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Foi dada a largada.

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A eleição de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos em Toledo, e, pelo menos no papel, a cidade volta a apresentar uma quantidade expressiva de nomes dispostos a disputar espaço na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Mas entre colocar o nome na urna e construir uma candidatura competitiva existe uma distância considerável — e ela será medida por votos, estrutura, alianças, capacidade financeira e, principalmente, pela força eleitoral construída fora de Toledo.

Na eleição para deputado federal, o cenário ainda é aberto. Dilceu Sperafico e Elton Welter chegam à disputa carregando a experiência de mandatos na Câmara. Sperafico é deputado federal em exercício e busca a continuidade de uma trajetória que já acumula décadas de atuação política; Welter também ocupa cadeira na Câmara e possui atuação parlamentar registrada em 2026.

Entre os demais nomes, uma candidatura que merece atenção é a de Marcelo da Rosa, o Solitário. Em 2022, ele alcançou 8.018 votos sem conseguir a eleição e, desde então, manteve uma presença pública associada principalmente às ações sociais e às pautas de caminhoneiros, agricultores e comércio.

É justamente aí que pode estar uma das incógnitas desta eleição. Solitário não parte de uma estrutura política tradicional, mas construiu reconhecimento em diferentes municípios por meio de ações sociais. O desafio agora é transformar essa notoriedade em voto eleitoral, algo que não é automático. A experiência de 2022 mostra que ele já possui uma base, mas 2026 exigirá uma ampliação significativa desse eleitorado.

Outro fator que pode alterar a fotografia da disputa é a entrada de novas candidaturas, como a de Ademar Dorfschmidt, que anunciou pré-candidatura a deputado federal em abril e chega com experiência de três mandatos como vereador, passagem pela vice-prefeitura e 27.316 votos obtidos na eleição para deputado estadual de 2022.

Portanto, mais do que contar quantos candidatos Toledo terá, a pergunta será outra: quantos conseguirão transformar candidatura em competitividade regional? E essa resposta só começará a aparecer quando as campanhas saírem do anúncio e entrarem, de fato, na disputa pelos votos.

O eleitorado de Toledo já mostrou, em 2022, que consegue concentrar votos em determinadas candidaturas. Naquele pleito, Sperafico foi eleito deputado federal, enquanto Welter terminou como primeiro suplente e posteriormente assumiu o mandato. Solitário ficou com 8.018 votos no município.

A eleição de 2026, portanto, não será apenas uma disputa de nomes. Será uma disputa de estruturas, territórios e capacidade de sobrevivência eleitoral.

E, como sempre acontece em política, muita coisa ainda pode mudar até outubro.

Se na disputa federal Toledo já possui representantes com mandato e experiência, na eleição para deputado estadual o cenário é diferente.

A cidade busca novamente uma cadeira própria na Assembleia Legislativa do Paraná depois de anos sem eleger diretamente um representante.

Dois nomes aparecem hoje com trajetórias políticas distintas e capacidade de mobilização: Natan Sperafico e Beto Lunitti.

Natan Sperafico possui uma experiência anterior na Assembleia. Em 2022, assumiu temporariamente uma cadeira no Legislativo estadual durante a licença da deputada Maria Victoria. A própria Assembleia registra sua passagem pelo mandato naquele período. Em julho deste ano, sua candidatura a deputado estadual foi aprovada pelo Progressistas.

Natan também chega com uma estrutura política familiar consolidada e com o apoio de Dilceu Sperafico, que disputa novamente uma vaga na Câmara Federal. Sua campanha deverá explorar especialmente a experiência parlamentar, a defesa do agronegócio e a representação regional.

Do outro lado está Beto Lunitti. Ex-prefeito de Toledo por dois mandatos, ex-presidente da Amop e ex-assessor regional da Casa Civil, ele confirmou sua pré-candidatura à Assembleia e vem apresentando como uma de suas principais bandeiras a necessidade de Toledo recuperar representação direta em Curitiba.

O problema — e ao mesmo tempo a oportunidade — para ambos é o mesmo: Toledo sozinho pode não ser suficiente.

Uma candidatura competitiva para deputado estadual precisa transformar a força local em votos regionais. Lunitti parte de uma trajetória construída no município e terá de ampliar sua votação para outras cidades. Natan, por sua vez, também precisará consolidar uma rede regional capaz de transformar a experiência e a estrutura política em votos.

É uma eleição em que a majoritária também poderá pesar. A composição das chapas, os apoios ao Governo do Estado, as alianças partidárias e a capacidade de cada candidato de construir uma votação fora de Toledo serão determinantes.

O que está em jogo, portanto, não é apenas quem vencerá a disputa entre os nomes locais. É se Toledo conseguirá, finalmente, voltar a ocupar uma cadeira efetiva na Assembleia Legislativa.

E desta vez a disputa promete ser bem mais interessante do que simplesmente contar candidatos.

Há uma coisa que a eleição de 2026 já deixou clara: Toledo não terá falta de candidatos. O que ainda não está claro é quantos deles chegarão vivos à reta final da disputa.

E essa diferença é importante.

A política eleitoral não se resume a lançar candidatura. É preciso ter partido, nominata, estrutura, recursos, alianças, presença regional e capacidade de transformar lembrança em voto. Por isso, o número de candidatos anunciado no início da caminhada raramente corresponde ao número de candidaturas realmente competitivas quando chega a hora da urna.

Na disputa federal, Toledo já tem uma fotografia interessante: Dilceu Sperafico e Elton Welter possuem mandato em Brasília, enquanto nomes como Solitário e Ademar Dorfschmidt buscam construir uma alternativa eleitoral. Sperafico e Welter têm experiência parlamentar; Solitário aposta no capital construído com ações sociais; e Ademar retorna ao cenário estadual/federal depois de uma trajetória consolidada na política municipal.

Na disputa estadual, Natan Sperafico e Beto Lunitti aparecem como nomes que já demonstraram disposição de enfrentar uma eleição regional. Natan tem passagem pela Assembleia e candidatura aprovada pelo Progressistas; Lunitti aposta na experiência administrativa e na articulação regional construída durante sua trajetória política.

O curioso é que, independentemente de quem vencer, Toledo poderá sair desta eleição com uma nova configuração política.

Se eleger representantes para Brasília e Curitiba, a cidade ganha força institucional. Se concentrar votos em poucas candidaturas, poderá aumentar suas chances de eleger nomes locais. Se pulverizar excessivamente o eleitorado, corre o risco de repetir velhos capítulos da política regional: muitos candidatos, muitos votos espalhados e pouca representação efetiva.

E existe ainda um detalhe que nenhum candidato pode ignorar: 2028 já está no horizonte.

Para alguns, 2026 será uma eleição para conquistar mandato. Para outros, poderá ser o primeiro movimento de uma disputa municipal que virá dois anos depois. É por isso que nem toda candidatura precisa ser pensada apenas como uma tentativa de chegar a Brasília ou Curitiba. Algumas também podem servir para medir força, construir nome e posicionar grupos políticos para a próxima eleição municipal.

A largada foi dada.

Agora começa a parte difícil: separar quem entrou na corrida de quem realmente terá fôlego para chegar à linha de chegada.

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Edição nº2827 – 28/07/2026

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