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O agronegócio brasileiro foi atração especial e avanço positivo da COP30

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(Foto: Agência Progressistas)

                   Dilceu Sperafico*

Entre os poucos resultados efetivos da Conferência do Clima das Nações Unidas (COP30), de 10 a 21 de novembro de 2025, em Belém, no Estado do Pará, conhecida como a COP da Amazônia, esteve a exposição  de verdadeiros números do agronegócio brasileiro na produção de alimentos e preservação ambiental. A Pré-COP havia corrido em Brasília no mês de outubro e a Cúpula dos Chefes de Estado aconteceu em Belém, entre os dias seis e sete de novembro e em todos os eventos a mostra dos dados do agronegócio e sua contribuição para o desenvolvimento econômico brasileiro e a alimentação da população de muitos países, desmontaram boa parte do discurso ambientalista radical e ideológico. Na prática, a COP30, com participação de 42 mil pessoas, entre governantes, lideranças, cientistas e cidadãos de mais de 190 de países, acabou deixando como legado a realidade da Floresta Amazônica, o seu enorme potencial, sua realidade e o que tem de mais grandioso e contraditório, como já destacavam os líderes do agronegócio nacional e amazônico.  

Carlos Xavier, presidente da Federação de Agricultura do Estado do Pará (Faepa), afirmou que “o Pará tem situação diferenciada do mundo, com 30% do território antropizado, estabilidade climática, com temperaturas médias de 26°C e preservando 3,2% da água doce do mundo”. Para especialistas, é quase irônico que tamanha abundância positiva conviva com carências profundas de clima favorável, mas não é possível ignorar esses contrastes. Conforme Vinícius Borba, advogado e presidente da Associação dos Produtores Rurais da Amazônia (Apria), “o Pará é Estado rico e pobre ao mesmo tempo”. Provas disso são abandono da capital, com apenas 12% de saneamento básico, problemas acumulados, infraestrutura insuficiente e população descontente, mas ainda assim lutadora e trabalhadora, com calor humano tão intenso como o amazônico, que se tornaram manchetes internacionais, enquanto o potencial agroambiental, que poderia ter brilhado, ficou em segundo plano, mais uma vez.

Felizmente informações do setor produtivo brasileiro ganharam corredores, telões e microfones da COP30 desde o primeiro dia e derrubaram discursos negativos do ambientalismo. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresentou dados atualizados de atribuição, ocupação e uso das terras no Brasil. mostrando que 65,6% do território do País continua preservado. Além disso, 29% dessas áreas de natureza preservada estão em propriedades de produtores rurais. No bioma Amazônia, 83,7% do território estão preservados e o uso agropecuário das terras fica em apenas 14,1%, sendo 12,1% com pastagens e 2% ocupados com lavouras. Já as Unidades de Conservação, Terras Indígenas e áreas militares totalizam 34,9%. Outras grandes parcelas são de áreas registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), como dedicadas à preservação dentro dos imóveis rurais, que ocupam 27,4%. Na prática, a COP30 terminou sem acordo sobre combustíveis fósseis, dentro do impasse do financiamento climático. Ainda bem que pela primeira vez na história das COPs, o agronegócio ganhou espaço do tamanho de sua importância, como a AgriZone. Idealizado pela Embrapa, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e Sistema Senar, o espaço recebeu líderes nacionais e internacionais, que apreciaram a realidade positiva da tropicalização da agricultura na Amazônia, como referência para o mundo todo.

*O autor é deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado

E-mail: dilceu.joao@uol.com.br

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