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Eis que estarei convosco todos os dias até o fim do mundo

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Dom João Carlos Seneme, Bispo da Diocese de Toledo. Foto: Divulgação

A Ascensão é a exaltação de Cristo na glória do Pai. Ela conclui a experiência sensível do Ressuscitado, realiza e ilumina a obra da salvação de Cristo. Jesus, ao se despedir dos discípulos, pronuncia solenemente suas últimas vontades. É o testamento do Ressuscitado, que confia aos discípulos a tarefa de testemunhar a Palavra recebida até o fim dos tempos.

A ressurreição completa o ciclo da vida de Jesus: é somente a partir da ressurreição que podemos compreender em profundidade o que Jesus disse e fez enquanto vivia com seus discípulos. Foi através da ressurreição que a revelação total de Jesus se tornou acessível aos seus discípulos. Foi através da ressurreição que o risco da fé deixou de se basear unicamente na Palavra da revelação e se descobriu que a Palavra era sustentada pela realidade misteriosa dos fatos.

A plena manifestação de Jesus aconteceu na Galileia, onde os discípulos viviam e foram chamados. Por que a Galileia? Provavelmente para compreender que Jerusalém não era mais o centro do culto e da religiosidade. De agora em diante o acesso a Deus, ao verdadeiro templo, não estava mais circunscrito a um lugar – “nem sobre este monte nem em Jerusalém” (Jo 4,21) – mas a uma pessoa, a pessoa de Cristo.

A verdadeira revelação acontece “no monte que Jesus havia indicado”. O evangelista Mateus não informa onde se encontra este monte. O que importa é o simbolismo do monte: que se torna o lugar da revelação. A revelação de Deus no Antigo Testamento se dá no monte Sinai. A revelação de Jesus (novo Moisés) acontece no monte das Bem-aventuranças (onde ele manifesta seu ensinamento e exigências morais) e sobre o monte da Galileia (onde manifesta sua autoridade e missão).

A ressurreição de Jesus introduz uma mudança radical na relação dos discípulos com Jesus. Durante sua vida terrena, eles manifestavam o respeito que o discípulo tem em relação ao seu mestre; agora se revela a relação do fiel diante do seu Senhor. A prostração dos discípulos – gesto reservado ao encontro com os grandes monarcas divinizados ou assim considerados – indica que os discípulos descobriram nele o divino.

A autorrevelação de Jesus é centrada em sua autoridade e missão que agora Ele confia aos seus discípulos. O servo sofredor de Javé é o Filho de Deus glorificado. Contudo, a natureza de sua autoridade, uma autoridade que não é imposta, mas acolhida livremente através da inserção no seu mistério, o mistério pascal, através do Batismo e manifestada no empenho de assimilar os seus ensinamentos e satisfazer as suas exigências, autoridade exercida em um ambiente de discipulado, voluntário e comprometido.

É sobre a Palavra que se apoia a fé dos discípulos. No caminho deles estará presente sobretudo na Palavra confiada aos apóstolos. Aquele que acompanhou os discípulos na vida terrena, agora vive e está presente na comunidade cristã de maneira totalmente nova, que ultrapassa a percepção sensível do ser humano. Deste modo, o relato da Ascensão – na primeira leitura – e a promessa da Presença até o fim dos tempos – no evangelho – são duas faces da mesma verdade: Jesus não é mais visível fisicamente aos olhos dos fiéis, contudo, ele está misteriosamente presente no caminho de cada um.

O evangelho termina como começou. No início foi anunciado o nome do Emanuel, Deus conosco, como foi anunciado pelo profeta Isaías (Is 1,23). Agora sabemos que aquela profecia foi realizada: “Eu estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos”. Em outras palavras, Jesus continua a ser o Emanuel, o Deus conosco”. 

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo de Toledo

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Edição nº2810 – 24/02/2026

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