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Esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo

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Dom João Carlos Seneme, Bispo da Diocese de Toledo. Foto: Divulgação

O Evangelho deste domingo (03/08) nos convida a examinar com sinceridade a nossa relação com os bens materiais (Lc 12,13-21). Uma das maiores aspirações do coração humano é a segurança. Muitas vezes, buscamos ansiosamente uma base sólida onde possamos apoiar a nossa existência. No entanto, o verdadeiro equilíbrio está em saber usar os bens sem ser dominado por eles. Trata-se de uma catequese sobre o uso das riquezas e sobre a liberdade do ser humano em relação a elas.

Os bens materiais são passageiros e, quando utilizados com sabedoria, tornam-se instrumentos para o bem viver, mas jamais podem garantir o sentido último da vida que está em Deus. Quando Ele está no centro, tudo ganha um novo significado: os bens deixam de ser motivo de disputa e se tornam meios de comunhão. Assim, o discípulo de Cristo não acumula egoisticamente para si, mas transforma o que tem em sinal concreto de amor.

Na parábola do “rico insensato”, São Lucas responde à inquietação expressa na primeira leitura: “Tudo é vaidade. Que resta ao homem de todo o seu esforço?” (cf. Ecl 1,2; 2,22). O Evangelho mostra que o apego desmedido às riquezas ameaça a autêntica vida cristã e nos afasta do caminho da eternidade.

No caminho rumo a Jerusalém, Jesus alguém se aproxima de Jesus e o questiona sobre o direito à herança. Evidentemente aquele homem via Jesus somente como uns dos mestres, aos quais era comum recorrer também sobre questões terrenas. Jesus recusa com veemência tratar de situações que não pertence a sua missão que consiste em levar as pessoas uma mensagem de salvação e revelar as condições para recebê-la. Quantas famílias se desestruturam por causa da herança e da ânsia de possuir! Jesus nos alerta que o acúmulo pode ocupar o lugar de Deus em nosso coração, tornando-se um ídolo e impedindo-nos de viver a plenitude da graça.

Em seguida, para comprovar o que disse, acrescenta uma breve parábola como exemplo: o protagonista é um homem rico, favorecido pelo rendimento extraordinário da colheita e preocupado pelo tamanho dos celeiros incapazes de conter tamanha graça de Deus. O ponto central da parábola é o pensamento do homem: Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, aproveita”. Percebe-se uma visão pagã da existência humana, sem qualquer referência aos bens eternos e aos ideais do evangelho. Chega a noite e Deus intervém e lhe pede de volta a vida que lhe foi dada como empréstimo. A moral da parábola retoma o texto da primeira leitura referindo-se à vaidade das coisas terrenas, quando são usadas sem alguma referência a Deus. O homem tornou os bens seu “deus”, esquecendo-se de que eles não têm poder de salvar.

São Lucas nos adverte que os bens podem se tornar uma pedra de tropeço no caminho do Evangelho. Eles têm o poder de prender o coração e desviá-lo do essencial. Por isso Jesus nos exorta: “Buscai antes o Reino de Deus” (Lc 12,31). Quando usamos bem o que temos, tornamo-nos acolhedores do Reino. Mas uma relação desordenada com os bens é sinal de que nosso coração ainda não pertence totalmente ao Senhor.

Com demasiada facilidade, corremos o risco de perder de vista o horizonte no qual a vida é chamada a se realizar: enquanto se constroem celeiros cada vez “maiores”, a vida – que encontra seu sentido mais verdadeiro na relação e na partilha – corre o risco de encolher visivelmente!

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo de Toledo

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