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Meu filho estava morte e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado

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Neste domingo (27/03) nos encontramos no centro da Quaresma e também no centro do Evangelho de Lucas. É o Domingo da Alegria porque estamos cada vez mais próximos da salvação. O capítulo 15 revela o amor misericordioso do Pai através de três parábolas: a ovelha perdida, a moeda perdida e a parábola do filho pródigo. Deus sai à busca do perdido.

O Evangelho de hoje narra uma maravilhosa história de amor de um pai diante do egoísmo e rancores dos filhos. Não podemos deixar de lado a introdução do texto que apresenta os pecadores aproximando-se Jesus para ouvi-lo e a reação dos judeus que murmuram e reprovam a acolhida de Jesus. Dois filhos, duas atitudes diferentes. O pai dá unidade e faz a ponte entre os dois.

Lucas apresenta um complexo estudo de interação entre liberdade, dever e amor. O filho mais novo quer ser livre e decide romper com o pai. O filho mais velho, ao contrário, encarna o dever. Ele serve ao pai sem reclamar e não pede nada como recompensa. Ele não se sente filho: é amargurado e ciumento. Somente o pai encarna o amor e é nele que a liberdade e o dever atingem seu verdadeiro propósito.

É fácil identificar o filho mais novo como o vilão. Seu pedido de herança antecipada revela insolência. Ele está dizendo que seu pai vale mais para ele morto do que vivo. Seu desrespeito se manifesta novamente quando ele desperdiça a riqueza de sua família. Sua escolha de retornar ao pai também é interesseira. Ele retorna porque está com fome e reconhece o sofrimento que passou devido às suas ações, mas revela pouco entendimento da dor que causou aos outros. Sua liberdade o isola, causa-lhe sofrimento e faz os outros sofrerem.

O filho mais velho também se isolou pelo seu senso de dever. Ele nunca reclamou, porém, calado, guardou ressentimento. Sua obediência não é um sinal de amor. Ele faz o que é certo como uma maneira de ganhar e manter a aprovação de seu pai. O retorno de seu irmão mais novo revela a inutilidade deste projeto quando ele vê seu irmão receber, sem esforço nenhum, o que ele lutou tanto para alcançar. Sozinho ele sofre.

Os dois filhos estão perdidos, presos no próprio egoísmo. Somente na atitude de amor do pai conseguirá aproximar e dar sentido à liberdade e ao dever. O pai revela sua liberdade de apegos quando atende ao pedido do filho mais novo. Quando o filho mais novo retorna, a liberdade do pai lhe permite perdoar tudo e receber o filho de volta.

Jesus oferece esta parábola para ilustrar a alegria de Deus no retorno de um filho perdido e de todo pecador que se converte.  A conversa com o filho mais velho é um convite para entrar na festa da gratuidade, abandonar a lógica do julgamento e se reconhecer filho e irmão. Acolher a misericórdia, estar perto do pecador porque ele sempre será um irmão e reconstruir relações novas e fraternas.

Não sabemos qual foi a resposta do irmão mais velho: se entrou na festa ou se afastou indignado. Cada um de nós pode dar a sua resposta. A atitude do pai manifesta a sua alegria: “Meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado. É isto que importa”.

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo de Toledo

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Edição nº2811 – 02/03/2026

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