Por Marcos Antonio Santos
Eleitores vão às urnas em 4 de outubro para escolher seis cargos; além de apresentar os candidatos ao Palácio Iguaçu, Gazeta de Toledo explica as funções do governador e vice-governador e o tamanho do orçamento estadual
O primeiro turno das Eleições 2026 será realizado neste domingo, 4 de outubro. Ao longo desta semana, a Gazeta de Toledo apresenta aos leitores os candidatos a deputado federal e deputado estadual com vínculo com Toledo, os concorrentes às duas vagas do Paraná no Senado, os candidatos ao Governo do Estado e à Presidência da República, além das atribuições de cada um dos cargos que estarão em disputa.
Na urna eletrônica, o eleitor deverá votar em seis cargos, seguindo esta ordem: deputado federal, deputado estadual, senador – primeira vaga, senador – segunda vaga, governador e presidente da República. Em 2026, cada eleitor poderá escolher dois nomes diferentes para o Senado.
A disputa pelo Governo do Paraná
O Paraná tem oito candidatos ao cargo de governador. A relação atualizada para a eleição deste domingo é a seguinte:
- Adriano Funileiro (PCO)
Vice: Zé Carlos (PCO) - Doutor Alexandre Salomão (Mobiliza)
Vice: Daiana Criminacio (Mobiliza) - Luiz França (Missão)
Vice: João Adolfo (Missão) - Requião Filho (PDT)
Vice: Michele Caputo (Solidariedade) - Samuel de Mattos (PSTU)
Vice: Helena Figueiredo (PSTU) - Sandro Alex (PSD)
Vice: Rafael Greca (MDB) - Sergio Moro (PL)
Vice: Edson Vasconcelos (PL) - Tayná Miessa (UP)
Vice: Willian Araki (UP)
Na atualização disponível em 1º de outubro, sete candidaturas aparecem como deferidas. O registro de Adriano Funileiro consta como indeferido em prazo recursal ou com recurso, situação que ainda pode depender de decisão da Justiça Eleitoral.
O governador e o vice são eleitos conjuntamente. Se nenhum candidato ao governo alcançar mais da metade dos votos válidos no primeiro turno, haverá segundo turno entre os dois mais votados. A Constituição estabelece mandato de quatro anos para governador e vice-governador.
Afinal, o que faz um governador?
O governador é o chefe do Poder Executivo estadual. É ele quem administra a estrutura do Governo do Estado e conduz a execução das políticas públicas estaduais durante o mandato.
Na prática, suas decisões alcançam áreas diretamente ligadas ao cotidiano dos municípios. Entre elas estão segurança pública, rede estadual de ensino, hospitais e serviços estaduais de saúde, sistema penitenciário, infraestrutura, rodovias estaduais, desenvolvimento econômico, agricultura, meio ambiente, assistência social e administração pública.
Cabe ao governador nomear os secretários estaduais e organizar sua equipe de governo. As secretarias transformam as políticas definidas pelo Executivo em programas, obras, serviços e ações.
O governador também participa diretamente do processo legislativo. Pode apresentar projetos de lei à Assembleia Legislativa nas matérias em que possui iniciativa, sancionar projetos aprovados pelos deputados ou vetá-los total ou parcialmente quando entender que há razões jurídicas ou administrativas para isso. O veto pode posteriormente ser analisado pela Assembleia.
Outro instrumento do Executivo são os decretos, utilizados para regulamentar leis e organizar a administração dentro dos limites estabelecidos pela Constituição e pela legislação.
Segurança pública
Uma das responsabilidades de maior visibilidade do Governo do Estado é a segurança pública.
A estrutura estadual envolve, entre outros órgãos, a Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar e administração penitenciária. O governador não realiza diretamente o trabalho operacional das corporações, mas sua administração define políticas, orçamento, investimentos, concursos, estrutura física, equipamentos e planejamento estratégico para o setor.
Decisões sobre construção de delegacias, batalhões, presídios, compra de viaturas e equipamentos e ampliação de efetivos passam pela estrutura do Governo do Estado e pelos respectivos órgãos.

