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O agronegócio brasileiro e a conquista da independência do País

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 Dilceu Sperafico*

Pelo menos na produção, transformação e exportação de alimentos de qualidade, diversidade e sustentabilidade, o Brasil já consolidou a sua independência, tanto na oferta de produtos para o abastecimento da sua população, como nas relações e/ou disputas com concorrentes do setor no comércio internacional.

Prova disso é que o cientista indiano Rattan Lai, radicado nos Estados Unidos e um dos laureados com o Prêmio Nobel da Paz em 2007 e o Prêmio Mundial da Alimentação em 2020, propôs recentemente que o Programa de Agricultura de Baixo Carbono (ABC), do Brasil, seja declarado modelo mundial, especialmente para países pobres e/ou em desenvolvimento, no desafio de produzir bens de consumo em abundancia e preservar os recursos naturais.

         Com juros baixos, o Programa ABC financia recuperação de pastagens degradadas, plantio direto e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), entre outras práticas conservacionistas, que comprovadamente reduzem emissões de gases de efeito estufa. Somente na savana africana, segundo o pesquisador, há 193 milhões de hectares de pastagens e 54 milhões de terras agrícolas que poderiam ser beneficiados pela moderna tecnologia agropecuária tropical brasileira, devido às similaridades dos biomas.

         Para o cientista indiano, o sucesso do programa ABC precisa ser traduzido, entendido, extrapolado e ampliado para países em desenvolvimento ao redor de todo o mundo. Segundo ele, os resultados obtidos no Cerrado são exemplos do que pode ser feito na África. As afirmações foram feitas por Rattan Lai na 78.ª Semana Oficial de Engenharia e Agronomia (SOEA), em Gramado, no Rio Grande do Sul, em agosto último.

Afirmando ser otimista em relação ao futuro, disse entender que o Brasil não deve se apostar em agricultura rotulada como de carbono neutro. “A meta é emissão negativa e enviamos documento para formuladores da Farm Bill dos Estados Unidos, no qual defendemos o pagamento de 50 dólares por acre por ano pela adoção de tecnologias conservacionistas que sequestram carbono no solo. Esperamos que o Brasil seja premiado pelo seu programa”, acrescentou o cientista.

         O pesquisador, que é professor de Ciências do Solo da Ohio State University, destacou que a agricultura é acusada, seja no Brasil, na Índia ou qualquer outro país do mundo, como atividade poluidora. Para ele, é preciso mudar essas percepções ou crenças das pessoas de que a agropecuária é problema ambiental. Essa tarefa, envolve comunicação e educação, para mostrar à população urbana, especialmente, que a agricultura é absolutamente fundamental, como fonte de alimentação de toda a humanidade, consumidas três vezes ao dia.

Para isso, é preciso assegurar que a agropecuária tenha perfil de produzir mais, com menos. Menos terra, menos água, menos energia, menos emissão de gases de efeito estufa, menos poluição, menos perda de biodiversidade, o que comprovadamente é possível. Se forem adotadas melhores práticas, é possível poupar áreas da natureza, sem reduzir a produção de alimentos.

De cinco bilhões de hectares dedicados à agricultura atualmente no mundo, a área cultivada poderia ser reduzida pela metade, sem redução da produção agropecuária, se fossem adotadas práticas e/ou técnicas mais avançadas, como já acontece no Brasil, com o Programa ABC, no Cerrado, com grandes vantagens para o bioma, os produtores, os consumidores e a preservação ambiental.

*O autor é deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado

E-mail: dilceu.joao@uol.com.br

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