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Engenheiro desmonta tese dos parques e TJPR mantém afastamento no caso “kit propina”

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Na sequência das oitivas do caso conhecido como “kit propina”, foi exibido o depoimento mais curto — e talvez o mais objetivo — até agora. O engenheiro civil José Airton Cella, profissional com longa atuação em diversas gestões no Município de Toledo, inclusive na atual (da qual se desligou recentemente por atividades particulares), foi direto, técnico e sem rodeios.

Ao falar sobre as vazões do vertedouro da Usina, deu uma verdadeira aula técnica. Mas quando o assunto migrou para os supostos projetos das praças Genoveva e Lino Pizatto, a resposta foi simples: desconhecia completamente tais projetos. Nunca ouviu falar. Em um processo marcado por versões, o depoimento foi seco, objetivo e sem floreio.

O álibi dos parques derrete a cada oitiva

A tese de que os valores mencionados estariam vinculados a projetos de parques ou praças vai perdendo sustentação a cada oitiva. Quando um engenheiro que atua diretamente em estudos estruturais e fluviais da área afirma nunca ter ouvido falar dos projetos citados, o álibi começa a ruir. Sem projeto técnico. Sem planilha. Sem memória administrativa.

Técnica não combina com narrativa

Enquanto alguns depoimentos se apoiaram em versões difusas, o engenheiro foi objetivo: tratou exclusivamente de estudos técnicos sobre a barragem e questões fluviais repassadas a empreendedores imobiliários. Nada além disso. Nenhuma conversa paralela. Nenhum contato com os acusados. Nenhuma intermediação política.

A oitiva mais curta, o Impacto mais claro

Foi o depoimento mais breve entre todos. E justamente por isso, o mais cirúrgico. Não houve contradições, nem rodeios. Apenas afirmações técnicas e negativas diretas sobre os supostos projetos das praças. Às vezes, quanto menos se fala, mais peso tem a fala.

Novo afastamento e sinalização do TJPR

O recente afastamento determinado pelo TJPR, após análise do recurso do Ministério Público, não ocorre por acaso. Decisões dessa natureza passam por crivo técnico e jurídico rigoroso. Quando uma instância superior mantém a cautelar, o sinal institucional é claro: há elementos suficientes para manter a restrição enquanto o mérito é aprofundado. Politicamente, isso pesa.

Entre condenação e absolvição

O processo ainda está em curso, e a presunção de inocência é princípio constitucional. Porém, à medida que os depoimentos confirmam ausência de lastro documental e desconhecimento técnico sobre os supostos projetos que justificariam valores expressivos, o cenário vai ficando mais difícil para a tese defensiva.

O que antes era tratado como narrativa plausível começa a se transformar em ausência concreta de prova material.

Quando a engenharia entra em cena

A engenharia trabalha com cálculo, vazão, estudo técnico, laudo. Não com suposição. E foi exatamente esse contraste que marcou a oitiva: técnica de um lado, alegação política de outro.

Se o argumento central eram os parques, e quem conhece a área técnica nunca ouviu falar deles, a pergunta volta ao ponto inicial: onde estão os projetos?

Presidência da Câmara acata decisão do TJPR

Por volta das 17h50 de sexta-feira, 13, este colunista foi procurado pelo presidente da Câmara de Toledo, que encaminhou a decisão da Mesa formalizando o afastamento dos vereadores, em cumprimento à liminar do TJPR.

O ponto levantado nesta coluna não é pessoal. É institucional. Não coaduno com decisões que aparentem dois pesos e duas medidas — e cobrarei isso de qualquer presidente da Casa Legislativa.

A decisão do TJPR foi publicada às 19h48 da quinta-feira, 12 de fevereiro. Às 20h06 já era pública e amplamente conhecida. Liminar com efeito imediato não depende de conveniência política. Produz efeitos desde a publicação.

Ainda assim, na sexta-feira, às 9h, o vereador afastado participou da reunião da Comissão de Finanças e Orçamento, criando um ambiente de tensão diante de secretários que ali estavam para prestar contas. A ordem judicial já existia.

A formalização da Presidência só ocorreu após o protocolo do vereador Professor Oseias, com manifestação oficial depois das 16h20. O presidente é advogado e conhece o rito: decisão publicada, cumprimento imediato. Não houve falha de comunicação. Houve tempo.

Se a medida tivesse sido adotada na própria quinta-feira, o constrangimento institucional poderia ter sido evitado. Em Direito, a publicação basta. O restante é decisão administrativa.

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Edição nº2806 – 28/01/2026

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