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O agronegócio e os muitos problemas do escoamento da produção

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Foto: assessoria

   Dilceu Sperafico*

O Brasil, para nosso orgulho e satisfação e o bem-estar de produtores e consumidores de todo o País e boa parte do mundo, continua batendo recordes anuais de produção, transformação e exportação de alimentos.

Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a safra de cereais, leguminosas e oleaginosas do País em 2025 deve somar 325,7 milhões de toneladas, com alta de 9,4% ou 32,9 milhões de toneladas a mais do que em 2024. O acréscimo da produção deve-se à maior estimativa prevista para a soja, de 15,4% ou 22.347.519 toneladas; o milho 1ª safra de 9,3% ou 2.124.233 toneladas; o milho 2ª safra de 4,1% ou 3.736.047 toneladas; o arroz, de 8,1% ou 856.065 toneladas; o trigo de 4,8% ou 360.657 toneladas; e o feijão 1ª safra, de 30,9% ou 276.071 toneladas.

Nossa preocupação, portanto, não está no volume, qualidade, diversidade e sustentabilidade da produção, mas no fato de quanto mais grãos o Brasil produz, mais cresce sua dependência do transporte rodoviário, que é mais caro, envolve maiores riscos e não atende as necessidades do agronegócio, consumidores e exportadores. Além disso com rodovias construídas há 50 anos, frota muito maior e caminhões com enorme capacidade de carga. Para quem não sabe, 54,2% da produção agropecuária do País são escoados por caminhões para empresas de beneficiamento, comércio, tradings e portos. Em 2010, essa participação era de 44,7%. Ocorre que a dependência gera custos adicionais para produtores e eleva preços de alimentos para consumidores.

Com a falta de armazéns e alternativas, a produção vai para a estrada mais rápido, concentrando o fluxo e aumentando atrasos. Embora tenham construído armazéns próprios, muitos produtores ainda dependem de cerealistas, cuja capacidade é insuficiente para atender ao ritmo da colheita. No caso do transporte, o governo anunciou no dia 29 de janeiro a liberação de 6,38 bilhões de reais para triplicação da BR-277 no litoral do Paraná, a duplicação de 350 km de rodovias e mais obras do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Conforme especialistas, o

Brasil vem conseguindo manter sua competitividade no mercado internacional de alimentos e matérias-primas, mas enfrenta gargalos que limitam seu potencial. A dependência rodoviária não é o único desafio, na verdade. O déficit de armazenagem nas propriedades e áreas produtivas e o acesso restrito a terminais de agroindústrias e portos de exportação, também comprometem a eficiência, com caminhões aguardando em filas para descarga.

Com isso, a escassez de caminhões eleva valores dos fretes, que subiram de 15% a 20% em 2024. O cenário é agravado por fatores externos, como a desvalorização do real, tensões geopolíticas e o aumento do preço do petróleo. Com o diesel representando 50% do custo do transporte rodoviário, o ano de 2025 será desafiador para o transporte do agronegócio e comércio de alimentos. Nos últimos 13 anos, enquanto o transporte rodoviário cresceu expressivamente no País, as ferrovias tiveram aumento tímido e representaram apenas 2,46% das operações. No mesmo período, as exportações de soja mais que triplicaram, enquanto dos 30 mil km de malha ferroviária, apenas um terço está em uso. A distância média de 600 a 700 km entre propriedades, indústrias, portos e terminais ferroviários é um dos principais entraves, exigindo mais investimentos públicos e incentivos ao setor privado.

*O autor é deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado

E-mail: dilceu.joao@uol.com.br

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