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O Paraná perde um dos maiores líderes do fomento alimentar; Dr. Pedrinho Antônio Furlan.

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Morreu aos 88 anos em Toledo Paraná, Dr Pedrinho Antônio Furlan. Ele estava internado há dias e veio a óbito nessa manhã de domingo. Ele será velado na Catedral Cristo Rei a partir das 13h e seu sepultamento será na segunda-feira, 12 às 10h.   

Uma trajetória de respeito:

A primeira e desafiadora missão do dr. Pedrinho Antonio Furlan na função de diretor Administrativo do então Grupo Sadia e da então Companhia Brasileira de Frigoríficos (Frigobrás/Sadia), unidade de Toledo, foi estreitar e consolidar as relações da empresa com o poder público municipal, em benefício de ambas as partes, da população e da economia local e regional.

O então prefeito de Toledo era o saudoso médico dr. Avelino Campagnolo, e o então diretor comercial da empresa, Orestes Perotto. Eles se conheciam há muitos anos, desde quando residiam em Concórdia, mas disputas políticas e pessoais prejudicaram suas relações pessoais e profissionais em Toledo.

O problema é que o distanciamento estava prejudicando o projeto de expansão da empresa e o próprio município, pois ambos pareciam irredutíveis e não separavam assuntos e sentimentos pessoais, de interesses e anseios coletivos. Era, portanto, necessário buscar a superação do impasse.

Perotto, segundo amigos da época, havia herdado o hábito de falar alto e até mesmo gritar em determinadas discussões, do então diretor Comercial da Sadia Concórdia, Anselmo Fontana, sobrinho de Attílio Fontana. Como Perotto era diretor comercial da unidade, suas relações eram muito próximas e decisões conjuntas tinham que ser tomadas quase que diariamente.

Conta dr. Pedrinho, que Anselmo, era pessoa muita correta mas  quando não conseguia convencer colegas de seus pontos de vista , tinha a estratégia curiosa para impor “no grito” suas vontades ou decisões.

“Em minha modesta e inaproveitável opinião, acho que tem de ser assim e assim será”, dizia em tom elevado, pondo fim a debates ou alegações, sem que ninguém ousasse contestá-lo.

Anselmo, Vítor e Mário Fontana eram filhos de Onório Fontana, irmão do empresário Attílio Fontana, fundador e presidente da então Sadia. Nos cargos que Anselmo e Perotto ocupavam, eram os principais responsáveis pelo fechamento de negócios da empresa, especialmente na definição de valores e condições para a compra de suínos, milho e trigo, para as unidades industriais de Concórdia.

Nessa época, os produtos da Sadia eram transportados de caminhão até São Paulo e o dr. Pedrinho cursava o 2º grau no Colégio Liceu Pauster, na capital paulista, e lembra que Santo Campagnolo, pai do dr. Avelino, residia em Concórdia, onde era agricultor bem sucedido, produtor integrado da Sadia e um dos principais apoiadores políticos de Attílio Fontana.

Graças à essa confiança, o líder empresarial e político conseguiu espaço para o então jovem Avelino no Hotel Boff, de outro amigo, onde prestava serviços em troca da hospedagem, que necessitava para estudar na cidade.

Assim dr. Avelino cursou o ginásio noturno no educandário da Campanha Nacional de Escolas Gratuitas (CNEG), depois Campanha Nacional de Escolas da Comunidade (CNEC), e concluiu o 2º grau em estabelecimento de Erechim, no Rio Grande do Sul, para em seguida ingressar no curso de medicina, na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. Depois de formado, fixou residência em Toledo, onde já morava sua família.

Em sua trajetória pessoal, dr. Pedrinho cursou direito em São Paulo e depois de comandar a Sadia – Transporte Aéreos e atuar no setor jurídico da empresa, foi chamado por Attílio Fontana e depois de conhecer melhor os desafios que enfrentaria em Toledo, aceitou a tarefa, apostando em sua personalidade conciliadora, relações pessoais e conhecimentos profissionais.

Tanto que foi até o 3º patrão do Centro de Tradições Gaúchas (CTG), Fronteira da Querência, de Concórdia. Já como advogado, formado em 1956, tinha consciência que no mundo e nas relações humanas, nada se resolve definitivamente pela intransigência ou pela força e é preciso respeitar as opiniões divergentes, usando argumentos convincentes para defender suas posições.

