Em Toledo, a inversão de valores segue em plena atividade.
Quem grava para se proteger vira “má pessoa”.
Quem, segundo a denúncia, pede dinheiro para destravar projeto, tenta posar de fiscal exemplar.
No centro do caso que já entrou para a história recente da política local, está o empresário e advogado Dr. Alieve — que fez exatamente o oposto do que o sistema esperava: não aceitou a barganha, documentou os fatos, lavrou ata notarial em cartório, deu fé pública às provas e levou tudo às autoridades.
O material chegou ao Ministério Público, que o convocou. E aí veio a parte que desmonta qualquer tese de armação:
ele confirmou integralmente o conteúdo, não recuou um centímetro e ainda provocou o MP a ir até o fim.
Gente que arma farsa costuma fugir. Quem tem prova, enfrenta.
O projeto estava regular. O problema era outro.
Convém lembrar um detalhe que os acusados tentam empurrar para debaixo do tapete:
o projeto em questão já estava tecnicamente aprovado tanto pelo município quanto ao órgão ambiental competente, o IAT. O que restava era mero trâmite legislativo de avanço administrativo.
Ou seja: não havia ilegalidade, não havia impedimento técnico, não havia urgência ambiental. Havia apenas um projeto parado — convenientemente parado. E não por acaso, nas mãos do relator.
Quando o relator pergunta por que a lei não andou
Aqui, a própria fala do vereador se encarrega de incriminá-lo. Em conversa com um eleitor e leitor da Gazeta, ele questiona:
“Por que essa lei não foi aprovada em 2024, se entrou em outubro? Uma lei se aprova em 30 dias.”
Excelente pergunta. Só esqueceu de completar a frase com a resposta óbvia: Porque quem segurou foi ele.
Simples assim. Quem é relator controla o tempo, o parecer e a tramitação. Projeto não cria raiz sozinho. Alguém o segura.
E em política, segurar projeto não é falha administrativa. É instrumento de pressão.
O pedido “impossível” que nunca foi público
Tentando desqualificar a denúncia, o vereador ainda lança mão de um argumento quase infantil: “Quem, em sã consciência, faria um pedido desses na frente de cinco vereadores, inclusive da oposição?”
A resposta é simples: ninguém. E justamente por isso o pedido não foi feito em público. Segundo a denúncia formalizada, a conversa ocorreu a portas fechadas, dentro da sala da Presidência da Câmara, longe de sessão, longe de microfones, longe da oposição. Ou alguém acredita seriamente que trezentos mil reais seriam “divididos” em plenário, como se fosse coleta solidária?
Não se trata de burrice. Trata-se de método.
POR FIM – MP NÃO DEU TREGUA – DEU 48H
1. Preliminarmente, intime-se a Defesa para que se manifeste sobre o pedido formulado pelo Ministério Público do Estado do Paraná (mov. 180.1 e 101.1, fl. 4, item “4”).
Prazo: 48h (quarenta e oito horas).
Considerando a proximidade do ato, determino que a Secretaria realize a intimação dos procuradores via contato telefônico, certificando nos autos.
2. Após voltem, com anotação de urgência.
Ciência ao Ministério Público. – Intimações e diligências necessárias.
A conversão tardia da vereadora dº ‘M’
Curioso o zelo repentino da nada nobre edila do MDB pelos servidores.
Quando comandava demandas da gestão passada e tinha a caneta na mão, não moveu uma vírgula para garantir direitos.
Agora, fora dos cargos, sem comando no sindicato, sem protagonismo político e reduzida a um voto no plenário, surge como guardiã da moral e da legalidade e dos servidores.
Lei não é opinião de plenário
Questionar honorários e sucumbência do advogado que venceu a causa é mais que retórica: é desconhecimento jurídico.
Honorários são direito assegurado em lei, inclusive para advogados com vínculo fixo. Transformar gosto pessoal em “interpretação legal” não muda o Código — só expõe confusão e, creio que a OAB não venha gostar. Será que os advogados que a edila consultou só entendem de carimbos com figurinhas infantis?
Parceria seletiva
A vereadora se diz parceira dos servidores, mas apenas quando o resultado não passa por suas mãos. Quando o acordo sai, incomoda.
Quando resolve um erro que o ex-prefeito prometeu corrigir e não corrigiu, vira alvo. No fundo, o problema nunca foi o acordo — foi não assinar embaixo. Como não tiveram inteligência coletiva, a não ser pelos membros da “bolha”
O incômodo verdadeiro
Não foi a urgência. Não foi o percentual. Foi a solução.
E, principalmente, o fato de ela não estar no centro dela.
Zanetti e o “kit propina”

No próximo sábado, no Gente & Poder, recebo o vereador Dr. Marcos Zanetti. Vai falar do mandato, dos bastidores e, claro, encarar o assunto que ninguém consegue enterrar em Toledo: o polêmico caso do “kit propina”, um dos episódios mais comentados da história recente do Legislativo.
Trânsito, elétricos e lei nova

Também participa Edesio Richter, do IPM – Instituto Pessoas Melhores, trazendo o movimento “Eu paro para pedestres” e o debate sobre a nova fase da educação no trânsito.
No centro da pauta: as novas regras para motos, bicicletas e patinetes elétricos, com base na Resolução 996/2023 do Contran, que deve mudar a fiscalização e a rotina nas ruas.





