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Milho avança com baixo risco de geadas, enquanto exportações de feijão caem no Paraná

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Foto: divulgação

Boletim do Deral aponta que 81% das lavouras de milho estão em boas condições e a colheita da segunda safra ganha ritmo. Já as exportações de feijão recuaram no Estado devido à redução da demanda internacional pelo feijão-preto

O Boletim Conjuntural desta semana apresenta um panorama atualizado do agronegócio paranaense, reunindo as principais dinâmicas do campo, a evolução dos preços e os movimentos do comércio exterior. Na fruticultura, a citricultura segue como o principal segmento, respondendo por 39,3% do setor, com destaque para a laranja, que movimenta R$ 1,3 bilhão, e o morango, com R$ 726,4 milhões em Valor Bruto da Produção (VBP).

No mercado externo, as exportações paranaenses de feijão recuaram na contramão do desempenho nacional. Como o Paraná é o principal polo produtor de feijão-preto, o setor foi impactado pela redução da demanda por essa variedade, enquanto os embarques de feijão-mungo-preto seguem em trajetória de crescimento.

No campo, a colheita da segunda safra de milho 2025/26 avança sob baixo risco de geadas, com previsão de retorno do tempo firme no fim de semana, o que deve acelerar os trabalhos. Atualmente, 81% das lavouras apresentam boas condições.

Na pecuária, o preço médio do leite pago ao produtor atingiu R$ 2,74 por litro em julho, alta de 1,5%, refletindo no varejo, especialmente devido ao aumento no preço da muçarela.

A fruticultura reafirma sua importância ao movimentar R$ 4,3 bilhões em Valor Bruto da Produção (VBP). Apesar da queda de 21% no volume exportado no primeiro semestre, o Paraná mantém a terceira posição nacional, beneficiado pelo aumento de 9,4% no preço médio dos produtos. No cenário internacional, o setor enfrenta incertezas regulatórias na União Europeia, mas conta com o alívio tarifário e a isenção para o mel orgânico nos Estados Unidos.

Já a peruicultura consolida forte expansão em 2026, impulsionada pelo crescimento de 130,3% na receita cambial brasileira, com o Paraná ocupando a terceira posição entre os maiores exportadores, favorecido pelo aumento da demanda mexicana.

MILHO

A previsão do Simepar para os próximos 14 dias indica que as principais regiões produtoras de milho do Paraná deverão registrar temperaturas mínimas superiores a 10°C. Caso esse cenário se confirme, o risco de ocorrência de geadas com potencial para causar danos às lavouras será reduzido.

Nesta semana, da área ainda não colhida, 84% das lavouras encontram-se em fase de maturação, estágio em que já não apresentam riscos relacionados às baixas temperaturas. Os 16% restantes estão em fase de frutificação e permanecem suscetíveis a eventuais geadas.

O relatório semanal do Deral aponta que a colheita da segunda safra de milho 2025/26 se aproxima de um terço da área cultivada. Até o momento, os trabalhos alcançaram 29% dos 2,91 milhões de hectares plantados no Estado.

A previsão meteorológica indica ocorrência de chuvas nas principais regiões produtoras ao longo desta semana, com retorno do tempo firme a partir do fim de semana, favorecendo a intensificação da colheita. Dos pouco mais de 2 milhões de hectares ainda no campo, 81% das lavouras apresentam boas condições, 13% condição regular e 6% condição ruim.

Foto: Gilson Abreu/Arquivo AEN

FEIJÃO

Na contramão do cenário nacional, as exportações de feijão do Paraná caíram de 33,7 mil para 11,8 mil toneladas na comparação entre o primeiro semestre de 2026 e o mesmo período de 2025.

Em todo o Brasil, por outro lado, os embarques alcançaram 149,3 mil toneladas entre janeiro e junho, alta de 10% em relação às 135,4 mil toneladas registradas no ano anterior.

Essa diferença é explicada, principalmente, pelas variedades exportadas em cada região. O feijão-mungo-preto (seco) registrou aumento de 27,2 mil toneladas, totalizando 78,2 mil toneladas no semestre. O desempenho foi impulsionado pelo Mato Grosso, líder nacional na produção da variedade, que mantém um mercado consolidado junto à Índia.

Em contrapartida, as exportações de feijão-preto (seco) recuaram 22,6 mil toneladas, passando de 38,8 mil para 16,1 mil toneladas no período. A retração afetou diretamente o Paraná, principal produtor dessa variedade no país.

A queda nas exportações paranaenses foi provocada, sobretudo, pela redução das compras de Portugal e da Guatemala. Esses países haviam substituído, ainda que parcialmente, os mercados do México e da Venezuela, que anteriormente absorviam parte significativa da produção paranaense.

No sentido inverso, as importações brasileiras de feijão cresceram no primeiro semestre, passando de 4,9 mil para 22,3 mil toneladas na comparação entre 2025 e 2026. Desse total, mais de 20 mil toneladas ingressaram no país pelo Paraná, com origem na Argentina.

Embora o volume importado permaneça abaixo dos níveis registrados na década passada, o aumento foi suficiente para tornar negativo o saldo da balança comercial do produto no Estado, mesmo com o valor médio da tonelada exportada pelo Paraná permanecendo superior ao do feijão importado.

Fonte: Seab

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