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Duas vidas, dois amigos

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Começamos a semana com duas notícias que gostaríamos de não ter que escrever: a partida de dois grandes amigos. Sabemos que a morte faz parte do ciclo da vida, mas compreender isso nunca nos prepara para o sentimento de vazio, principalmente quando partem pessoas que fizeram parte da nossa própria história.

A primeira notícia foi a morte do professor, escritor e jornalista Pitágoras da Silva Barros. Para mim, não era apenas um conhecido da imprensa ou um intelectual que dedicou parte da vida a preservar a memória de Toledo. Pitágoras foi meu professor. Nos bons tempos de colegial, estava diante de nós ensinando, orientando e ajudando a formar uma geração. Mais tarde, a vida nos aproximaria novamente pela imprensa e pela amizade. O antigo mestre tornou-se colega de profissão e companheiro de muitas conversas. Está sendo velado nas dependências da Câmara Municipal de Toledo.

Pouco depois, outra perda: Plodenir Prestes, o nosso “Nego”.

Esse, digo sem medo de exagerar, foi muito mais que um guerreiro. Foi irmão, pai, esposo, genro, amigo e um dos corintianos mais fanáticos que conheci. Acima de tudo, era um ser humano extraordinariamente humano. Está sendo velado na umuprev.

A vida lhe impôs provações duríssimas. Plodenir poderia ter escolhido a amargura, mas preferiu muitas vezes responder às próprias dificuldades com uma brincadeira. Não importava se o momento era bom ou ruim: ele encontrava uma piada, uma provocação, uma história. Era sua maneira de fazer parecer leve uma vida que, sabemos, de leve teve muito pouco.

Talvez essa seja uma das grandes lições que essas duas despedidas deixam.

Pitagoras, com a palavra, o conhecimento e a memória. Plodenir, com sua resistência, irreverência e impressionante vontade de viver.

Dois homens completamente diferentes em suas trajetórias, mas que tiveram algo em comum: deixaram marcas na vida de quem teve o privilégio de conviver com eles.

A semana começou mais silenciosa.

Ficaram duas cadeiras vazias. Mas ficaram também as histórias, as lembranças, os ensinamentos e aquela saudade que somente existe quando alguém realmente valeu a pena em nossa caminhada.

Descansem em paz, meus amigos Pitagoras e Plodenir.

Obrigado por terem feito parte da minha história.

Primeiro chefe do NRE, Pitágoras deixa legado na educação

O Núcleo Regional de Educação (NRE) de Toledo também manifestou pesar pela morte do professor e escritor Pitágoras da Silva Barros, ocorrida nesta segunda-feira (28).

A nota traz um importante registro de sua trajetória: Pitágoras foi o primeiro chefe da história do NRE de Toledo, exercendo a função entre 1984 e 1988.

Foram quatro anos à frente de uma estrutura que dava seus primeiros passos e que se tornaria fundamental para a organização e o desenvolvimento da educação pública de Toledo e dos municípios da região.

Ao prestar sua homenagem, o NRE reconheceu o papel de Pitágoras na construção dessa história e sua contribuição para a educação regional.

Professor por formação e vocação, Pitágoras deixa, portanto, uma marca que ultrapassa a literatura, a imprensa e a política. Seu nome também está ligado às próprias origens do Núcleo Regional de Educação de Toledo.

Em sua manifestação, o NRE expressou solidariedade aos familiares, amigos e à comunidade pela perda de seu primeiro dirigente.

Pitágoras entra para a História de Toledo

A Prefeitura de Toledo decretou luto oficial de três dias pela morte do professor, escritor, comunicador e ex-vereador Pitágoras da Silva Barros. O Decreto nº 1.990, assinado nesta segunda-feira (28) pelo prefeito Mário Costenaro, reconhece a importância de sua trajetória para o município.

O documento destaca que Pitágoras “honrou, em vida, os mais dignos sentimentos de pessoa dedicada às causas da gente toledana”, lembrando sua atuação no magistério público, na Câmara de Vereadores, na comunicação e em diversas atividades junto à comunidade.

Um dos trechos mais significativos do decreto resume a dimensão de seu legado: a atuação de Pitágoras em favor das causas da coletividade o tornou “integrante da História de nosso Município”.

É o reconhecimento oficial a um homem que dedicou décadas a Toledo, seja ensinando, escrevendo, comunicando ou participando da vida pública.

Pitágoras parte deixando seu nome definitivamente registrado na memória da cidade que ajudou a contar e a construir.

Câmara decreta luto oficial por Pitágoras

A Câmara Municipal de Toledo decretou luto oficial de três dias pelo falecimento do professor, jornalista, escritor e ex-vereador Pitágoras da Silva Barros, ocorrido nesta segunda-feira (28), aos 79 anos.

A medida foi oficializada pela Portaria nº 257, assinada pelo presidente do Legislativo. O documento destaca a trajetória política de Pitágoras, que integrou a VIII Legislatura da Câmara Municipal de Toledo.

Em mais uma demonstração de reconhecimento à sua contribuição para a história do município, o Legislativo também abriu suas portas para a despedida do ex-parlamentar. Conforme a portaria, o velório de Pitágoras será realizado no prédio da Câmara Municipal.

