Da Redação
Internada com fratura no tornozelo, Aline aguardou cirurgia por mais de uma semana e precisou ser encaminhada para Assis Chateaubriand; hospital enfrenta críticas desde a inauguração
A falta de materiais básicos para cirurgias ortopédicas no Hospital Regional de Toledo (HRT) levou uma paciente a permanecer internada por oito dias sem realizar o procedimento necessário. Diante da situação, ela foi transferida para outro município em busca de atendimento.
A paciente Aline, que autorizou a divulgação do primeiro nome, fraturou o tornozelo na terça-feira, 3. Inicialmente, ficou três dias no Mini-Hospital – Pronto Atendimento Municipal (PAM) Doutor Jorge Milton Nunes e, na sexta-feira, 6, às 5h20 da manhã, foi transferida para o Hospital Regional de Toledo com a expectativa de realizar a cirurgia.
Mas, segundo ela, o procedimento não aconteceu por falta de insumos.
“O ortopedista me atendeu, mas infelizmente o hospital está sem os parafusinhos e a placa que vão ser usados no meu pé. Eu preciso fazer a cirurgia e não tem o material”, relata.
Aline afirma que não é um caso isolado.
“Não sou só eu. São várias pessoas dependendo desses parafusos, dessas placas. E o hospital não tem. Isso é uma vergonha.”
Durante a internação, ela aguardou por cinco dias no Regional sem previsão concreta de cirurgia. O tempo foi passando e a resposta, segundo ela, era sempre a mesma: o material não havia chegado.
“Hoje (terça-feira, 10) está com oito dias que estou internada. E não é de agora que falta material. Já faz dias que não chega. A gente fica aqui até quando nessa situação?”
Transferência para Assis
Na manhã desta quarta-feira (11), Aline recebeu a confirmação de que seria transferida para Assis Chateaubriand, onde conseguiu vaga hospitalar.
“Saiu minha vaga. Hoje à tarde (quarta-feira) estou indo para Assis. Conseguiram leito para mim lá. Se Deus quiser, provavelmente amanhã faço a cirurgia.”
Apesar do encaminhamento, ela diz que o sentimento é de revolta.
“Nós precisamos de uma voz aqui. Muitas pessoas não têm coragem de denunciar. A questão da ortopedia aqui está um caos.”
Críticas à gestão e à estrutura
A paciente questiona como um hospital recém-inaugurado, com estrutura considerada moderna, pode enfrentar a falta de itens básicos.
“Um hospital que não tem nem três anos que foi aberto, com essa hiperestrutura toda… e não tem o básico. É um pouco caso com a comunidade.”
Ela também relata que ouviu de profissionais sobre atrasos nos pagamentos.
“Os ortopedistas não recebem pagamento. E o que acontece? A pessoa se quebra, precisa de uma placa, de um pino, e não tem. Por que em outros hospitais tem e aqui no nosso regional não?”
Aline ainda faz um apelo às autoridades municipais e à empresa responsável pela gestão da unidade.
“Essa empresa que está tocando isso aqui precisa dar um prazo, precisa se mexer. As autoridades têm que tomar iniciativa. Vai esperar até quando?”
Segundo ela, muitos pacientes têm medo de falar.
“Muita gente não denuncia porque tem medo. Mas não pode continuar assim.”
Histórico de dificuldades
O Hospital Regional de Toledo foi inaugurado em outubro de 2023 com a proposta de ampliar cirurgias eletivas e atendimentos de média e alta complexidade na região Oeste do Paraná, ajudando a desafogar outros hospitais da região.
Desde então, no entanto, a unidade enfrenta questionamentos sobre modelo de gestão, equilíbrio financeiro e manutenção de serviços. Reuniões entre poder público, Ministério Público e gestores já foram realizadas para discutir o funcionamento da unidade.
Agora, o caso de Aline reacende o debate sobre a falta de insumos e a capacidade operacional do hospital.
“É revoltante. Uma cidade rica como Toledo passando por isso. Alguém precisa tomar providência”, finaliza.
A reportagem deixa espaço aberto para manifestação da direção do Hospital Regional, da entidade gestora e das autoridades municipais e estaduais responsáveis pela unidade.





