Mais uma vez o evangelista São Mateus nos apresenta Jesus falando em parábolas para facilitar a compreensão do Reino dos Céus através de analogias do dia a dia. A intenção de Jesus é chamar a atenção dos ouvintes para que reflitam sobre Deus, a vida e os ajudem a buscar a verdade. Não há uma resposta pronta, cada um deve dar uma resposta a partir de dentro. O que importa é descobrir o Reino e aceitar a fé em Jesus como caminho, verdade e vida.

A vida humana é repleta de contradições. Em todos há situações de luzes e sombras, trigo e joio. Certamente gostaríamos que tudo fosse diferente: os bons de um lado, os maus de outro, porem tudo vem misturado, Deus quer nos iluminar para que possamos descobrir o que há de melhor em nós. Não há ser humano puro e perfeito. Juntos podemos ser melhores se aprendermos a ser misericordiosos e tolerantes uns com os outros.

Na primeira parábola aparece a semente do trigo (o bem) que foi semeada e junto há também o joio (erva daninha venenosa, o mal). Crescem juntos e será necessário tempo e paciência para a colheita onde um será separado do outro. Na segunda parábola o Reino dos Céus é apresentado como uma semente (grão de mostarda) pequena e insignificante, mas que, ao crescer, se destaca tornando-se uma árvore frondosa e grande. Na terceira comparação o Reino é apresentado como uma porção pequena de fermento que atua em uma grande quantidade de trigo, transformando-se em pão. Todas elas revelam o modo de agir de Deus que é muito diferente do nosso: Ele é sobretudo paciente e misericordioso, age movido pelo amor, pelo desejo de que todos reconheçam sua presença e transformem o mundo em espaço de vida abundante onde todos tenham vez e lugar.

São Pedro, em sua carta, dirigiu aos cristãos um apelo sugestivo: “Esteja sempre pronto para responder a qualquer pessoa que lhe perguntar a razão da esperança que existe dentro de você” (1Pd 3,15). Sim, a esperança é difícil de testemunhar, é mais fácil desanimar. Há muitas razões para repetir com Jó: “Meus dias correm rápido como uma lança, desaparecem sem um fio de esperança … Então, onde está minha esperança? Quem verá o meu bem?” (Jó 7,6; 17,15). Uma boa lição de esperança paciente contra qualquer desesperança é oferecida pela parábola do trigo e do joio (Mt 13,24-30). A vida humana é comparada a um campo onde o trigo e as ervas daninhas crescem juntos: o bem e o mal se enfrentam e o mal parece muito mais vigoroso. Aqui está, então, a grande tentação de reagir com raiva: vamos reagir e destruir as ervas daninhas! A esperança, no entanto, nunca é violência, impaciência, pressa. O ataque veemente não salva os bons, mas apenas alarga as feridas. Caberá a Deus o julgamento final.

Neste momento o que importa é colocar o Senhor no centro de nossa vida. Guiados por Ele daremos haverá espaço para o trigo (o bem) crescer e dar frutos abundantes. Eis que o semeador saiu a semear a boa semente. Ele continua semeando o bem em todos os corações.

 

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo de Toledo