Neste domingo, 16 de maio, celebramos o Domingo da Ascensão do Senhor. O Filho, depois de cumprir sua missão como salvador da humanidade, retorna ao Pai. Antes de partir Ele envia seus discípulos em missão: agora eles serão as testemunhas de Jesus: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura”. Por isso o mistério da Ascensão do Senhor está estreitamente ligado ao mistério da Páscoa e com todo o movimento de descer e subir que caracterizou a vida de Jesus. A ascensão de Jesus revela a vida que renasce do túmulo, a cura que vem das chagas, a ressurreição que nasce da morte e a ascensão que é fruto da descida. A partida de Jesus não indica o seu desaparecimento, mas a ascensão daquele que era e permanece presente e vivo para sempre (“eis que estarei convosco todos os dias).

Na Ascensão, Jesus mergulha em Deus e nos leva com ele porque se fez humano como nós. Ele assume toda a humanidade e a entrega ao Pai.

Situar a cena em um monte sem nome, na Galileia, nos indica que o que nos interessa não é o lugar geográfico, mas o simbolismo. Para a Bíblia, o monte é o ambiente da manifestação de Deus, onde Ele confia ao ser humano uma missão.

Jesus se aproxima dos discípulos e os envia em missão: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura”. É um momento importante na vida de Jesus e na vida dos discípulos. A ascensão, de um lado, indica o fim da vida pública de Jesus, de outro lado, quer mostrar que Ele continuará presente de modo mais profundo na vida dos apóstolos. “Subir ao céu” quer indicar que somos desafiados a ir além para encontrar Deus. Jesus quer mostrar que este é o destino da humanidade: nascemos de Deus e retornaremos a Ele. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Quem me segue não andarás nas trevas, mas terá a luz da vida”. É esta a vida que Jesus veio preparar para todos nós: segui-lo de perto é estar no caminho certo para o encontro com Deus. A partir da ascensão do Senhor, o Reino de Deus se faz presente quando os discípulos se empenham, como Jesus, em vencer o mal do mundo e em tornar realidade a libertação de todos os males através do evangelho.

Naquele dia, os apóstolos tiveram uma profunda experiência mística que definiu para sempre as suas vidas. Eles tiveram a certeza de que Jesus ficaria para sempre com eles através de sua Palavra e do seu Espírito. Uma presença diferente, mas não menos real do que quando Jesus vivia com eles, caminhava, instruía, falava de Deus. Certamente, os discípulos recordaram das palavras de Jesus: “Onde um ou dois estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles”. Naquele dia da Ascensão eles compreenderam profundamente estas palavras: em qualquer parte da terra, em qualquer época, a qualquer hora, quando se reúnem um ou mais discípulos dos Senhor, Ele está no meio deles. Por isso o momento é de alegria. Nenhum discípulo jamais estará sozinho e jamais poderá separar-se de Jesus. Esta é nossa alegria hoje: sempre que nos reunimos em comunidade o Ressuscitado está conosco para iluminar e fortalecer nossa missão.

Os apóstolos de ontem e de hoje são os mensageiros de uma Palavra que atinge o ser humano no centro de sua vida. O Evangelho, confiado à Igreja, nos dá uma resposta definitiva: se acreditamos, seremos salvos, se não acreditamos, seremos condenados. Através da fé recebemos a vida nova. Que todos nós nos empenhemos realmente no anúncio do Reino e na construção de um mundo melhor para todos.

Hoje (16/05) a Igreja celebra também o Dia Mundial das Comunicações Sociais com o tema “Vinde ver – Comunicar encontrando as pessoas como e onde estão”. Também nos unimos às Igrejas cristãs na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos: “Permanecei no meu amor e produzireis muitos frutos. Unidos podemos ser promotores da paz”.

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo de Toledo