Com o auxílio de pequenas vespas, o controle de pragas pode ser feito de forma segura e sustentável    

A sinergia criada pelo Biopark tem impulsionado a atração de novas empresas e empreendimentos. Já são mais de 70 negócios atuando no local e muitos deles estão relacionados à temática do agronegócio, como é o caso da F.Bio Soluções Biológicas. A empresa atua no desenvolvimento de soluções que auxiliam no controle biológico de pragas na agricultura. 

A F.Bio iniciou seus planos em 2017 e é formada pelos sócios Rodrigo Mendes Antunes Maciel, Fernanda Caroline Colombo, Michele Potrich, Flavio Endrigo Cechim e Everton Ricardi Lozano da Silva. Juntos, eles vêm trabalhando em uma tecnologia que utiliza a microvespa Telenomus podisi para o controle de pragas em áreas rurais, mais especificamente no plantio de soja. 

Telenomus podisi é uma microvespa parasitoide. Para que essas vespinhas se reproduzam, obrigatoriamente precisam parasitar os ovos do percevejo-marrom da soja (Euschistus heros). Neste processo, elas depositam seus ovos dentro do ovo do percevejo.  Entretanto, o desenvolvimento do ovo da vespinha é mais rápido do que o do percevejo, e em poucos dias, causa a inviabilidade deste”, explica Michele Potrich. O percevejo-marrom da soja é a principal praga deste cultivo na atualidade, por isso a necessidade  de ferramentas de controle. 

As vespas utilizadas pela F.Bio têm em torno de 0,5 milímetros, não possuem ferrão e em condições favoráveis podem se manter por gerações no ambiente, além disso, são seguras para animais, plantas e seres humanos. “Todos nós da equipe amamos as pesquisas voltadas ao controle de pragas através das soluções biológicas e conseguimos criar um produto que oferecerá condições de aplicação tanto em áreas orgânicas quanto convencionais”, acrescenta Michele Potrich.  

De acordo com os empreendedores, a solução contribui com a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva.  “Quando esses agentes de solução biológica são implementados na produção diminui-se/ racionaliza-se o uso de inseticidas, reduzindo a contaminação do solo, dos rios, lençóis freáticos e da fauna do local, além de reduzir danos à saúde que podem ser adquiridos com o consumo desses produtos. Ou seja, estamos levando ao Biopark uma tecnologia que irá auxiliar na produção e também no consumo”, define Michele.  

O projeto está na fase de pesquisas para garantir o estabelecimento de criações de insetos com qualidade e eficiência. “O tempo previsto de desenvolvimento é de no máximo um ano e nosso objetivo é atender a próxima safra (2021/2022) com a comercialização de parasitoides. Para a safra já está firmada a primeira comercialização de ovos inviáveis de percevejos para empresas que atuam no setor agrícola e a abertura de mercado com instituições de pesquisa também já está sendo realizada”, ressalta Rodrigo Mendes Antunes Maciel. 

A F.Bio encontrou no Biopark a estrutura e o ambiente que viabilizam o desenvolvimento dos métodos, produtos e soluções, além de acompanhar o crescimento científico e tecnológico regional. “A Região Oeste é referência mundial em agricultura e, portanto, com a evolução do Biopark, que está recebendo várias empresas ligadas ao agronegócio, podemos ver que ambos estão direcionados para a evolução da pesquisa científica e da inovação. A nossa empresa também quer fazer parte disso”, finaliza o sócio fundador, Rodrigo Mendes Antunes Maciel.