Foi no ano de 1966, quando dr. Avelino era prefeito de Toledo e seu velho conhecido Orestes Perotto, então diretor Comercial da unidade da Sadia, tinham se tornado oponentes radicais em questões políticas e administrativas. Tanto que Perotto passou a integrar o grupo político de Toledo adversário do dr. Avelino.

A situação chegou ao ponto em que o prefeito utilizava seu programa semanal na Rádio Guaçu AM, de sua propriedade, nas tardes de sábado, para criticar Perotto e até falar mal da Sadia, sob o argumento de defender os interesses de agricultores e trabalhadores da cidade e região.

Em sua reação, Perotto boicotava o poder público municipal e o dr. Avelino deixava de apoiar as grandes aspirações da Sadia, como melhoria de serviços essenciais para a ampliação de seus negócios em Toledo, como energia elétrica e telefonia moderna.

Diante do impasse e temor de comprometimento do projeto da empresa para o Oeste do Paraná, restavam duas alternativas. A primeira, sugerida por algumas lideranças, seria a transferência da sede da unidade para outra cidade, onde a suinocultura tivesse potenciais semelhantes, o que seria relativamente fácil, diante da pequena estrutura até então instalada.

A outra saída encontrar um meio de superar o impasse com o então prefeito dr. Avelino, através de negociações coordenadas por pessoa habilitada e de sua confiança, que era a preferida por Attílio Fontana, até por ser amigo pessoal de Santo Campagnolo, há muitos anos.

Como surgiu a possibilidade de propor tarefa à pessoa certa, como era o dr. Pedrinho, que entre outras qualidades, tinha fama de negociador hábil, além de competente profissional do direito e da busca de acordos favoráveis às partes envolvidas.

Além disso, dr. Pedrinho conhecia como poucos o projeto da Sadia e a história da Família Campagnolo, o que facilitaria a sua missão. Sabia, por exemplo, que a meta da empresa era elevar o abate de 80 para 200 suínos por dia em Toledo imediatamente, mas para isso necessitava de fornecimento de energia elétrica suficiente e telefonia confiável.

Para atingir esse objetivo, a Sadia já estava até introduzindo suínos da raça Duroc, também conhecidos como animais tipo carne, entre criadores integrados interessado em investir na suinocultura de corte.

Os criadores que aceitavam substituir matrizes e reprodutores de suínos tipo banha pelos Duroc, recebiam animais e assistência técnica da empresa.

A missão de buscar acordo com o então prefeito de Toledo foi assumida pelo dr. Pedrinho, que conhecia o dr. Avelino e teria argumentos e conhecimentos para negociar a conciliação, pois ela seria positiva para ambas as partes, ou seja, para a Sadia e o município de Toledo. Assim, em 1966, dr. Pedrinho foi indicado como diretor das unidades de Toledo, Paranaguá e São Paulo.

Veio para Toledo e munido de muita paciência, conhecimento, tranqüilidade e autoridade para iniciar e encaminhar as negociações com dr. Avelino, tratou logo de iniciar as conversações na Prefeitura, enfrentando e resolvendo aos poucos as dificuldades iniciais.

Apesar de conhecer bem o novo interlocutor, o então prefeito não parecia disposto a negociar com a urgência necessária, mas o dr. Pedrinho administrou a situação e encaminhou a solução almejada.

Conhecendo a história do impasse e a personalidade dos envolvidos, ele sabia que o problema não seria resolvido de uma hora para outra e teria de esperar o momento certo para avançar em cada etapa da negociação.

Demorou, mas começou a ser recebido, apesar de ser ouvido com aparente desconfiança, aproveitando a oportunidade para relatar a dimensão dos projetos da Sadia para Toledo e região, beneficiando os agricultores, os trabalhadores, os consumidores, a economia e o próprio poder público.

Perotto até havia tentado demonstrar esse compromisso da empresa com a comunidade, mandando plantar árvores em ruas da cidade, mas ainda assim não conseguia avançar na tentativa de obter o apoio do prefeito nas questões da energia elétrica e telefonia.

Diante da dimensão do desafio do entendimento, dr. Pedrinho buscou aliados, entre os quais o então vereador José Hermeto Kuhn, então presidente da Câmara Municipal. Ele foi até convidado a viajar de avião até Concórdia, em Santa Catarina, para conhecer melhor a Sadia e seus projetos de expansão, ainda mais que também era agricultor e produtor integrado da empresa.

