Da Redação
Após quatro décadas de redemocratização, brasileiros voltam às urnas neste domingo (4); Paraná tem 8,6 milhões de eleitores e ocupa a posição de quinto maior colégio eleitoral do país
Neste domingo, 4 de outubro, milhões de brasileiros estão indo novamente às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. Mais do que definir quem ocupará cargos públicos a partir de 2027, cada voto dará continuidade a uma longa história de avanços, interrupções e retomadas da democracia brasileira.
Nas Eleições Gerais de 2026, o Brasil chega a 158.765.543 eleitoras e eleitores aptos a votar. No Paraná, são 8.609.026 pessoas, fazendo do Estado o quinto maior colégio eleitoral brasileiro.
É um cenário muito diferente daquele encontrado ao longo de boa parte da história do país. O direito ao voto foi sendo ampliado ao longo das décadas, enquanto o sistema eleitoral passou das cédulas de papel e longas apurações para um processo informatizado que hoje alcança todas as seções eleitorais.
Eleições no Brasil começaram muito antes da República
A história do voto brasileiro é anterior à própria Independência. Entretanto, durante grande parte do período colonial, imperial e das primeiras décadas republicanas, a participação eleitoral era limitada por critérios estabelecidos pela legislação de cada época.
Com a Proclamação da República, em 1889, o Brasil passou a escolher presidentes em eleições diretas. A primeira eleição presidencial direta da República ocorreu em 1894, quando Prudente de Moraes foi eleito.
A história eleitoral brasileira, porém, não seguiu uma linha contínua.
O país atravessou períodos em que eleições presidenciais diretas foram interrompidas, como durante o Estado Novo e, posteriormente, durante o regime militar.
Justiça Eleitoral nasceu em 1932
Um dos grandes marcos ocorreu em 1932, com a criação da Justiça Eleitoral.
A estrutura foi criada em um contexto de necessidade de organização e fiscalização das eleições e de enfrentamento de práticas que historicamente comprometiam o processo eleitoral.
Também foi naquele período que o voto feminino passou a integrar formalmente a legislação eleitoral brasileira, representando uma transformação importante na ampliação da participação política.
Ao longo das décadas seguintes, o sistema eleitoral passou por sucessivas mudanças, mas seria a partir dos anos 1980 que o Brasil viveria uma das maiores transformações políticas de sua história recente.
Ditadura interrompeu eleição direta para presidente
O último presidente eleito diretamente antes do regime militar foi Jânio Quadros, nas eleições de 1960.
A partir de 1964, durante a ditadura militar, a escolha do presidente da República deixou de ser feita diretamente pela população.
Durante o período foram realizados seis pleitos indiretos para a Presidência.
No início da década de 1980, com o regime militar chegando ao fim, cresceu nas ruas o movimento pela volta das eleições diretas.
A campanha das “Diretas Já”, principalmente entre 1983 e 1984, levou multidões às ruas reivindicando que os brasileiros recuperassem o direito de escolher diretamente o presidente.
A proposta de eleição direta não foi aprovada naquele momento.
Tancredo foi eleito indiretamente e Sarney assumiu
Em janeiro de 1985, Tancredo Neves foi escolhido presidente pelo Colégio Eleitoral, em uma eleição ainda indireta.
Tancredo, entretanto, adoeceu antes da posse e morreu em 21 de abril daquele ano.
José Sarney, eleito vice-presidente na chapa, assumiu a Presidência e governou entre 1985 e 1990.
O período marcou a transição do regime militar para a democracia.
Outro passo decisivo ocorreu em 1986, quando os brasileiros elegeram os representantes responsáveis pela elaboração de uma nova Constituição.
Em 5 de outubro de 1988 foi promulgada a Constituição Federal, estabelecendo as bases institucionais do atual período democrático.

1989: brasileiro volta a escolher o presidente
Depois de 29 anos sem uma eleição presidencial direta, o brasileiro voltou às urnas para escolher o presidente da República em 1989.
Foi uma eleição histórica.
