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El Niño vai penalizar o agronegócio, a geração de energia e toda economia

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Foto: assessoria

          Dilceu Sperafico*

O temido fenômeno climático El Niño que atinge o País com efeitos negativos ampliados até o final deste ano, está deixando de ser apenas uma pauta ou questão ambiental. O aumento das temperaturas, estiagens prolongadas, temporais, enchentes e outros eventos climáticos extremos, segundo especialistas, atingem de forma direta a produção do agronegócio, o setor elétrico, o mercado imobiliário e os custos do setor financeiro, com perdas para todos os setores produtivos e cidadãos, além do poder público. Essa triste realidade não é reconhecida só pela ecologia, pois o Fórum Econômico Mundial de Davos deixou muito claro nos seus últimos cinco relatórios que, entre os 10 maiores riscos para o sistema econômico global e  geral, até cinco deles estão associados às questões climáticas ou ambientais. Assim, no Brasil o impacto econômico das transformações ambientais será mais acentuado por sua localização geográfica tropical. Enquanto a média global de aquecimento se aproxima de 1,45 °C, a elevação em território brasileiro pode atingir patamares entre 3,5 °C e 4 °C, afetando diretamente a produtividade do campo e a geração de energia.

A desregulamentação do regime de chuvas compromete até mesmo a agricultura irrigada e de sequeiro no Brasil Central, dependente da umidade da Amazônia. Ocorre que com o desmatamento ilegal, mesmo que reduzido nos últimos anos, esse fluxo hídrico é alterado, criando prejuízos acumulados para produtores rurais, além de expor exportações a exigências internacionais mais rígidas de rastreabilidade socioambiental. Para monitorar essas áreas e garantir o cumprimento da lei, o País conta com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a rede MapBiomas, que mapeiam o histórico do uso da terra e ajudam a identificar infrações na cadeia produtiva do agronegócio. Além disso, com outras pressões sobre determinados setores, como perdas causadas por secas e inundações históricas, as seguradoras e instituições bancárias irão recalcular o custo do crédito e a concessão de apólices de seguro rurais, penalizando os produtores.

Com o El Niño o agronegócio brasileiro já está sofrendo perdas bilionárias e o setor de seguros reavalia a cobertura de riscos climáticos. A inação gera custos muito maiores do que os investimentos necessários para a adaptação. Para enfrentar essas dificuldades, são necessários cuidados com infraestrutura e para que haja adaptação econômica, é preciso rever o planejamento de investimentos de longo prazo em áreas litorâneas. Com 8.500 km de costa marítima, a exposição ao aumento do nível dos oceanos no Brasil reflete perigos para portos fundamentais para a balança comercial, como os de Santos, em São Paulo, e Paranaguá, no Paraná. É preciso considerar que a economia climática pode criar as próximas gigantes globais, apostando na mitigação de danos e transição para fontes renováveis, visando a viabilidade e eficiência financeira. A geração de energia por fontes solar e eólica, por exemplo, opera com custos inferiores aos da energia fóssil, oferecendo ao Brasil a oportunidade de consolidar matriz elétrica barata e competitiva. Com possibilidade de desvalorização de ativos ligados ao petróleo e a atividades intensivas em carbono, o mercado financeiro e as corporações começam a redirecionar o capital para projetos sustentáveis e negligenciar essas mudanças compromete a estabilidade das organizações, como o agronegócio.

*O autor é deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado

E-mail: dilceu.joao@uol.com.br

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