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Os desafios do agronegócio em tempos de aquecimento global

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Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Por Dilceu Sperafico*

A nossa opinião de que o agricultor é o primeiro e maior interessado na preservação ambiental, por exercer atividade econômica a céu aberto e ser o primeiro a sofrer os maiores prejuízos com as tragédias climáticas, se confirma a cada dia. A questão do aquecimento global, alardeada e debatida diariamente nos meios de comunicação sociais e/ou digitais, para nossa preocupação tem como um dos primeiros e principais setores a sofrer com temperaturas elevadas e redução de florestas nativas, a agropecuária do Brasil e de todo o mundo.

Para avaliar melhor tais fenômenos é necessário entender três premissas da relação entre alimentação e florestas naturais. A 1ª é que a humanidade depende da agricultura para se alimentar e sobreviver; a 2ª que a agricultura é muito dependente de fatores não humanos, como as chuvas sazonais em quantidades regulares e sistema climático minimamente estabilizado; e 3º que as chuvas regulares e o clima favorável dependem, por sua vez, da conservação de matas e demais coberturas vegetais nativas, em todo o planeta.

Por isso, toda a sociedade e não apenas os produtores rurais, precisam entender que as florestas e demais ecossistemas naturais conservam e reciclam a umidade proveniente de oceanos, estabilizando chuvas, refrigerando o clima, preservando a fertilidade dos solos e mantendo a biodiversidade. Sem florestas, não existem dispersores de sementes, polinizadores, fungos e micro-organismos necessários à reprodução das plantas. Esses fatores afetam a quantidade, qualidade e, consequentemente, o preço dos alimentos consumidos no dia a dia das pessoas de todo o mundo, etnias, categorias sociais, rendas e índices de escolaridade.

Como a crise climática é real e está nas tragédias ambientais registradas no mundo inteiro, a preservação e/ou recuperação de florestas de todos os continentes, são fundamentais para a humanidade continuar se alimentando. Não apenas entre os especialistas da área, que pesquisam e informam a sociedade sobre o tempo e o clima, mas também as vítimas dos desastres ambientais, já há consenso sobre a gravidade do problema ecológico. Cabe agora à ciência apontar caminhos para solucioná-lo.

O maior problema é que quando se busca definir o que fazer para enfrentar e superar a crise climática, a questão passa a ser política. Como sociedade organizada poderíamos buscar alternativas e soluções, ou até decidir não fazer nada, “tapando o sol com a peneira” e adiar para o futuro a responsabilidade de resolver o desafio do presente. Aí é preciso lembrar o que nos alerta a ciência sobre o aumento médio da temperatura do planeta, em valores acima dos níveis pré-industriais, entre1850-1900, tem sido destaque nestes últimos anos.

Na prática, a mudança do clima global e desastres naturais ainda parecem distantes da maioria da população, apesar de afetarem o cotidiano de todas as pessoas, como no aumento dos preços dos alimentos. Para piorar ainda mais a crise, quando a temperatura da superfície terrestre aumenta, os oceanos também esquentam. Devido sua extensão e capacidade de reter calor, as águas dos mares contribuem para o aquecimento global, afetando a vida marinha, tornando os mares mais ácidos e, principalmente, gerando mais vapor de água e fenômenos naturais como o El Niño, com chuvas volumosas e inundações trágicas. A tragédia das enchentes no Rio Grande do Sul nos parece esclarecedora sobre essa realidade.

*O autor é Deputado Federal pelo Progressistas do Paraná. Está em seu sétimo mandato. Foi chefe da Casa Civil do Governo do Estado, presidente da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados. É produtor rural, filósofo e advogado. Autor de 16 livros.

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