Douglas Rocha, Coordenador Comercial Key Account AGCO. Foto: Divulgação

*Por Douglas Rocha

As máquinas agrícolas estão cada vez mais tecnológicas. Com investimentos em pesquisa e desenvolvimento, o campo se tornou um ambiente de inovação, permitindo que sucessivos recordes de safra sejam alcançados, aliando produtividade e sustentabilidade. Transformadas à semelhança de uma típica linha industrial, as lavouras modernas trazem consigo preocupações que vão além da produção, e, assim como em fábricas, questões relacionadas à prevenção de acidentes e à manutenção programada também devem compor o dia a dia do produtor.

O uso inadequado e o estado de conservação dos equipamentos contribuem para os acidentes em campo, e os incêndios estão entre as consequências mais frequentes. As máquinas agrícolas contêm material inflamável que, submetido a condições climáticas adversas, como calor intenso, vento e períodos de longa estiagem, aumenta a probabilidade de ocorrências.

Em colheitadeira de grãos e colhedoras de cana, por exemplo, a combinação de materiais combustíveis – presente nas frentes de colheitas e nas próprias colhedoras (palha, óleo diesel, óleo hidráulico) -, associada às diversas fontes de ignição disponíveis (alta temperatura das tubulações e do motor, curtos-circuitos em cabos elétricos, atritos de partes metálicas), proporciona um ambiente altamente propício a incêndios. Os prejuízos causados pelo fogo podem ir além dos econômicos e colocar em risco a vida de quem está no campo.

Contudo, a redução dessas possibilidades passa por ações preventivas a partir de uma boa limpeza ainda durante os intervalos da operação na lavoura. A limpeza a seco é uma constante e deve sempre fazer parte do dia-a-dia de quem trabalha com equipamentos no campo. Usando equipamentos de EPIs (Equipamento de Proteção Individual), dentre eles touca, óculos e perneira, e com ajuda de ferramentas adequadas, como espátulas e ganchos, o operador deve realizar a limpeza de colhedoras, tratores e transbordo circulando ao redor da máquina, retirando os detritos visíveis, como palhas, folhas, palmitos, ponteiras, pedaços de canas e matos.

Além disso, dentro do planejamento de colheita, existem as manutenções programadas e a obrigatoriedade diária não somente da limpeza, mas também da lavagem da máquina – não se deve utilizar nenhum produto químico no processo de lavagem, porém, se algum líquido for utilizado, deverá ser neutro, sem impactos ao meio ambiente. Outro ponto indispensável é o registro das datas de quando as limpezas acontecem.

Mais prevenção

Para mitigar o risco de incêndio é indispensável também que as máquinas sejam submetidas às manutenções programadas. Os fabricantes, como a AGCO, das marcas Fendt, Massey Ferguson e Valtra, estão atentos às necessidades de ajustes e adaptações que cada operação requer, com apoio de engenheiros especializados no produto.

É verdade que às máquinas, mais modernas e tecnológicas, contam com recursos que alertam para possíveis problemas, porém, ainda que o operador tenha amplo conhecimento do equipamento, é fundamental estar atento a qualquer sinal de anormalidade. Além das medidas destacadas anteriormente, mais práticas preventivas são recomendadas:

  • Realizar os reparos necessários;
  • Repor peças de acordo com as recomendações do fabricante;
  • Estar atento ao painel de classificação de riscos, que gerencia preventivamente os riscos de incêndio em uma escala de 1 a 5 (de risco “reduzido” a “máximo”);
  • Dispor na operação de campo de Termohigroanemometro, um triângulo de emergência, parâmetro para classificação dos riscos de incêndios agrícolas;
  • Ter termômetro digital com mira laser;
  • Contar com a presença de veículos-pipa, principalmente em dias mais quentes;
  • Acerar os locais do pátio de transferência de carga, área de vivencia, estacionamento fixo dos veículos e os locais onde as máquinas/equipamentos permanecerem parados, além das estradas e dos carreadores;
  • Instalar kit contra princípios de incêndios disponível no mercado e de preferência com acionamento automático;
  • Diante de um princípio de incêndio, contatar o veículo-pipa e a brigada de incêndio, e, quando possível, recolher os equipamentos. Em situações de alto risco, acionar imediatamente Programa de Atendimento Mútuo Emergencial (PAME).

O longo período de estiagem e as geadas, com queima da vegetação, pastos, diversas culturas e amplas áreas de canas, estão fazendo de 2021 um ano atípico, o que amplifica os riscos de incêndios. É necessário, portanto, diante de um cenário adverso, redobrar a atenção em relação aos cuidados preventivos, à limpeza correta das máquinas e seguir à risca a manutenção programada recomendada pelos fabricantes.

*Douglas Rocha é Coordenador Comercial Key Account AGCO