A doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Toledo, Bruna Retameiro, propõe um novo olhar sobre o cinema ao aproximar a filosofia de Maurice Merleau-Ponty da produção cinematográfica de Jean-Luc Godard. O estudo investiga o cinema não apenas como forma de contar histórias, mas como experiência sensível, capaz de criar linguagens e modos de perceber o mundo.
A pesquisa, sob orientação do docente Claudinei Aparecido de Freitas da Silva, parte da compreensão de que o cinema vai além da narrativa tradicional. Segundo a doutoranda, o interesse pelo tema surgiu da convergência de inquietações pessoais e acadêmicas. “Minha pesquisa parte da ideia de que o cinema não é apenas um meio de contar histórias, mas uma forma de experiência sensível e perceptiva. O interesse pelo tema surgiu da soma de outros interesses pessoais, como a linguagem, a literatura, a criação, o apreço pelos filmes e a inclinação em buscar modos de aproximação com o ‘encantamento’ e o espanto filosófico”, explica.
Com base na filosofia de Merleau-Ponty, especialmente em sua compreensão da percepção como experiência, o estudo propõe pensar o cinema como um acontecimento que envolve o corpo, o tempo e o espaço do espectador. “A partir da filosofia de Maurice Merleau-Ponty e da produção cinematográfica de Jean-Luc Godard, proponho pensar o cinema como um acontecimento que envolve a corporeidade, o tempo e o espaço do espectador. Nesse sentido, o filme não se reduz ao enredo ou à narrativa, mas se constitui como uma experiência perceptiva”, destaca a pesquisadora.
Ao analisar filmes de Godard, conhecido por romper padrões tradicionais da linguagem cinematográfica, a tese busca demonstrar que o sentido de uma obra não está apenas naquilo que é contado, mas também na forma como se apresenta ao público. “Um de meus objetivos é elucidar que o sentido de um filme não está apenas ‘no que é contado’, mas em como algo aparece; em como imagens, sons, cores, cortes e movimentos também comunicam e podem ser compreendidos como linguagem”, expõe.
A pesquisa também dialoga diretamente com os campos da Comunicação e da Filosofia. Ao propor o cinema como criação de linguagem, e não apenas como veículo de transmissão de conteúdo, o estudo amplia o entendimento sobre os processos comunicacionais.
Essa perspectiva desloca o foco da explicação racional para a experiência sensível e estética do espectador. “Esse modo de compreender o cinema nos convida a olhar as produções de forma menos centrada na explicação e mais aberta à experiência. Ver um filme deixa de ser apenas acompanhar uma história e passa a ser um exercício de percepção, no qual somos deslocados e afetados pelo que vemos e ouvimos”, ressalta.
Fonte: Alexsander Marques/Unioeste





