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Em seis meses, rendimentos com reciclagem mais que dobram em Toledo

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Foto: Fábio Ulsenheimer/Secom

A Central de Triagem anexa ao Aterro Sanitário de Toledo vive um dos seus melhores momentos e isso se reflete no aumento da remuneração dos quase 60 membros da Associação de Catadores de Recicláveis (Acatol), entidade responsável pela separação e destinação correta dos materiais recolhidos pelo serviço de coleta seletiva. Se em janeiro o rendimento médio de cada trabalhador era de R$ 1.000,00, em junho este chegou a algo em torno de R$ 2.100,00.

Por detrás deste crescimento que passa de 100% estão um mercado de recicláveis aquecido em razão da falta de insumos para a fabricação de novos itens em diversos segmentos da indústria, a extensão do serviço de coleta seletiva a 100% da área urbana de Toledo, bem como melhorias no sistema de gestão. “Desde maio está sendo descontado um valor de R$ 121,00 [11% do salário mínimo, alíquota referente à contribuição de trabalhadores autônomos], o qual está sendo repassado para o INSS [Instituto Nacional do Seguro Social], garantindo proteção previdenciária para os catadores. É uma pequena redução comparada ao benefício e devidamente compensada pelo aumento dos preços na venda dos principais materiais: se no início do ano o quilo do papelão estava em torno de R$ 0,60, agora está até R$ 1,40; o do alumínio passou de R$ 6,00 para até R$ 7,20”, relata a coordenadora da Central de Valorização e Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Ambiental e Saneamento (SMDAS), Thaisa Dullius.

Segundo a coordenadora, este aumento no faturamento também está permitindo a criação de uma reserva de caixa – que recebe, em média, R$ 13 mil por mês do governo municipal, conforme a quantidade de material separado e vendido pela Central de Triagem. “Estas sobras poderão ser utilizadas para um imprevisto ou até, se tudo caminhar bem, para o pagamento de um ‘décimo terceiro’ no fim do ano”, pontua. “E num cenário em que este público será beneficiado com o Passe Social, ocasionando uma economia de R$ 7 mil por mês que atualmente são destinados à compra de passagens do transporte coletivo urbano”, destaca.

Thaisa pondera que a valorização dos recicláveis tem gerado um efeito colateral: o aumento de pessoas interessadas em recolher e vender estes materiais. “Está cada vez mais frequentes ver catadores autônomos, sem vínculo com a Acatol, serem vistos coletando o conteúdo que interessa dos ‘amarelinhos’ ou até das sacolas que são colocadas em frente às casas no ‘porta a porta’. Por causa disso, houve uma diminuição na produção na Central de Triagem, mas nada que comprometa significativamente as operações do espaço. É importante a população ficar atenta a esta situação, pois nem sempre estes trabalhadores que trabalham por conta vão fazer a correta destinação daquele lixo deixado para ser levado pelos veículos da coleta seletiva”, alerta.

O secretário responsável pela SMDAS, Maicon Bruno Stuani, entende que essa ampliação de rendimentos faz jus ao importante trabalho realizado pelos catadores. “Com a ampliação da coleta seletiva a 100% da cidade, o material recolhido aumentou para algo em torno de 40% e essa eficiência ficará ainda maior no segundo semestre, quando o barracão novo, construído com recursos da Itaipu Binacional, começará a ser operado. Com mais espaço e segurança para os catadores, sobretudo os que ficam na esteira, teremos uma logística melhor no sistema de expedição para os resíduos já enfardados. O município tem redobrado a atenção nesta questão e, com a inclusão dos membros da Acatol no Passe Social, um valor de R$ 289,00 deixará de ser descontado do rateio que cada um recebe”, relata.

Foto: Secretaria Municipal de Comunicação

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