Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Fonte de dados meteorológicos: Wettervorschau 30 tage
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Kit propina: a piada acabou

h

Facebook
WhatsApp
LinkedIn

Durante meses, o caso foi tratado como “gravação fora de contexto”, “armação”, “teatro político”, “tempestade em copo d’água”.
Teve vereador rindo. Teve ironia sobre “300 virarem parque”. Teve discurso inflamado contra o Ministério Público. Teve até quem tratasse a Polícia Federal como personagem de ficção. Mas agora o jogo virou. O Ministério Público apresentou suas alegações finais. E não veio leve.

A conta fechou

O que antes era “áudio duvidoso” virou peça central da acusação.
O MP sustentou que a gravação é lícita, preservada e confirmada pelos próprios envolvidos. A frase “divide por sete” deixou de ser folclore político e virou elemento de convicção. Quando a piada encontra a perícia, o riso costuma diminuir.

O parque de 300 mil

Durante semanas tentaram transformar os R$ 300 mil em obra pública.
Reforma aqui, orçamento ali, estimativa acolá. O problema? Segundo o próprio processo, não havia documento formal que comprovasse o tal orçamento antes da reunião. Curioso como o valor só ganhou “função social” depois que veio a denúncia. Milagre contábil.

A gaveta mais famosa de Toledo

Se a conversa era republicana, por que esconder os celulares?
Se era debate público, por que o medo de “grampo”?

O MP foi direto: quem teme a Polícia Federal não está discutindo revitalização de parque. A tal gaveta virou personagem do processo. E gaveta, em política, costuma guardar mais do que papel.

Do arquivamento à indignação

Outro detalhe que chama atenção:
Depois da reunião e da negativa do empresário, o projeto começou a enfrentar resistência nas comissões.

Coincidência? Estratégia? Retaliação? A promotoria sugere que não era fiscalização. Era pressão.

Criar dificuldade para vender facilidade é um velho método.
Só não é exatamente moderno do ponto de vista jurídico.

A piada virou pedido de condenação

O Ministério Público pediu:

  • 10 anos para um.
  • 7 anos para outro.
  • Perda de mandato.
  • Suspensão de direitos políticos.

De “narrativa fantasiosa” passou a risco real de cadeia. A ironia agora mudou de lado.

A política não perdoa vídeo e áudio

No passado, bastava negar. Hoje, há áudio. Há transcrição. Há perícia. E há memória digital.

Rir da gravação foi uma estratégia política. Responder a ela será uma estratégia jurídica. São esportes diferentes.

O Silencio ficou mais barulhento

Durante meses tentaram desmoralizar denúncia, empresário, Ministério Público e Justiça. Agora o processo caminha para sentença.

A política é palco. O Judiciário é tribunal.

No palco, vence quem fala mais alto. No tribunal, vence quem prova melhor.

E, ao que tudo indica, o enredo entrou no último ato. Sem risada de fundo.

Agora a bola está com as instituições

O Ministério Público fez a parte dele. A investigação aconteceu. A denúncia foi oferecida. As oitivas foram realizadas. As alegações finais estão na mesa.

Agora, a bola não está mais na política. Está nas varas competentes.
Está na Justiça.

E, principalmente, está no Conselho de Ética da Câmara.

Porque enquanto o processo criminal pode atravessar anos — com recursos, instâncias superiores, embargos e alongamentos previsíveis — o decoro parlamentar não depende de trânsito em julgado.

O Conselho não julga Código Penal. Julga conduta.

E os argumentos já estão postos. Os depoimentos já foram colhidos.
Os áudios já foram confirmados em juízo. O próprio Ministério Público pede perda de mandato.

O que falta? Coragem institucional.

Se a Câmara entender que houve quebra de decoro, cabe cassação.
E, cassando, chamam-se os suplentes. Simples assim. Não é vingança.
É responsabilidade.

A Justiça Criminal seguirá seu rito — e pode, sim, levar anos até decisão definitiva, porque o sistema permite recursos e mais recursos.

Mas a Câmara não precisa esperar o calendário judicial para decidir se o comportamento foi compatível com a honra do cargo.

Se o Legislativo quer preservar sua imagem, a resposta precisa ser institucional — e rápida. Porque o desgaste não é individual.

É coletivo. E, pelo que se desenha na esfera judicial, pode não parar em dois nomes. O tempo da ironia passou. Agora é o tempo das decisões. E decisão, quando é séria, não pode dormir em gaveta.

Veja também

Publicações Legais

Edição nº2810 – 24/02/2026

Cotações em tempo real