Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Fonte: CEPEA
Fonte de dados meteorológicos: Wettervorschau 30 tage
Fonte: Wetterlang
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Expotoledo: enterraram a maior vitrine de Toledo

h

Facebook
WhatsApp
LinkedIn

Toledo virou campeã… de discursos.

A cidade aprendeu a colecionar títulos.

Somos a Capital do Trabalho. A Capital da Cultura. Recebemos a primeira Diocese do Oeste do Paraná e nos tornamos a Capital da religiosidade. Há treze anos lideramos o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Estado. Agora, conquistamos mais um reconhecimento nacional: Capital Nacional da Produção de Proteína Animal.

No papel, somos gigantes.

Na prática? Somo a capital do “nada pode”!

Estamos nos acostumando a ser pequenos.

Há dois anos de um novo governo e, mais uma vez, não se vê qualquer movimento concreto para ressuscitar a Expotoledo. Aquela que, durante décadas, foi muito mais do que uma feira. Era a grande vitrine da cidade. O momento em que Toledo mostrava sua força ao Paraná e ao Brasil.

Hoje, no lugar dessa vitrine, há um enorme vazio. Um espaço sem vida, sem identidade e sem a capacidade de promover aquilo que Toledo tem de melhor.

Quem faz esse papel são os outros.

Basta olhar ao redor.

Enquanto praticamente todos os municípios do Paraná investem pesado para fortalecer o turismo, movimentar a economia, atrair visitantes e vender sua imagem, Toledo parece assistir a tudo da arquibancada, também quebrada.

Santa Terezinha de Itaipu investiu cerca de R$ 12 milhões na programação de aniversário do município.

Palotina contratou artistas com cachês superiores a R$ 1 milhão.

Marechal Cândido Rondon, neste mês de julho, transforma seu aniversário em um dos maiores eventos do Oeste. São mais de 200 expositores e 14 entidades envolvidas na organização, entre elas a ACIMACAR, Lions Clube, Família Rotária, Associação Casa da Amizade, CTGs, Guarda Mirim, igrejas e diversas organizações da sociedade civil. É a cidade inteira participando.

E Toledo?

Toledo conseguiu cancelar um show cristão de R$ 120 mil.

Não se trata de discutir o artista.

Nem o estilo musical.

O problema é muito maior.

Se um município com a força econômica de Toledo não consegue organizar sequer um grande evento anual para mostrar sua capacidade produtiva, sua indústria, seu comércio, sua agricultura e sua gente, como pretende atrair investidores, turistas e novos negócios?

Cidade também se vende.

Cidade disputa espaço.

Cidade precisa de marketing profissional e não de “amadores”, metidos a profissionais.

Cidade precisa de autoestima.

Enquanto isso, seguimos repetindo nossos números extraordinários e, pouco ou nada divulgado.

Somos líderes na produção de suínos.

De frangos.

De proteína animal.

Temos cooperativas gigantes.

Temos o Biopark.

Temos empresas que exportam para o mundo inteiro.

Somos o único município do Paraná com três universidades federais instaladas.

Mas o que se vê é cada setor comemorando sozinho.

Nesta semana foi instituído, por lei, o Dia Municipal do Associativismo.

Bonito.

Necessário.

Inspirador.

Mas associativismo não nasce de decreto.

Associativismo se pratica.

E talvez seja justamente isso que esteja faltando em Toledo. Não somente aos gestores, mas, sim a todos os entes.

Porque, quando chega a hora de unir forças, os discursos desaparecem.

Cada entidade olha para a própria porta.

Cada organização protege o próprio quintal.

Cada setor defende apenas os próprios interesses.

E a cidade?

A cidade que espere.

Espera pelos voos diários que nunca voltam.

Espera pela solução das constantes quedas de energia que prejudicam a indústria, o comércio e o agronegócio.

Espera pela volta de uma feira capaz de representar sua grandeza.

Espera por uma mobilização verdadeira das entidades que afirmam representar empresários, comerciantes, produtores e trabalhadores.

Representar não é apenas realizar reuniões.

Não é posar para fotografias.

Não é publicar notas oficiais.

Muito menos acumular patrimônio financeiro enquanto o município perde protagonismo.

Representar é liderar.

É cobrar.

É pressionar.

É incomodar.

É resolver.

Toledo nunca teve tantos motivos para ser referência.

Mas também nunca pareceu tão acomodada.

O curioso é que aqui existem recursos.

Existem empresas.

Existem cooperativas.

Existem universidades.

Existem lideranças.

Existe dinheiro.

O que parece faltar é exatamente aquilo que transformou Toledo na potência que é hoje: coragem coletiva.

Os pioneiros não construíram esta cidade esperando que alguém resolvesse os problemas por eles.

Eles fizeram.

Criaram.

Empreenderam.

Uniram forças.

Lutaram.

Graças a eles, herdamos uma cidade rica.

Mas estamos deixando empobrecer algo muito mais valioso: a capacidade de pensar grande.

Talvez tenha chegado a hora da pergunta mais incômoda desta crônica.

Se Toledo é, de fato, uma potência nacional, por que anda se comportando como uma cidade satisfeita em viver apenas dos títulos conquistados no passado e nos dias atuais?

Porque títulos não constroem futuro.

Quem constrói são pessoas dispostas a defendê-los.

E, neste momento, Toledo parece precisar muito mais de líderes do que de novas placas comemorativas.

Enquanto isso, NADA DE EXPOTOLEDO.

ENQUANTO ISSO NAS NOSSAS REDONDEZAS:

Veja também

Publicações Legais

Edição nº2823 – 30/04/2026

Cotações em tempo real