Teremos a passagem de mais duas frentes frias até o final de outubro, que junto com corredor de umidade e áreas de instabilidade trarão de volta os temporais pelo Sul do país nesses dias que se seguem. A começar já nesta quarta-feira, 26, pelo Rio Grande do Sul, com vendaval, queda de granizo e acumulados pontualmente elevados.
Mas, o grande destaque é a forte onda de frio que está prevista no início de novembro para a metade do sul do país. O frio mais intenso será no dia 02 de novembro, com temperaturas que podem ser negativas, em especial na serra e planalto catarinense e na serra gaúcha.

Previsão de temperatura mínima para o dia 02 de novembro de 2022.Fonte:Climatempo
Pois, a frente fria passa na região, e com seu ciclone extratropical na costa da Região Sul, trazendo a umidade constante do mar para o continente, e os fortes correntes de vento, chamadas de jato, somada a entrada de uma forte onda de frio.

Modelo Norte Americano indicando neve para o dia 01 de novembro de 2022 em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Fonte: Climatempo/ Global Forecast System.
Motivo do frio tardio no país
A explicação para esse frio fora de época, tem relação sim com o fenômeno La Niña (que atua pelo terceiro ano consecutivo), que ajuda nas ocorrências do frio tardio pelo Brasil , além do aquecimento global ou mudanças climáticas, onde o planeta terra tenta entrar em equilíbrio, o que contribui a ter frios extremos, em curto período, distribuídos pelo planeta, e da influência da Oscilação Antártica (AAO) que ficará negativa no final de outubro ajudando na volta das instabilidades pelo sul, trazendo a frente fria e o ar frio, e positiva no início de novembro, ajudando a manter o frio presente nessa faixa da região.
E com essa transição da fase Oscilação da Antártica (AAO), negativa possibilitando a entrada da frente fria no final de outubro, e depois a fase positiva da AAO nos dias iniciais de novembro, justificam a entrada do ar mais frio na região. E segundo estudos de onda de frio, nas duas fases podem ocorrer a onda de frio, com a negativa dando o gatilho para a passagem de frente fria, com sua massa de ar frio na retaguarda, e a fase positiva AAO auxilando também na probabilidade maior do frio extremo sobre latitudes médias da América do Sul.

Dados observados e previstos da Oscilação da Antártica (AAO). Fonte: NOAA.
E ainda está se especulando se a da fumaça do Vulcão Tonga pode ter mexido na circulação na estratosfera, quando ajudou no resfriamento da mesma no início do ano. Mas, agora está mais quente em parte da estratosfera e recentemente a Oscilação Quase-Bienal (QBO) está de oeste, na fase positiva.
Assim, quando a Oscilação Quase-Bienal (QBO) é positivo (+), com ventos de oeste, com um ar mais quente (temperatura mais alta) na estratosfera há um afundamento acelerado, assim aumenta a intensidade dos jatos e trazer frios intensos, e onde chover, pelo país, também traz fortes chuvas.
Ou seja, a Oscilação Quase-Bienal (QBO) interfere na ocorrência do Ozônio, e a QBO são ventos na estratosfera, que muda de leste ao oeste na faixa equatorial. Cada fase da QBO dura em torno de 2 anos, entre 18 e 36 meses, em média 28 meses, e na fase negativa, os ventos na estratosfera é de leste, onde ficou desde 2021 a meados de 2022, nos últimos meses. E isso acarreta em uma baixa atividade solar. Porém, agora, como mencionado está na fase positiva, e ajuda na intensificação dos jatos e do frio também.

Temperatura na estratosfera e fase da Oscilação Quase-Bienal (QBO). Fonte: NASA
Fonte: Clima Tempo
Fabiene Casamento