Avançando nas negociações, dr. Pedrinho convidou a recebeu visitas de dirigentes da Copel e da então Telecomunicações do Paraná (Telepar) em diversas oportunidades, para que conhecessem a cidade, a empresa e seu potencial de desenvolvimento.

Os visitantes foram levados por ele à Prefeitura, onde, juntamente com o dr. Pedrinho, utilizaram seu conhecimento, comprometimento e capacidade de persuasão, para começar a reverter a situação.

Na época, a Prefeitura havia construído a pequena usina hidrelétrica Carlos Mathias Becker, no Rio São Francisco e projetava mais duas unidades em Novo Sobradinho e em Novo Sarandi, mas mesmo que todas fossem colocadas em operação, não seriam capazes de abastecer a cidade e a demanda da indústria.

Na oportunidade, o então governador Nei Braga havia criado a Companhia de Desenvolvimento do Paraná (Codepar), depois transformada em Banco de Desenvolvimento do Estado do Paraná (Badep), para financiar e estimular a industrialização do Estado e era fundamental aproveitar o programa para expandir as atividades da empresa.

Dr. Pedrinho lembra que a energia gerada pela usina da Prefeitura de Toledo não era suficiente sequer para o funcionamento de compressor de ar frio para a conservação de produtos da Sadia, como presunto, lingüiça e salsicha, que eram depois levados aos grandes centros consumidores.     

Todas essas novas realidades eram levadas ao dr. Avelino, até que ele aceitou conversar sobre tais assuntos, encaminhar negociações e firmar parcerias, mesmo que somente na base do “fio de bigode”.

Dr. Pedrinho, graças à sua competência e dedicação, assumia cada vez maior liderança na comunidade, participando da criação de instituições como Rotary Clube, Clube de Caça Pesca e educandários, o que elevou sua capacidade de convencimento da importância da parceria da Prefeitura com a Sadia, pelo bem da economia e da população de Toledo e região.

Dessa forma, ao mesmo tempo em que a Sadia construía 12 casas na Rua dr. Olavo Rigon para novos funcionários, especialmente técnicos, para a ampliação de suas atividades, dr. Pedrinho conseguiu finalmente convencer o dr. Avelino a aceitar  apoiar a vinda da Copel e da Telepar para Toledo, mediante determinadas condições, mas todas razoáveis.

Aceitou até assinar documentos autorizando a exploração da geração e distribuição de energia elétrica pela Copel e do serviço de telefonia pela Telepar em Toledo, desde que só fossem encaminhados às autoridades depois que deixasse o comando da administração, para que a população não julgasse que havia mudado de opinião sobre o assunto, por alguma razão condenável.

  Sem divulgar ou comemorar o feito, dr. Pedrinho levou os documentos até Curitiba, onde os repassou às autoridades e dirigentes das empresas estatais, para a tomada das primeiras providências para a concretização dos projetos, no menor prazo possível.

Graças à essas medidas importantes, embora discretas, a Copel ainda antes do pleito de 1968, quando seria eleito o novo prefeito de Toledo e dr. Avelino deixaria o cargo, já havia depositado equipamentos, como fios e postes de concreto, para a instalação de subestação de energia elétrica na cidade.

Dr. Avelino, recordou dr. Pedrinho, apesar desse desentendimento temporário, teve sua contribuição para o desenvolvimento de Toledo e da empresa, reconhecida desde aquela época. Entre suas ações destacadas, esteve o saldo positivo com que deixou as contas da Prefeitura, o que demonstrou a seriedade, competência e lisura de sua administração.

“Se Toledo é hoje um arranha céu do desenvolvimento, foi porque muitos administradores fizeram sua parte erguendo pilares e paredes e fazendo os acabamentos de cada etapa da construção, mas não podemos esquecer que as bases dessa edificação, sólidas e resistentes, foram também obras do dr. Avelino”, relatou o dr. Pedrinho.   

Missão Toledo

         A viagem do dr. Pedrinho Antônio Furlan e sua família de Concórdia, em Santa Catarina, até Toledo, no Oeste do Paraná, onde fixou residência em 1966, se estendeu por 28 horas consecutivas, de muito desconforto e preocupação, mas também de muita esperança de nova vida na “terra prometida”. 

