De gabinete em gabinete, multiplicam-se “visitas” que mais se parecem com atos de pressão. Resta a pergunta: será que a Justiça é realmente cega ou simplesmente escolhe não enxergar? Ainda que não haja papéis triturados ou documentos desaparecidos, a verdade é que há sinais evidentes de assédio moral e intimidação contra os demais pares da casa de Leis, práticas que configuram ilícitos tanto administrativos quanto criminais. Com “bolo” e deboche!
A situação se agrava quando observamos que o presidente da Câmara Municipal de Toledo figura como testemunha de defesa no processo criminal que investiga os vereadores “Dudu” e “Bozó”, ambos afastados por determinação judicial. Mesmo diante dessa condição, o presidente não declarou suspeição ou impedimento, o que pode configurar grave conflito de interesse ou até mesmo conivência institucional.
As regras são claras. O art. 4º do Código de Ética e Decoro Parlamentar estabelece como deveres éticos fundamentais dos vereadores:
- I – a dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios morais como primados maiores;
- II – a preservação da honra e da tradição dos serviços públicos;
- III – a obrigação de decidir não apenas entre o legal e o ilegal, mas sobretudo entre o honesto e o desonesto, conforme o art. 37 da Constituição Federal;
- IV – a moralidade da conduta, que deve estar sempre orientada para o bem comum.
Ora, como assegurar esses princípios se o próprio presidente da Câmara, que deveria zelar pela imparcialidade e pela honra do Legislativo, atua como testemunha de defesa em processo de seus colegas? Há não ser que, já tenha feito e, eu não tive acesso ao documento até às 17h45 dessa sexta-feira, 29, mas, creio que seria o legalmente correto.
O Decreto-Lei nº 201/1967, em seu art. 4º, já prevê que vereadores podem ser cassados por condutas que atentem contra a dignidade da Câmara. A Lei nº 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa), por sua vez, responsabiliza agentes públicos que atentem contra os princípios da moralidade e da lealdade institucional.
Mais ainda: o art. 144 do Código de Processo Civil e o art. 18 da Lei nº 9.784/1999 reforçam que autoridades devem se declarar impedidas em situações de interesse direto ou de suspeição.
Diante disso, surge a indagação inevitável: mesmo que os vereadores afastados, segundo a Justiça não teriam como interferir no processo ou acessando ilegalmente dependências da Câmara, o que se vê é a pressão psíquica sobre os demais. Se a lei vale apenas para uns e não para outros, a isonomia é destruída. E nesse cenário de omissões e conveniências, resta a dúvida: quem vai zelar pela moralidade da Casa do Povo?
Policial Municipal do Mês – GM Edson de Sousa – “De Sousa”
Justa e merecida a homenagem ao GM Edson de Sousa, escolhido como Policial Municipal do Mês. Seu destaque veio de uma ocorrência marcante no dia 22 de agosto, quando uma tentativa de suicídio exigiu muito mais do que técnica: pedia sensibilidade, serenidade e fé. De Sousa foi o primeiro a intervir, assumindo a negociação com coragem e empatia. “Ao ir me aproximando, pedi a Deus sabedoria”, contou, revelando a essência de sua conduta. Graças à sua intervenção, o bem mais precioso foi preservado: a vida.
Trajetória
A trajetória do “De Sousa” na Guarda Municipal começou em 2 de maio de 2006. Ao longo desses 19 anos, construiu uma carreira sólida, marcada pelo compromisso com a comunidade. Participou da criação e implantação da unidade K-9, atuou no serviço operacional, foi diretor de segurança, assessor especial de programas e projetos, e hoje está novamente no k-9 aplicando a experiência também como adestrador de cães — função que exerce com maestria.
Formação
Antes da farda azul, serviu ao Exército Brasileiro, chegando ao posto de segundo sargento. Essa vivência militar deixou marcas indeléveis em sua postura: disciplina, coragem e liderança que se refletem no dia a dia. Paralelamente, buscou sempre o aperfeiçoamento: é formado em Geografia, tem tecnologia em Gestão Ambiental e hoje cursa Segurança Pública.
Na vida pessoal, é esposo dedicado de Aparecida Maria da Graça Gomes e pai amoroso de dois filhos, que considera alicerces e fontes de motivação. Seu ato heroico em agosto reafirma que a missão da Guarda Municipal vai muito além da ordem pública. É cuidar, acolher e proteger. O exemplo do De Sousa inspira colegas e comunidade, mostrando que o verdadeiro herói é aquele que age com humanidade, coragem e dedicação ao próximo.
O comando da Guarda Municipal de Toledo não apenas reconheceu, mas enalteceu sua conduta, afirmando que sua história ficará registrada como marco de coragem e humanidade na corporação.
A palavra do homenageado
Ao receber a homenagem, Edson fez questão de dividir o reconhecimento com os colegas. “Gostaria de expressar minha gratidão aos meus companheiros de farda. São vocês que fazem a diferença nas ruas”, disse, lembrando que a maior beneficiária da Polícia Municipal é a população, que encontra atendimento eficiente sempre que aciona o 153.
Ele destacou a atuação conjunta durante a operação, mencionando o empenho do supervisor Bertapelle, que mobilizou equipes, e a participação de companheiros como Ladeia, Souza, Pelicioli e Edvaldo. Para Edson, uma polícia municipal sólida se constrói sobre três pilares: capacitação, controle e remuneração.
A capacitação, explicou, é fruto dos constantes treinamentos de gerenciamento de crises e atuação como primeiro interventor. O controle é a disciplina que garante segurança a todos. Já a remuneração digna é pauta essencial para valorização da categoria, e aqui ele agradeceu ao esforço da administração municipal e dos representantes políticos que apoiam essa causa.
No entanto, lembrou também as preocupações que rondam o dia a dia de quem veste a farda: a segurança de voltar para casa ao fim do expediente, a liberdade que pode ser colocada em risco em situações de conflito, e a estabilidade profissional, que depende de um plano de carreira sólido.
Ao encerrar sua fala, Edson agradeceu ao comando da Guarda, ao secretário de Segurança e à administração, destacando que a corporação segue no rumo certo. E, fiel ao espírito de companheirismo, abriu espaço para celebrar a vida dos colegas, chamando os aniversariantes do mês de agosto para se apresentarem. Um gesto simples, mas que revela a essência de quem acredita que proteger e servir vai além de um lema: é um legado.