Nada menos que 82.074.718 pessoas estavam aptas a votar.
O primeiro turno teve 22 candidatos à Presidência. Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva avançaram para o segundo turno.
Em 17 de dezembro, Collor venceu a disputa e tornou-se o primeiro presidente escolhido diretamente pela população desde Jânio Quadros, em 1960.
A partir dali, as eleições presidenciais diretas voltaram definitivamente ao calendário democrático brasileiro.
Os presidentes da redemocratização
Desde o fim do regime militar, o Brasil teve diferentes presidentes, alguns escolhidos diretamente pelo eleitorado e outros que chegaram ao cargo constitucionalmente após o afastamento do titular.
José Sarney governou de 1985 a 1990, depois de assumir no lugar de Tancredo Neves.
Fernando Collor de Mello, eleito em 1989, assumiu em março de 1990. Seu governo terminou em 1992, durante o processo de impeachment.
O vice-presidente Itamar Franco assumiu a Presidência e permaneceu no cargo até o final de 1994.
Fernando Henrique Cardoso venceu as eleições de 1994 e assumiu em 1995. Foi reeleito em 1998, tornando-se o primeiro presidente beneficiado pela possibilidade de reeleição consecutiva para o cargo.
Luiz Inácio Lula da Silva venceu as eleições de 2002 e assumiu em janeiro de 2003. Foi reeleito em 2006 e permaneceu na Presidência até o final de 2010.
Dilma Rousseff venceu em 2010, tornando-se a primeira mulher eleita presidente do Brasil. Foi reeleita em 2014 e permaneceu no cargo até 2016, quando sofreu impeachment.
O vice Michel Temer assumiu definitivamente a Presidência em agosto de 2016 e permaneceu até o final de 2018.
Jair Bolsonaro venceu a eleição presidencial de 2018 e governou de janeiro de 2019 a janeiro de 2023.
Em 2022, Lula voltou a vencer uma eleição presidencial. No segundo turno, recebeu 60.345.999 votos, equivalentes a 50,90% dos votos válidos, contra 58.206.354 de Jair Bolsonaro.
Lula iniciou seu terceiro mandato em 1º de janeiro de 2023.
Agora, em 2026, o Brasil realiza mais uma eleição presidencial dentro do período democrático iniciado com a redemocratização.
Da cédula de papel à urna eletrônica
Outra transformação histórica ocorreu na maneira como o brasileiro registra seu voto.
Durante décadas, as eleições foram realizadas com cédulas de papel depositadas em urnas físicas. A contagem era manual e podia levar dias.
A informatização começou antes mesmo da urna eletrônica.
Em 1985 teve início a criação de um cadastro eleitoral nacional informatizado. Em 1994, a totalização dos resultados já passou a ser feita eletronicamente, embora a apuração dos votos ainda fosse manual.
Em 1995 começou o desenvolvimento do equipamento que mudaria definitivamente a votação brasileira.


1996: nasce a urna eletrônica
A urna eletrônica foi utilizada pela primeira vez nas eleições municipais de 1996.
Naquele ano, aproximadamente um terço do eleitorado brasileiro votou eletronicamente.
O equipamento foi utilizado em 57 municípios, abrangendo as capitais — com a configuração prevista naquele pleito — e cidades com mais de 200 mil eleitores.
Foram 32.478.153 eleitores alcançados pela votação eletrônica, correspondentes a aproximadamente 32% do eleitorado.
O modelo já trazia uma característica que permanece familiar aos brasileiros: o teclado numérico semelhante ao de um telefone.
Expansão foi rápida
Dois anos depois, nas eleições de 1998, a votação eletrônica chegou a 537 municípios e alcançou 61.111.922 eleitores.
Em 2000 ocorreu um marco: todos os municípios brasileiros passaram a utilizar o voto eletrônico.
Naquele pleito, 109.780.071 eleitores foram alcançados pelo sistema.
Em 2002, pela primeira vez uma eleição presidencial brasileira foi realizada de forma totalmente informatizada em todo o país.