O veículo utilizado por ele, a esposa Moema e os então quatro filhos, foi Kombi Volkswagen, nova, de cor verde, com cortinas nas janelas e espaços para colocação de malas entre os bancos, além de colchonete, para viagem mais confortável da então filha caçula Neusa (Neneca), de quatro meses de idade.

O percurso, de cerca de 480 quilômetros, incluiu estradas de chão, com muitos aclives, declives, curvas e atoleiros, que exigiram diversas vezes o socorro de tratores de agricultores próximos, para sua transposição.

Sabendo das condições precárias das estradas, muitos dos proprietários de terras próximas, nos dias chuvosos permaneciam de plantão para socorrer os viajantes em dificuldades e ganhar algum dinheiro extra.

         A mudança da família veio em caminhão, alguns dias depois, após a melhoria do tempo e até sua chegada, a família permaneceu hospedada no Hotel Leduc, pertencente à dona Emília Leduc Beal, esposa de Olivo Beal, na Avenida Maripá, esquina com a Rua Barão do Rio Branco, onde estão posto de combustíveis e hotel.

         A hospedagem se estendeu por uma semana e após a chegada da mudança, a família se instalou, ainda que provisoriamente, em casa com apenas dois quartos, cedida pela própria dona Emília, onde hoje está o Hospital Bom Jesus.

         Dr, Pedrinho conhecia a Família Leduc há muitos anos, desde quando dona Emília residia em Joaçaba, Santa Catarina, então localidade conhecida como Cruzeiro do Sul, onde possuía cinema e bar.

“Lembro muito bem que ia ao cinema e pagava o ingresso com patacão de 40 réis e recebia como troco um picolé e duas balas. Era como se fosse uma segunda mãe”, recorda dr. Pedrinho.

         Em Toledo, a Família Leduc, incluindo dona Gisela, que emprestou seu nome ao Jardim Gisela, possuía, além de hotel, prédio na Rua Barão do Rio Branco, esquina com o Largo São Vicente de Paulo, até hoje utilizado por diversas empresas, além de apartamentos residenciais.

         Como na cidade não existia casa disponível para alugar e abrigar o casal e os quatro filhos, logo que assumiu suas funções de diretor da unidade de então Sadia, dr. Pedrinho contou com outra moradia cedida por dona Emília Beal, próxima à atual sede da Fundação Educacional de Toledo (Funet), ao lado da então residência de Vítor Beal.

         A família ali permaneceu até que dr. Pedrinho adquiriu chácara ainda em área rural de Toledo, na atual Avenida Cirne Lima, onde o depois presidente da Associação Esportiva e Cultural Ouro e Prata, Niulton Pegoraro, como mestre de obras, construiu a primeira etapa da residência. Dr. Pedrinho conheceu Pegoraro quando assumiu a condição de técnico da equipe de futebol da entidade. O casal e alguns filhos moram até os dias atuais no imóvel

         Como o imóvel não havia sido incluída na área urbana do município, mesmo morando na chácara, dr, Pedrinho pagou Imposto Territorial Rural (ITR), da propriedade por mais quatro anos, quando o espaço foi integrado á cidade e então passou a recolher o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

         A área urbana de Toledo, naquela época, se restringia ao espaço abaixo do Cemitério Municipal Cristo Rei, na Avenida Maripá, pois a população era muito pequena, considerando o atual número de habitantes, especialmente na cidade.

Segundo o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1960 a população total de Toledo era de 24.959 habitantes, dos quais apenas 5.926 residiam na sede do município. Em 1970, os habitantes somavam 68.885, mas apenas 14.986 moravam na cidade.

 Com a família bem instalada e desenvolvendo suas tarefas na então unidade da Sadia, dr. Pedrinho, matriculou os filhos maiores, com sete, seis e cinco anos de idade, inicialmente no então Ginásio Imaculado Coração de Maria (Incomar), atual Colégio Incomar, e depois no Colégio La Salle, para a freqüência no ensino fundamental ou básico.

O comércio da cidade, segundo dr. Pedrinho, na época se resumia a dois estabelecimentos, que eram o Empório Toledo, na Rua Barão do Rio Branco, esquina com a Rua Sete de Setembro, e a Comercial Ivo Welter, na Rua Piratini, esquina com a Avenida Tiradentes, onde a população encontrava desde alimentos, até utensílios domésticos, ferramentas e tecidos, entre outros.

