Da Redação
Coordenador da Patrulha Maria da Penha, Alessandro Jardel de Paula, destaca a importância da integração entre as forças de segurança e alerta que o aumento das denúncias em Toledo também pode refletir maior confiança das vítimas na rede de proteção
O enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, a ampliação das medidas de proteção e a integração entre os órgãos de segurança pública foram os principais temas discutidos no II Encontro dos Direitos Humanos, realizado nesta terça-feira (3), no Teatro Municipal de Cascavel. O evento, organizado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção de Cascavel, contou com a participação de representantes da Guarda Municipal de Toledo, entre eles Alessandro Jardel de Paula, coordenador da Patrulha Maria da Penha.
O encontro reuniu profissionais das forças de segurança, representantes do Poder Judiciário, integrantes da sociedade civil e organizações não governamentais para discutir estratégias de prevenção, acolhimento e combate à violência contra a mulher.
Para Jardel, participar do encontro representou uma oportunidade de ampliar conhecimentos e compartilhar experiências com profissionais que atuam diretamente no enfrentamento da violência doméstica.
“É uma grande satisfação termos sido convidados para participar deste importante evento. Acompanhamos palestras e relatos de pessoas que estão na linha de frente do combate à violência contra a mulher, apresentando informações, dados estatísticos e experiências que contribuem para aprimorar nosso trabalho”, destacou.
Durante as palestras, foram apresentados dados referentes ao cenário nacional, incluindo o registro de 1.571 casos de feminicídio no Brasil em 2025, conforme informações compartilhadas durante o evento. Os números reforçaram a preocupação com a persistência da violência de gênero e a necessidade de aprimorar as políticas públicas de proteção.
Aumento das denúncias em Toledo exige atenção
Um dos pontos destacados por Alessandro Jardel de Paula foi a realidade enfrentada pelo município de Toledo, onde, segundo sua avaliação, tem sido observado um aumento nas denúncias de violência doméstica, nos registros de boletins de ocorrência e nas solicitações de medidas protetivas de urgência.
Entretanto, o coordenador da Patrulha Maria da Penha ressalta que esses números precisam ser analisados com cautela, pois podem representar duas situações distintas: o crescimento efetivo da violência ou o fortalecimento da rede de proteção, que tem incentivado mais mulheres a romper o silêncio e procurar ajuda.
Na avaliação de Jardel, o trabalho de conscientização, as campanhas educativas e a atuação integrada das instituições contribuem para que as vítimas reconheçam situações de violência, conheçam seus direitos e se sintam mais seguras para denunciar.
Outro aspecto importante é a chamada cifra oculta da criminalidade, que corresponde aos episódios de violência que não chegam ao conhecimento das autoridades. Isso significa que os registros oficiais, embora fundamentais, não revelam necessariamente toda a dimensão do problema.
Integração entre as forças de segurança
O encontro também proporcionou a troca de experiências entre integrantes de Guardas Municipais, Polícia Militar, Poder Judiciário e demais instituições envolvidas no atendimento às vítimas.
Para Jardel, essa aproximação é fundamental para aprimorar os procedimentos operacionais, compartilhar estratégias de prevenção e fortalecer a atuação da Patrulha Maria da Penha em Toledo.
“É importante debater esse assunto diante do crescimento da violência em nossas cidades. Toledo esteve presente mais uma vez e levaremos uma grande bagagem de conhecimentos e informações para compartilhar com os servidores do nosso município”, afirmou.
As experiências apresentadas durante o evento reforçaram a importância de um atendimento humanizado, da capacitação permanente dos profissionais e do acompanhamento das mulheres que já possuem medidas protetivas.

Combate à violência é responsabilidade de todos
Uma das reflexões apresentadas durante o encontro chamou especialmente a atenção do coordenador da Patrulha Maria da Penha.
“Quando o assunto é violência contra a mulher, não sejamos apenas telespectadores, sejamos agentes de transformação”, destacou uma das palestrantes.
A mensagem, ressaltada por Jardel, reforça que o enfrentamento da violência doméstica não depende exclusivamente da atuação policial ou judicial, mas exige o envolvimento de toda a sociedade.
Familiares, vizinhos, profissionais e instituições também desempenham papel importante na identificação de situações de violência, no acolhimento das vítimas e na orientação sobre os canais de denúncia.
Patrulha Maria da Penha fortalece atuação em Toledo
A participação no II Encontro dos Direitos Humanos contribuiu para ampliar conhecimentos e fortalecer as ações desenvolvidas pela Guarda Municipal de Toledo, especialmente por meio da Patrulha Maria da Penha.
Segundo Alessandro Jardel de Paula, o enfrentamento à violência contra a mulher exige ações permanentes de prevenção, orientação, acolhimento e acompanhamento das vítimas, além de uma atuação articulada entre os diferentes órgãos da rede de proteção.
O coordenador também enfatizou que o conhecimento adquirido será compartilhado com os demais integrantes da corporação, buscando padronizar e qualificar o atendimento prestado às vítimas.
“Queremos levar essas informações para capacitar nossos servidores, para que toda a corporação possa falar a mesma linguagem e saiba atender adequadamente essa mulher, que muitas vezes está em um momento de extrema vulnerabilidade e precisa de apoio”, ressaltou Jardel.
Ele também agradeceu o convite e a oportunidade de representar Toledo no encontro.
“Toledo, mais uma vez, agradece pelo convite e pela oportunidade de participar de um evento tão importante para o fortalecimento do nosso trabalho”, concluiu.
O coordenador reforça que combater a violência doméstica vai muito além de atender uma ocorrência policial. É necessário trabalhar para impedir que novas agressões aconteçam e assegurar que as mulheres encontrem apoio e segurança para romper o ciclo da violência.
A principal mensagem do encontro é que a proteção das mulheres deve ser um compromisso permanente das instituições e de toda a sociedade, para que nenhuma vítima seja obrigada a enfrentar a violência em silêncio.





