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Os 3 minutos do 7 de Setembro em Toledo

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O frio não afastou Toledo das ruas. Neste 7 de Setembro, milhares de pessoas foram ao Parque Ecológico Diva Paim Barth para acompanhar um dos maiores atos cívicos do município, reunindo mais de 150 participantes entre entidades, empresas, organizações, clubes de serviço, estabelecimentos comerciais, igrejas e diferentes segmentos da sociedade.

Foi uma manhã de civismo, famílias reunidas e demonstrações de pertencimento. Toledo mostrou sua diversidade na avenida e, principalmente, a força de uma comunidade que trabalha, produz e participa.

O desfile transcorreu dentro do esperado, sem grandes intercorrências. Mas, antes de a avenida assumir o protagonismo, houve um momento que certamente deverá render comentários muito além deste domingo.

O prefeito Mário Costenaro foi o único a discursar. E precisou de menos de três minutos.

Pouco tempo. Muitas mensagens.

Em vez de uma fala protocolar limitada à Independência do Brasil, Costenaro colocou política no discurso. Não citou nomes, partidos ou adversários, mas também não pareceu preocupado em esconder o endereço de algumas frases.

E, quando um prefeito escolhe justamente o 7 de Setembro para perguntar “qual Brasil nós queremos?”, falar em “fatos vergonhosos” envolvendo instituições superiores nacionais e afirmar que existem forças querendo pará-lo, não é preciso muita criatividade para perceber que havia algo além do tradicional “Viva o Brasil”.

Menos de três minutos. E nenhum minuto desperdiçado

Mário Costenaro falou pouco. Talvez justamente por isso tenha falado tanto. Para ser correto, não durou 3 minutos.

Sem aquela interminável romaria de discursos que costuma transformar solenidades públicas em teste de resistência para quem está em pé, o prefeito foi o único a pegar o microfone.

Foram menos de três minutos.

O suficiente para comemorar a Independência, elogiar Toledo, lembrar os pioneiros e, de quebra, deixar alguns recados cuidadosamente embrulhados em civismo.

“Qual Brasil nós queremos?”

A pergunta que abriu a parte mais contundente do discurso não parece ter sido escolhida ao acaso.

Costenaro falou de um Brasil em que “instituições superiores nacionais são expostas dia após dia por fatos vergonhosos” e afirmou que esse cenário “assusta”, “entristece” e provoca “terríveis angústias”.

Não apontou qual instituição. Não citou nomes. Não explicou quais fatos.

Nem precisava para provocar interpretação.

Em política, às vezes, aquilo que se deixa sem nome faz mais barulho do que aquilo que se pronuncia.

O recado mais forte veio depois

Se alguém ainda imaginava estar ouvindo apenas uma reflexão cívica sobre Brasília, veio a frase que mudou o endereço do discurso:

“Forças das mais diversas teimam em querer nos parar. Mas seguimos firmes. Seguimos juntos. Seguimos fortes.”

Aqui, o discurso deixou de falar apenas do Brasil abstrato e ganhou um componente pessoal e político bastante evidente.

Quem são essas forças?

O prefeito não contou.

Quem estaria tentando pará-lo?

Também não disse. (nem é preciso)

Mas resolveu anunciar publicamente que elas existem.

É aquela velha eficiência da política: não se dá nome ao adversário, mas se garante que todo mundo saia procurando quem é.

Tentam parar. Ele responde dizendo que continua

A mensagem que ficou foi bastante direta: existem forças contrárias, existem obstáculos, existem aqueles que desejariam interromper seu caminho, mas a administração continuará trabalhando.

Não houve acusação nominal. Não houve confronto aberto. Houve algo politicamente mais interessante: a sugestão.

E sugestão, quando lançada diante de milhares de pessoas, costuma viajar muito mais rápido do que explicação.

Costenaro praticamente disse: podem tentar nos parar; nós continuaremos.

Para quem recebeu o recado, provavelmente não foi necessário CEP.

Sem privilégios também entrou no pacote

Outra expressão merece atenção.

O prefeito defendeu “um Brasil que olha para as pessoas como um todo, sem privilégio”, acrescentando que Toledo estaria mostrando que isso é possível.

Novamente: sem nomes.

Mas “sem privilégio” é uma expressão politicamente carregada demais para passar despercebida em um discurso que já havia mencionado instituições nacionais, fatos vergonhosos e forças que tentariam impedir o governo de avançar.

Coincidência?

Pode ser.

Mas já seriam coincidências demais dentro de menos de três minutos.

Um 7 de Setembro com sotaque local

No fim, o prefeito voltou ao terreno institucional: fé, sonhos, luta, realizações, Toledo e Brasil.

“Viva o Brasil.”

Mas o discurso já havia cumprido outra função.

Enquanto mais de 150 representações da sociedade se preparavam para desfilar e milhares de pessoas acompanhavam a programação, Costenaro aproveitou seus poucos minutos para colocar sobre a avenida uma mensagem política bastante clara: o cenário nacional o incomoda, existem forças que tentam parar sua administração e, apesar delas, ele pretende seguir.

Foi curto.

Foi calculado.

E certamente não foi apenas um discurso sobre a Independência do Brasil.

Afinal, no 7 de Setembro todo mundo fala em liberdade.

O prefeito de Toledo resolveu também falar sobre quem, segundo ele, estaria tentando colocar freio no seu caminho.

A cachorra que roubou a cena

Imagem – transmissão/youtube/prefeitura

Em meio ao civismo, às bandeiras e aos pelotões, quem resolveu roubar a cena no desfile de 7 de Setembro foi justamente quem não estava inscrito na programação.

Uma cachorra, chamada carinhosamente de “MARCELA”, que, tem muitos seguidores entrou na avenida e passou a desfilar à frente do pelotão do BELOG 33. De longe, parecia até integrante da tropa: seguia firme, concentrado e atento à missão.

Só havia um detalhe: patriotismo não era exatamente o que movia a nossa “soldado” de quatro patas.

O alvo estava no céu.

O cachorro seguia olhando para um pequeno drone que fazia imagens do desfile. Corria, acompanhava e, pelo jeito, estava absolutamente convencido de que, se aquela coisa voava tão baixo, em algum momento deveria cair — e ele estaria lá para resolver a situação.

A cena arrancou risadas do público e virou um espetáculo à parte.

Entre tantos participantes oficiais, foi justamente o único que apareceu sem convite, sem uniforme e sem ensaio que conseguiu alguns dos maiores aplausos.

Faltou luz. Culpa da cachorra?

O desfile teve apenas uma interrupção mais perceptível: faltou energia elétrica.

E aí ficou impossível não lembrar de uma das frases mais ácidas já disparadas pelo vereador Chumbinho Silva sobre os problemas no fornecimento de energia em Toledo.

Em uma crítica à fragilidade da rede elétrica, Chumbinho ironizou que bastaria “um cachorro mijar no poste” para faltar luz na cidade.

Pois bem.

Neste 7 de Setembro havia cachorra.

Havia poste.

E faltou luz.

Resta agora saber se o nosso ilustre vira-lata, além de desfilar com o BELOG 33 e tentar derrubar o drone, resolveu também fazer uma paradinha estratégica em algum poste pelo caminho.

Se fez, a Copel ganhou um suspeito.

E Chumbinho, uma tese.

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