Na cidade, segundo dr. Pedrinho, não havia uma só via asfaltada e a exceção era pequeno trecho da Rua Setembro, que havia recebido calçamento com pedras irregulares, o que dificultava muito o trânsito de veículos e até mesmo de pessoas, sem falar na poeira e/ou no barro, que geravam muitas reclamações das donas de casa.

No final dos anos 60, a unidade de então Sadia, ainda denominada Frigorífico Pioneiro, abatia somente 80 suínos por dia e alguns bovinos, devido à deficiência do abastecimento de energia elétrica e falta de comunicação telefônica, para a colocação da carne e derivados em outros centros consumidores.

 Para isso, contava apenas com a energia de 600 KWA, transmitida em linha direta desde a Usina Carlos Mathias Becker, no Rio São Francisco, até a sede da indústria, o que impedia qualquer projeto de expansão de suas atividades. Isso que a linha direta foi importante avanço, determinado pelo então prefeito Egon Pudell.

Para minimizar o problema, a empresa obteve do então governador Paulo Pimentel, a cessão, sem ônus, de gerador de energia com capacidade de 500 KMA, movido por motor alimentado por óleo diesel, que antes funcionava na cidade de Palmeira, no Centro-Sul do Estado, e ajudava no abastecimento de Curitiba, que acabara de receber nova e potente usina hidrelétrica.

Para trazer o pesado equipamento até Toledo foi necessário utilizar novo e potente caminhão FNM, movido a diesel, mas o esforço foi logo recompensado, pois a indústria pode elevar o abate para 200 suínos por dia, além de operar fábrica de ração e espaço para estocagem de carne e derivados, contando com isolamento do calor improvisado com casca de arroz.

Graças a esse recurso, os produtos se mantinham conservados e podiam ser transportados em caminhões com isolamento isotérmico, que mantinha a temperatura, em viagens que duravam dois dias ou mais, desde que com tempo bom, durante todo o ano, até São Paulo e outros grandes centros consumidores.

Os veículos transitavam por rotas conhecidas como “caminhos expressos”, e eram dirigidos por apenas um motorista em todo o percurso. Em sua maioria transportavam salgados ou derivados da carne suína, como lingüiça e salsicha, mas havia também o transporte de banha pronta para consumo, que tinha entre seus operadores o ex-deputado estadual, ex-prefeito e ex-vereador Duílio Genari.

A produção se manteve estável enquanto a indústria contava apenas com a energia fornecida pela Usina Carlos Mathias Becker e o gerador cedido pelo Governo do Estado, que operava 24 horas por dia, mas era insuficiente para atender aos moradores da cidade e empresas locais.

O problema só foi resolvido definitivamente com a chegada da energia da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), através de linha inicial que partia de Cascavel e era abastecida por usina de Chopinzinho.

O curioso é que dr. Pedrinho, mesmo depois de haver recebido convite de Attílio Fontana, fundador da então Sadia, poderia não ter vindo para Toledo, pois já exercia cargo diretivo em Concórdia e surgiu concorrente para ocupar a função no Oeste do Paraná.

Era o engenheiro civil Raul Mena Barreto Reis, genro de Attílio Fontana, pois era casado com Terezinha Fontana, filha do segundo casamento do fundador da empresa. Ele viria na condição de técnico, o que seria muito importante para a elaboração e execução de projetos de expansão e diversificação das atividades da indústria.

Na competição, prevaleceram os conhecimentos e a personalidade de negociador de dr. Pedrinho, pois era necessário buscar entendimento com o então prefeito dr. Avelino Campagnolo, visando a formação de parceria com o poder público, indispensável para o crescimento da unidade da empresa.

Além disso, na época foi criada a Companhia de Desenvolvimento do Paraná (Codepar), pelo Governo do Estado, mais tarde transformada em Banco de Desenvolvimento do Paraná (Badep), com a finalidade de estimular e financiar a industrialização de cidades do interior, visando a transformação de matérias-primas e agregação de valor à produção primária.

Textos – Jornalista Luiz Alberto Costa. – Colaboração – Escritor Bruno Randunz

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Edição nº2810 – 24/02/2026

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