*Zé Mário Schreiner

O agronegócio brasileiro, em especial o goiano, comemorará a semana da independência do Brasil hasteando a bandeira do país nas propriedades rurais. Mas ao longo da história a “bandeira” do patriotismo está sempre evidente no dia a dia do campo. Só amando muito a terra, a pátria, para ter forças para se manter num trabalho de tamanha importância para o desenvolvimento do Brasil.

Mais do que uma ação isolada, esse movimento é oportuno quando se busca observar a importância do agronegócio para o nosso país. A magnitude deste setor rompe a fronteira numérica quando se conclui que mesmo diante de uma pandemia, que forçou a grande maioria dos brasileiros a ficarem em casa, as cadeias produtivas agropecuárias continuaram seu trabalho impedindo que houvesse desabastecimento e, principalmente, colaboraram para que os dados econômicos não fossem tão negativos, com se viu em outros países.

Quando observamos o movimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro temos uma visão ainda mais clara de como o agro se torna importante no contexto atual que passamos. No segundo trimestre de 2020, o PIB da agropecuária registrou um avanço de 0,4%, sendo o único dos grandes setores a registrar saldo positivo no período (Industria teve queda de 12,3% e serviços de 9,7%).

No que tange ao comercio internacional, considerando apenas os meses de abril a junho, meses em que grande parte da população brasileira passou isolada em suas casas devido ao coronavírus, o superávit da balança comercial brasileira foi de US$ 18,8 bilhões. Nesse mesmo período, apenas os produtos do agronegócio apresentaram saldo positivo de US$ 27,4 bilhões. Assim, caso o agro não tivesse mantido suas atividades, o resultado do comercio internacional brasileiro seria negativo em mais de US$ 10 bilhões.

Mais do que números, a semana da pátria é uma boa oportunidade para lembrar que o setor produtivo rural foi o único que gerou novos postos de trabalho nos primeiros meses de 2020. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), a produção agropecuária, registrou entre os meses de janeiro e junho de 2020 mais de 62 mil novos postos de trabalho, enquanto os dados nacionais considerando todos os setores registraram uma retração de 1,2 milhões de empregos.

No entanto, não são apenas os dados econômicos que retratam a colaboração do nosso agro com país. Não podemos deixar de citar que o Brasil pratica a agropecuária que mais preserva o meio ambiente no mundo. O solo brasileiro totaliza 8,5 milhões de quilômetros quadrados, e mesmo sendo grande parte desse território agricultável, somente 65 milhões de hectares ou 7,6% da área total está cultivada com a produção agrícola, de acordo com a Embrapa.

Mais de dois terços da terra brasileira são áreas de preservação e 20% desta estão dentro das propriedades rurais. Porém, o dado que mais comprova o compromisso brasileiro de desenvolver uma agricultura sustentável, são os dados que retratam como se deu o crescimento da produção de cereais, fibras e oleaginosas no país. Nos últimos 40 anos, a produção destes produtos avançou 400% e a área plantada teve uma expansão de apenas 60%. Este crescimento baseado na produtividade foi responsável pela economia de mais de 140 milhões de hectares.

Dados como PIB, exportação, geração de empregos e preservação ambiental retratam um pouco de como o nosso agronegócio tem contribuído de forma significativa para o país. E nesse sentido, na semana da pátria, “O Agro que Sustenta o Brasil Mostra sua Bandeira”. Nas propriedades rurais, o verde e amarelo estão em porteiras, árvores, telhados e em mastros que podem ser vistos de longe. O produtor rural mais uma vez declara seu amor pela terra, além do trabalho diário, com gestos de orgulho por ser brasileiro e por ser goiano.

*Presidente do Sistema Faeg Senar e deputado federal

Fonte: FPA (Frente Parlamentar Agropecuária)