O luto oficial de três dias representa uma homenagem institucional à memória de um homem que, além de exercer mandato popular, deixou sua contribuição nas áreas da educação, imprensa, literatura e cultura de Toledo.

Há palavras que usamos tantas vezes que, de tanto repeti-las, acabam perdendo um pouco da força. “Guerreiro” talvez seja uma delas.

Mas existem pessoas que devolvem sentido à palavra.

Plodenir Prestes foi uma dessas pessoas.

Para quem vive da estrada, ser caminhoneiro dificilmente é apenas uma profissão. Parece correr nas veias. É o ronco do motor, a madrugada iluminada pelos faróis, o café na beira da rodovia, a saudade de casa e aquela relação quase inexplicável entre o motorista e sua máquina.

Plodenir conhecia bem essa vida. Seu Scania 110 – 320 era mais que instrumento de trabalho: representava o sustento da família, a liberdade e o orgulho de ser caminhoneiro.

Até que um acidente mudou sua história.

As sequelas comprometeram a mobilidade de uma das pernas e o obrigaram a enfrentar uma realidade que seu coração demorou a aceitar: não poderia mais viver profissionalmente atrás do volante.

Ele tentou voltar. Insistiu durante anos. Até compreender, em lágrimas, que precisava se aposentar por invalidez.

Mas Plodenir não desistiu da vida.

Enfrentou mais de dez intervenções cirúrgicas, algumas delas conquistadas após batalhas judiciais, além de uma longa disputa na Justiça relacionada às consequências do acidente que interrompeu sua carreira.

Nos últimos anos, sua companheira de locomoção passou a ser uma cadeira de rodas elétrica.

O corpo tinha limites. A vontade de viver, não.

E talvez uma das maiores razões para seguir em frente estivesse na família, especialmente no filho Cleiton.

Pai e filho

Cleyton tinha apenas 23 anos e conhecia de perto o sofrimento do pai.

Decidiu trabalhar nas estradas e, de certa maneira, passou a percorrer os quilômetros que Plodenir já não podia percorrer.

Ao lado da esposa, tinha um sonho: juntar dinheiro para construir a própria casa. Durante esse período, o caminhão tornou-se praticamente o lar do jovem casal. Ali trabalhavam, descansavam e faziam planos para o futuro.

Mas o destino reservou a Plodenir uma dor ainda maior.

Cleiton perdeu a vida justamente na boleia de um caminhão.

Como explicar isso a um pai?

Não existe resposta.

Depois de perder a profissão que amava e enfrentar tantas limitações físicas, Plodenir precisou suportar aquilo que talvez tenha sido a maior de todas as suas dores: enterrar o próprio filho.

E continuou vivendo.

Com as marcas no corpo e uma ausência impossível de preencher, seguia conversando, brincando e recebendo os amigos.

É por isso que posso chamá-lo de guerreiro.

Não porque tenha vencido todas as batalhas, mas porque teve coragem para continuar lutando quando a vida lhe exigiu muito mais do que seria justo exigir de qualquer pessoa.

A última viagem

Neste 28 de setembro de 2026, chegou a hora de Plodenir estacionar.

Depois de tantas curvas, subidas e obstáculos, o velho caminhoneiro puxou definitivamente o freio da vida.

E quero acreditar que partiu para aquele reencontro que talvez esperasse havia tanto tempo.

Como jornalista, mas principalmente como amigo, acompanhei parte dessa caminhada. Vi momentos em que Plodenir não precisava de favores, mas simplesmente que seus direitos e sua dignidade fossem respeitados.

Por isso, eu, Eliseu, registro também minha gratidão ao vereador Professor Oséias e ao promotor de Justiça José Roberto, que, em momentos importantes, contribuíram para que esse cidadão tivesse atenção, respeito e dignidade.

Para os mais íntimos, Plodenir era simplesmente o “Nego”.

E o Nego vai fazer falta.

À família, aos amigos e a todos que conviveram com ele.

Seu Todeschini certamente sentirá a ausência do companheiro de todos os dias, especialmente naquele momento de “tomar aquela” e colocar a conversa em dia.

Mas, nesta despedida, prefiro guardar outra imagem.

Não uma cadeira de rodas.

Não hospitais, cirurgias ou processos.

Imagino Plodenir chegando a uma estrada diferente.

Lá na frente está Cleyton.

Esperando pelo pai.

Plodenir se levanta.

Caminha novamente.

Pai e filho se encontram e se abraçam.

Talvez nem precisem dizer nada.

Depois entram juntos em uma nova cabine.

Desta vez não existe carga atrasada, prazo para entrega, conta para pagar ou dinheiro para juntar para construir uma casa.

A casa já está pronta.

E nessa viagem quem conduz é o grande Piloto da Vida: Deus.

Descanse em paz, meu amigo Plodenir Prestes, o nosso Nego.

Você finalmente encontrou seu menino.

Agora sigam juntos.

E, aí de cima, cuidem de nós que ainda seguimos pelas estradas daqui.

Boa viagem, Nego.

Até qualquer dia, meu amigo.

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