Hospital Universitário do Oeste do Paraná. Foto: Assessoria

Um ano marcado por mudanças em âmbito mundial. A atenção ficou praticamente voltada às ações voltadas à pandemia do novo Coronavírus e tudo que Saúde, Tecnologia e Ciência poderiam fazer para tentar amenizar os impactos causados. No Paraná foram criadas ações específicas por regiões e o Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), que integra a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) se tornou referência na macrorregião oeste, com atendimento especializado.

Novos leitos, mais profissionais, contratações, parcerias inéditas com Sociedade Civil Organizada, repasses e recursos do Governo do estado fazem parte de todo esse processo que ainda não acabou. Nós conversamos com o Diretor Geral do Hospital Universitário do Oeste do Paraná, Rafael Muniz de Oliveira que nos traz um pouco de como foi esse ano, do ponto de vista interno.

Quais foram os principais desafios em 2020 no Hospital Universitário, com relação à adaptação à pandemia?
O desafio quando assumimos a gestão foi gigantesco. Assumimos um Hospital com alguns problemas orçamentários, 4 meses de pagamentos de médicos atrasados, nosso estoque de almoxarifado duraria somente 5 dias e a gente conseguiu fazer um planejamento para adequar todas as necessidades.
Foi a partir de março que a gente enfrentou o problema da pandemia, aí os desafios aumentaram. A nossa equipe trabalhou muito unida, em um caminho só, sabíamos onde o Hospital queria chegar para se tornar referência na macrorregião oeste. O desafio posto pelo estado do Paraná foi prontamente assumido pela nossa gestão, de nos tornarmos essa referência. Foi muito planejamento e esforço individual que possibilitou atravessar esse ano.
Não nos lembramos de ter faltado medicamento, material, contratamos todas as possibilidades de servidores: enfermagem, medicina, multiprofissional, farmácia, nutrição, fonoaudiologia, psicologia. Conseguimos contratar, seja via processos seletivos simplificados em negociação com Governo do Estado, seja por chamamento público. Não podíamos deixar nossos servidores sofrendo e deixar pacientes desassistidos. Nos esforçamos o suficiente para abrir leitos de maneira responsável, tivemos apoio muito grande do nosso reitor Alexandre Webber, da sociedade Civil Organizada, repasses financeiros para equipamentos e medicamentos. Tivemos apoio massivo da Secretaria de Estado de Saúde do Paraná e da Superintendência de Ciência e Tecnologia do estado.

É possível destacar algumas ações essenciais realizadas dentro do HUOP?
Grandes parcerias se formaram envolvendo a macrorregião. São vários exemplos, a Vara Federal de Foz do Iguaçu destinou 1 mi de reais para adquirirmos equipamentos utilizados no combate à COVID-19.
Nós, em conjunto com a AMOP (Associação de Municípios do Oeste do Paraná) também conseguimos viabilizar, com a participação da ACIC (Associação Comercial e Industrial de Cascavel), Oab-Subseção Cascavel 1 mi junto à Cotriguaçu (Cooperativa Central com Sede em Cascavel), que possibilitou verba para aquisição de equipamentos, material médico hospitalar, testagem. Tudo para enfrentamento da Covid-2019. A ideia era deixar um legado, o que poderia ser deixado para região do oeste do Paraná, quando essa pandemia passasse. Um exemplo é o investimento em equipamentos, necessários há mais de 15/20 anos, como nossa Bomba de vácuo que foi feita e projetada para um Hospital de 90 leitos e hoje estava tocando 263 leitos. Foi possível executar investimento de cerca de R$ 250 mil reais nessa bomba e hoje está dimensionada para atender até 350 leitos no Hospital. Quando isso tudo passar, este legado ficará.

E os trabalhos continuam? A pandemia ainda não acabou.
Desde o final de novembro já vínhamos observando um crescimento contínuo dos casos. Sempre participamos de reuniões com Centro de Operações em Emergências (COE), Secretaria de Estado e Saúde e recebemos a sensibilização do governo do estado, da própria prefeitura de Cascavel que havia necessidade de ampliação de leitos, porque demandas de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ainda estariam por vir. Para que a gente não deixasse pacientes desassistidos, atendemos uma parceria com Governo do Estado do Paraná com a abertura de 8 novos leitos no Hospital Universitário do Oeste do Paraná, nesse fim de ano, além claro, do processo seletivo simplificado para contratar profissionais e tocar essa demanda. A Universidade Estadual do Oeste do Paraná e Hospital Universitário sempre estarão à disposição da população, seremos o alicerce na Educação Superior, na saúde da região oeste e por isso não faltaremos em necessidades, para que ninguém fique sem tratamento.

Uma mensagem para servidores da HUOP?
A minha história enquanto servidor do Hospital Universitário é antiga. Já tive um filho internado aqui, e recebeu um ótimo tratamento. Na época da Pandemia da H1N1 fui o enfermeiro designado para atender essa área, desde o início.
Mais do que nunca, desde o início da Pandemia da COVID-19 a atenção especial da direção do Hospital era para que os servidores da linha de frente tivessem a melhor qualidade de trabalho possível. Nos dedicamos continuamente para não haver falta de nada, para que trabalhassem tranquilos. Fazíamos nosso papel para que os servidores pudessem ter um trabalho adequado, evitando contaminação deles.
Construímos o laboratório do Servidor para que eles não precisassem procurar fora o atendimento. E tudo isso ressalta a importância dos servidores da saúde, administrativos e toda classe dos trabalhadores que não tiveram folga nesse ano, aqui no HUOP.
Essa é demonstração maior para mostrar como cada servidor é essencial. O HUOP não é só um prédio, por aqui a base são os hospitais que aqui trabalham. A gente precisa dedicar esse ano desgastante, a todos vocês que fizeram essa diferença. Muito obrigado!

Rafael Muniz Oliveira, diretor geral do Huop. Foto: Assessoria

Fonte: Assessoria