vendido a preços acessíveis no varejo internacional, é um ícone de sustentabilidade quando proveniente de manejo extrativista responsável, gerando renda para comunidades amazônicas e contribuindo para a conservação da floresta.

No cenário interno, o escoamento da produção também atende ao mercado nacional, que tem demonstrado crescimento consistente nos últimos anos. Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte concentram um número expressivo de consumidores, lojistas e aquaristas amadores e profissionais. No entanto, é no comércio exterior que o Brasil encontra seus maiores ganhos econômicos e visibilidade internacional.

Por outro lado, é importante destacar que o transporte desses organismos envolve cuidados logísticos extremamente rigorosos, desde a coleta ou produção, passando pelo acondicionamento e aclimatação, até a entrega final no país de destino. A utilização de sistemas de embalagens individualizadas, controle rigoroso da qualidade da água, jejum pré-transporte, temperatura adequada e documentação zoossanitária são apenas alguns dos requisitos obrigatórios para garantir a sobrevivência e o bem-estar dos organismos durante a jornada de transporte.

Diante desse panorama, o futuro do comércio de peixes ornamentais do Brasil depende diretamente do fortalecimento de políticas públicas específicas, da regulamentação eficiente, do incentivo à pesquisa e inovação tecnológica e da capacitação contínua dos atores envolvidos na cadeia produtiva. Somente com uma abordagem integrada e sustentável será possível garantir que os peixes ornamentais do Brasil continuem encantando o mundo, sem comprometer o patrimônio natural que lhes dá origem.

Por fim, a resposta à pergunta “para onde vão os peixes ornamentais do Brasil?” vai além dos dados logísticos de exportação. Ela nos convida a refletir sobre como podemos transformar biodiversidade em desenvolvimento sustentável, promovendo inclusão social, conservação ambiental e reconhecimento internacional da riqueza aquática brasileira.

Texto de Júlia Martim – Fonte: Aquaculture Brasil

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