Desde então, a urna eletrônica tornou-se parte da rotina eleitoral dos brasileiros.
De 82 milhões para mais de 158 milhões de eleitores
O tamanho do eleitorado também mostra quanto o Brasil mudou desde a retomada das eleições presidenciais diretas.
Em 1989, quando os brasileiros voltaram a escolher diretamente um presidente depois de quase três décadas, eram pouco mais de 82 milhões de eleitores aptos.
Em 2022, o número havia chegado a 156.454.011.
Agora, nas Eleições Gerais de 2026, o cadastro eleitoral registra 158.765.543 pessoas aptas a votar.
São mais de 76 milhões de eleitores a mais do que havia na histórica eleição presidencial de 1989.
Paraná tem 8,6 milhões de eleitores
O Paraná chega às Eleições 2026 com 8.609.026 eleitores aptos.
Pela primeira vez, o Estado aparece como o quinto maior colégio eleitoral do Brasil.
À frente estão São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia.
São Paulo possui 34.104.226 eleitores; Minas Gerais, 16.377.659; Rio de Janeiro, 12.857.000; Bahia, 11.321.005; e o Paraná, 8.609.026.
Os cinco estados concentram mais da metade do eleitorado brasileiro.
No Paraná, 53% do eleitorado é feminino e 47% masculino. O Estado também apresenta um dos maiores índices de biometria eleitoral do país.
Eleições gerais definem diferentes níveis de representação
Nas eleições municipais, os brasileiros escolhem prefeitos, vice-prefeitos e vereadores.
Nas eleições gerais, realizadas a cada quatro anos, o eleitor participa da definição dos representantes dos poderes Executivo e Legislativo nas esferas federal e estadual.
Neste domingo (4), cada eleitor fará seis escolhas na urna:
Deputado federal;
Deputado estadual ou distrital;
Senador – primeira vaga;
Senador – segunda vaga;
Governador;
Presidente da República.
Em 2026, cada eleitor votará em dois candidatos diferentes para o Senado porque dois terços das cadeiras da Casa estão sendo renovados.
O voto como instrumento da democracia
Ao longo da história brasileira, o direito de escolher os governantes nem sempre esteve disponível a todos e, em determinados períodos, a população sequer pôde escolher diretamente o presidente da República.
Por isso, o voto representa mais do que o ato de apertar números e confirmar uma escolha na urna.
É o instrumento pelo qual cada cidadão participa da definição dos representantes responsáveis por elaborar leis, fiscalizar governos, administrar estados e conduzir o país.
Deputados e senadores participam da elaboração e votação das leis e da fiscalização do Poder Executivo. Governadores administram os estados. O presidente conduz o Poder Executivo federal.
O voto individual possui o mesmo valor independentemente da renda, profissão ou posição social do eleitor. O resultado coletivo das urnas é formado pela soma dessas escolhas individuais.
A democracia também pressupõe liberdade de escolha. Cabe ao eleitor avaliar candidatos, propostas, trajetória e atuação política para decidir em quem depositará sua confiança.
Uma história que continua neste domingo
Da eleição presidencial de 1894 à interrupção das eleições diretas; da campanha pelas Diretas Já à histórica votação de 1989; das cédulas de papel à chegada da urna eletrônica em 1996; dos 82 milhões de eleitores de 1989 aos mais de 158 milhões de 2026, o sistema eleitoral brasileiro passou por profundas transformações.
Neste domingo, 4 de outubro, mais um capítulo será escrito.
Milhões de brasileiros entrarão nas cabines de votação e, diante da urna eletrônica, exercerão um direito que esteve ausente em diferentes momentos da história nacional: escolher diretamente seus representantes.
No Paraná, serão 8,6 milhões de eleitores participando dessa decisão. No Brasil, mais de 158,7 milhões.
É por meio dessas escolhas individuais, transformadas no resultado coletivo das urnas, que o eleitor participa da construção dos próximos quatro anos da história política brasileira.





