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Itaipu leva energia renovável à Ilha da Trindade e fortalece presença brasileira no Atlântico Sul

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Chegada dos equipamentos a Trindade. Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional

Projeto integra o Programa Itaipu Mais que Energia e substitui geradores a diesel por sistema fotovoltaico híbrido em um dos territórios mais estratégicos e isolados do país

A Ilha da Trindade, lugar habitado mais remoto do Brasil e santuário da biodiversidade no Atlântico Sul, recebeu um sistema híbrido de geração de energia, com painéis fotovoltaicos, baterias de lítio e gerador de reserva. O objetivo é substituir os geradores a diesel, que são mais caros e poluentes, e exigem complexa logística de transporte do combustível fóssil, por uma fonte de energia renovável. A ilha fica a 1.160 quilômetros da costa do Espírito Santo (ES).

O investimento no projeto foi de R$ 6,8 milhões. A iniciativa é fruto do convênio “Segurança e eficiência energética em ilhas oceânicas brasileiras”, firmado entre Itaipu, Itaipu Parquetec e a Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM), da Marinha do Brasil. A operação logística foi realizada entre os dias 25 de março e 3 de abril e mobilizou cerca de 50 toneladas de equipamentos, transportados pelo navio NDCC Almirante Saboia, com apoio de um helicóptero H225M da Marinha.

Sistema é composto por baterias, gerador e painéis fotovoltaicos.

O sistema entrou em operação há pouco mais de 30 dias, de forma ininterrupta, promovendo independência energética e redução dos impactos ambientais em um território sensível e estratégico para o Brasil. Nesse período o diesel foi acionado em menos de 2% do tempo.

Transição energética e soberania nacional

A nova usina da Ilha da Trindade conta com 480 painéis solares (264 kWp), uma central de 200 kW, 48 baterias de lítio (645 kWh de capacidade) e gerador a diesel de reserva. A meta é reduzir em 90% o consumo de óleo diesel — de 60 mil para 6 mil litros por ano — e eliminar a necessidade de transporte contínuo do combustível, feito em tambores por longas viagens marítimas.

Para o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, o projeto fortalece a presença do Estado e a produção científica em uma área de grande sensibilidade ambiental. “Trindade faz parte da Amazônia Azul e cumpre um papel relevante na proteção territorial e no avanço das pesquisas científicas”, disse. “Reduzir o uso de combustível fóssil nesse território é uma contribuição concreta da Itaipu no contexto da transição energética. A iniciativa, assim como o projeto de Tunuí-Cachoeira, na Amazônia Legal, pode servir de modelo para outras regiões remotas do país.”

A presença constante da Marinha na ilha assegura ao Brasil o direito de exploração econômica da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) em um raio de 370 quilômetros (200 milhas náuticas). A instalação da usina reforça esse posicionamento estratégico, ao mesmo tempo em que amplia a infraestrutura do Posto Oceanográfico (POIT), que abriga 36 militares e pesquisadores.

Logística, operação e sustentabilidade

A operação de transporte envolveu 61 manobras aéreas verticais (VERTREPs), além de 38 pousos diretos na ilha. Os equipamentos foram içados diretamente do navio para o solo, em uma logística desafiadora conduzida pela Marinha, com apoio de Itaipu.

Durante a mesma missão, foram retiradas da ilha 10 toneladas de resíduos acumulados, utilizando a mesma aeronave de grande porte. “Essa remoção só foi possível com o uso de um helicóptero desse porte. A aeronave transportou inclusive um trator, essencial para as atividades logísticas em terra”, explicou o capitão de mar e guerra Allan de Almeida Nunes, comandante do navio.

Local é santuário da biodiversidade do Atlântico Sul.

Segundo o superintendente de Energias Renováveis da Itaipu, Rogério Meneghetti, o sistema fotovoltaico foi projetado para garantir autonomia energética com segurança. “O excedente de energia é armazenado e utilizado à noite ou em dias nublados. Em casos excepcionais, o gerador entra em funcionamento para preservar a integridade do sistema.” Ainda segundo Meneghetti, a capacidade das placas equivale ao consumo médio de 200 residências de porte médio.

Eficiência energética e apoio à ciência

A usina integra um projeto mais amplo de eficiência energética. Além da geração renovável, estão sendo implementadas melhorias como substituição de chuveiros elétricos por aquecimento solar, iluminação LED e automação de sistemas internos da ilha.

Para o capitão de mar e guerra Rogério Rezende de Souza, “a parceria com Itaipu amplia a capacidade de permanência da equipe na ilha com menor impacto ambiental e maior eficiência no uso dos recursos energéticos”.

A base abriga também a Estação Científica da Ilha da Trindade (ECIT), por onde já passaram mais de 1,5 mil pesquisadores. Para o oceanógrafo Guilherme Dutra, do Instituto Trindade, a substituição do diesel é um passo fundamental. “A ilha está entre as últimas grandes áreas remotas do Atlântico Sul ainda preservadas. Reduzir os impactos é essencial para garantir a continuidade das pesquisas”, destacou Dutra.

Equipe da Marinha responsável pelo transporte dos equipamentos.

Biodiversidade e potencial científico

A Ilha da Trindade é o maior ponto de desova da tartaruga-verde no Brasil e o segundo da América do Sul. Também abriga espécies endêmicas, como o caranguejo “John”, além de vegetações únicas, como a floresta de samambaias gigantes.

Segundo o pesquisador Fernando da Silva de Oliveira, doutor em biotecnologia, a biodiversidade da ilha oferece enorme potencial. “Espécies endêmicas podem produzir compostos inéditos, com potencial para novos medicamentos. A conservação do ambiente é fundamental para a pesquisa científica.”

Histórico

As tratativas para o projeto começaram em 2016, com assinatura de protocolo de intenções entre Itaipu, Itaipu Parquetec e SECIRM. Em 2017, uma equipe técnica realizou o dimensionamento da demanda energética da ilha. O convênio prevê ainda intercâmbio técnico-científico em áreas como segurança cibernética, comunicações e estruturas estratégicas.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Itaipu Binacional

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Edição nº2807 – 29/01/2026

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