Saúde e educação
Na saúde, o Estado administra e financia estruturas próprias, participa do financiamento do Sistema Único de Saúde, mantém hospitais, serviços especializados e programas regionais e transfere recursos aos municípios.
Na educação, administra a rede estadual de ensino, que inclui escolas, professores, servidores, transporte escolar em determinadas modalidades, infraestrutura das unidades e programas educacionais.
Municípios e União também possuem responsabilidades nessas áreas. Portanto, saúde e educação são setores nos quais existe divisão e compartilhamento de atribuições entre diferentes esferas de governo.
Estradas, obras e infraestrutura
O Governo do Estado é responsável pela gestão da malha rodoviária estadual e por investimentos em infraestrutura sob sua competência.
Duplicações, recuperação de rodovias estaduais, construção de pontes, pavimentação e grandes projetos podem depender diretamente de decisões orçamentárias e administrativas do Executivo estadual.
Também é comum o Estado transferir recursos aos municípios por meio de convênios para pavimentação urbana, equipamentos, hospitais, escolas e outras obras.
O governador também administra bilhões em recursos públicos
Uma das principais atribuições do governador é elaborar a proposta de orçamento estadual.
O Executivo estima quanto o Paraná deverá arrecadar e propõe como os recursos serão distribuídos entre saúde, educação, segurança, infraestrutura, folha de pagamento, previdência, custeio da máquina pública e investimentos.
O projeto é encaminhado à Assembleia Legislativa, onde passa pela análise e votação dos deputados estaduais. Depois de aprovado, retorna ao governador para sanção.
Para 2026, o orçamento do Paraná foi fixado em R$ 81,565 bilhões. Desse total, aproximadamente R$ 7,1 bilhões foram previstos para investimentos em obras e melhorias estruturais.
A peça orçamentária inclui o Orçamento Fiscal, o Regime Próprio de Previdência Social dos servidores estaduais e o orçamento de investimento das empresas públicas e sociedades de economia mista controladas pelo Estado.
Isso significa que o governador eleito administrará, já a partir de 2027, uma estrutura financeira que movimenta dezenas de bilhões de reais anualmente.
Paraná projeta R$ 84,5 bilhões em receitas para 2027
A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 já foi sancionada e servirá de orientação para a elaboração e execução do orçamento do próximo governo. A projeção utilizada pelo Estado aponta receitas líquidas em torno de R$ 84,5 bilhões para 2027.
Desse montante projetado, cerca de R$ 77,5 bilhões correspondem às chamadas receitas primárias, que incluem principalmente impostos e transferências. A arrecadação tributária estadual foi projetada em aproximadamente R$ 44,2 bilhões para 2027.
É importante diferenciar a projeção prevista na LDO do orçamento definitivo. A LDO estabelece metas, parâmetros e prioridades para a elaboração da Lei Orçamentária Anual. É a LOA que posteriormente detalha quanto poderá efetivamente ser gasto em cada área e programa.
De onde vem o dinheiro do Estado?
Entre as principais fontes de arrecadação estadual estão tributos como ICMS, IPVA e ITCMD, além de transferências constitucionais, receitas patrimoniais e outros ingressos previstos na legislação.
O ICMS representa uma parcela importante das receitas estaduais e incide sobre a circulação de mercadorias e determinados serviços. Já o IPVA é cobrado sobre a propriedade de veículos, enquanto o ITCMD incide sobre heranças e doações.
Parte dos recursos arrecadados pelo Estado também é obrigatoriamente repassada aos municípios de acordo com as regras constitucionais.
Qual é o papel do vice-governador?
O vice-governador é eleito na mesma chapa do governador. O eleitor não escolhe os dois separadamente: ao votar no candidato a governador, também está votando no respectivo vice.
A principal função constitucional do vice é substituir o governador quando houver impedimento temporário e assumir definitivamente o governo se ocorrer vacância do cargo.
A Constituição do Paraná estabelece ainda que o vice-governador pode auxiliar o governador e desempenhar missões especiais quando convocado.
Na prática, cada governo pode atribuir ao vice diferentes tarefas administrativas e políticas, mas sua função constitucional mais importante é garantir a continuidade do Poder Executivo estadual.





