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“Jesus transfigurou-se diante deles”

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Estamos no 2º Domingo da Quaresma (28/02) e a liturgia nos propõe a passagem da transfiguração de Jesus através do evangelho de São Marcos (9,2-10). Jesus tinha acabado de anunciar sua paixão na cruz. A transfiguração quer iluminar este momento: a morte é iluminada pela ressurreição. Deus tem o poder de transfigurar a cruz, transformando-a em ressurreição e vida.

Jesus sobe à montanha com três dos seus apóstolos mais próximos e lhes possibilita uma experiência mística: manifesta-se diante deles revelando a sua íntima e profunda união com o Pai e o Pai o confirma como Filho e revelador do seu amor e o confirma na missão que deverá passar pela paixão, morte e ressurreição. Jesus, diante de seu próprio caminho e da possibilidade de sua morte, faz com que seus seguidores experimentem o seu jeito de compreender a vontade do Pai e sua total adesão a ela. Representantes do Antigo Testamento, Moisés e Elias, confirmam a missão de Jesus. Os discípulos compreendem com muita dificuldade o que está acontecendo (a compreensão plena virá na Ressurreição), de modo que não querem deixar aquele lugar: ali tudo é harmonioso, a planície é assustadora.

A transfiguração de Jesus não quer apenas revelar sua identidade e missão. Ela revela um sentido para a vida do discípulo de Jesus: o caminho da cruz também é dele, mas está orientado para a alegria da ressurreição. A transfiguração constitui um acontecimento alegre de transformação quotidiana da vida do cristão. A cruz na vida de Jesus e de seus discípulos não é o destino terrível, é a manifestação de uma sabedoria, capaz de transformar a falta de sentido da vida humana em um caminho iluminado pela ressurreição.

A transfiguração é um acontecimento vital na vida de Jesus, uma revelação provisória do seu mistério e missão para três testemunhas privilegiadas, uma antecipação da ressurreição. Uma maneira de dar forças aos seguidores para não temer o que está para acontecer: para chegar à Ressurreição será necessário passar pela Cruz. Este acontecimento também revela a Jesus que ele não está sozinho, o Pai e o Espírito Santo o acompanham sempre, por isso o Pai revela que Ele age em Jesus (“Este é o meu Filho Amado”).

Neste momento o evangelho se liga ao relato da noite de Abraão (primeira leitura), afirmando que o Deus da Bíblia é o Deus da vida. A noite escura do ser humano, a noite da dúvida e do abandono, é iluminada pela presença de Deus. Naquele momento em que se pensa que está só e abandonado, o próprio Deus se oferece como consolação e socorro. A transfiguração da noite de Abraão no caminho em direção ao Monte Moriá e no caminho de Jesus em direção a Jerusalém nos afirmam que a esperança encontra o ser humano onde ele está, no cotidiano da vida com suas dores e alegria. É um ato de fé!

A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE 2021) com o tema “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor” nos recorda “que em Cristo, a boa-nova da paz é oferecida para todas as pessoas a fim de construir uma nova humanidade que não esteja dividida, nem orientada pela violência, mas animada e alicerçada no amor, na graça de Deus e na unidade que se realiza pelo Espírito Santo” (Texto- base, nº 136). A esperança nos transfigura e nos dá a certeza de que uma humanidade nova é possível, basta acreditar: “Cristo é nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”.

Este é o nosso destino: irradiar a luz resplandecente do Cristo transfigurado, ser estrelas que irradiam sua luz e sua beleza. Por isso nos acompanha a palavra de Jesus: “Convertei-vos e crede na Boa Nova”.

D. João Carlos Seneme, css

Bispo de Toledo

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