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Diocese de Toledo lança Campanha da Fraternidade 2026 com foco na moradia digna

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Foto: Paulo Weber/assessoria

Por Marcos Antonio Santos

Tema “Fraternidade e Moradia” propõe reflexão sobre direito à habitação e compromisso cristão com os mais vulneráveis

A Diocese de Toledo realizou, nesta sexta-feira (13), na Cúria Diocesana, a cerimônia de apresentação da mensagem do bispo diocesano, Dom João Carlos Seneme, marcando oficialmente o lançamento da Campanha da Fraternidade 2026.

Com o tema “Fraternidade e Moradia”, inspirada na passagem bíblica “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a campanha convida os fiéis a refletirem sobre a presença de Deus que vem habitar no meio da humanidade e, ao mesmo tempo, sobre a realidade de milhares de pessoas que não possuem moradia digna.

A proposta vai além de discutir apenas a falta de casas. A Igreja provoca cada fiel a se questionar:
— Permito que Deus faça morada em meu coração?
— Rezo, jejuo e pratico a caridade pelos irmãos e irmãs que não têm onde morar?
— Minha cidade oferece condições de acesso à moradia digna?

A mobilização envolve os 19 municípios que compõem a Diocese de Toledo e pretende despertar consciência social e atitudes concretas de solidariedade.


Quaresma: caminho de conversão e mudança de atitude

Em sua mensagem, Dom João Carlos destacou que a Quaresma é um tempo privilegiado de conversão, purificação do coração e preparação para a Páscoa.

Segundo ele, a vivência quaresmal se sustenta nos três pilares fundamentais da tradição cristã: oração, jejum e caridade.

“A oração é o nosso encontro com Deus. É quando olhamos para nós mesmos à luz de Jesus Cristo. O jejum nos ajuda a frear nossas tendências humanas, muitas vezes voltadas apenas à satisfação dos próprios desejos. E a caridade nos impulsiona a olhar para o mundo e para aqueles que mais sofrem”, afirmou.

O bispo ressaltou que essas práticas não são simples sacrifícios exteriores, mas representam um verdadeiro reordenamento das relações humanas. “Elas nos ajudam a reorganizar nossa vida: nossa relação com Deus, com o próximo e conosco mesmos. Esse é o caminho da conversão”.

Dom João também enfatizou que a religião católica é essencialmente comunitária. “Nós não rezamos pensando apenas em nós mesmos. A conversão nunca é um ato isolado. Paróquias, famílias e grupos são chamados a caminhar juntos, rezar juntos, jejuar juntos e refletir junto”.

Ele recordou que a Campanha da Fraternidade é o gesto concreto da Igreja no Brasil para viver a Quaresma de forma comprometida com a realidade social. Neste ano, a temática da moradia provoca a Igreja a olhar de maneira especial para aqueles que enfrentam dificuldades para ter um lar digno.


Escuta de Deus e escuta dos pobres

Outro ponto central da mensagem foi a importância da escuta. Dom João afirmou que escutar a Palavra de Deus implica também escutar o clamor dos que sofrem.

“Quando aprendemos a ouvir a Deus, nosso coração se educa para reconhecer, entre tantas vozes, aquela que brota da dor, da injustiça e da exclusão”, destacou.

Para ele, recolocar Deus no centro da vida leva necessariamente ao reconhecimento do rosto de Cristo nos irmãos mais vulneráveis. “Somos chamados a reconhecer o Cristo, principalmente, nos que mais sofrem.”

Ao final, o bispo convidou todos a viverem esse tempo como presente de Deus para a conversão. “Que possamos ter um coração maior, mais livre, palavras mais suaves e atitudes mais fraternas. Que este tempo nos prepare, com alegria e responsabilidade, para celebrar a Páscoa do Senhor”.

Marinês Bettega. Dom João e Adriana Malacarne. Foto: Paulo Weber/assessoria

A realidade da moradia: desafio também regional

Durante o lançamento, integrantes da Cáritas Diocesana de Toledo aprofundaram a reflexão sobre a realidade da moradia.

Marinês Bettega destacou que, embora na região não seja comum encontrar grandes concentrações de pessoas em situação de rua, existem muitas famílias vivendo em condições precárias. São pessoas que moram de favor, em fundos de terrenos, em casas improvisadas ou sem acesso adequado a saneamento básico, água tratada e infraestrutura.

“Às vezes culpamos os pobres, dizendo que não batalharam o suficiente. Mas a pobreza coloca a pessoa em condição de indignidade. Moradia digna é direito, não privilégio”, afirmou.

Ela lembrou que, no Brasil, milhões de pessoas vivem em habitações precárias, muitas sem acesso regular a água encanada ou esgoto. Para a representante da Cáritas, é fundamental compreender que a garantia da moradia é responsabilidade compartilhada entre poder público e sociedade.

Adriana Malacarne explicou que serão promovidos encontros nas comunidades para dialogar sobre o tema. A proposta é ouvir as pessoas, resgatar memórias relacionadas à história da moradia em cada localidade e refletir sobre caminhos possíveis.

“Não basta perguntar se temos uma casa. Precisamos perguntar se essa moradia oferece dignidade. Como vivem as pessoas naquele espaço? Que políticas públicas existem? Como podemos orientar e facilitar o acesso à informação?”, destacou.

Segundo ela, o conhecimento precisa ser partilhado para que mais pessoas tenham condições de buscar seus direitos e participar ativamente da construção de uma sociedade mais justa.

Padre André Boffo. Foto: Paulo Weber/assessoria

O símbolo da campanha: Cristo sem teto

O cartaz da Campanha da Fraternidade 2026 traz a imagem da escultura “Homeless Jesus”, criada em 2012 pelo artista canadense Timothy Schmalz. A obra representa Jesus deitado em um banco de praça, coberto por um manto que esconde o rosto, mas deixa visíveis as chagas nos pés.

O padre André Boffo Mendes explicou que a imagem provoca uma forte reflexão. O banco possui um espaço vazio, simbolizando que sempre há lugar para quem decide se aproximar e reconhecer Cristo na pessoa que sofre.

“A campanha não é apenas sobre quem está em situação de rua. Ela nos faz pensar sobre a maneira como moramos, sobre as dificuldades que muitos enfrentaram para conquistar sua casa e sobre aqueles que ainda vivem em condições provisórias ou precárias”, afirmou.

Segundo o sacerdote, a palavra “digna” é central. “Moradia digna faz toda a diferença. É essa reflexão que somos chamados a fazer nas comunidades.”


Com o lançamento da Campanha da Fraternidade 2026, a Diocese de Toledo inicia um período de intensa mobilização pastoral e social. A proposta é que a reflexão quaresmal se transforme em ações concretas, fortalecendo a fraternidade e promovendo a dignidade humana, especialmente por meio do compromisso com o direito à moradia para todos.

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Edição nº2807 – 29/01/2026

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