Os olhos de Toledo e da região Oeste estão cravados no calendário. Dia 30, sexta-feira, não é apenas mais uma data administrativa. É um divisor de águas.
Ou o poder público reage — ou confirma que o discurso de moralidade é apenas verniz institucional.
Dois fatos gravíssimos caminham em paralelo, ambos com vencimento nesta mesma data, ambos capazes de redefinir a credibilidade do Legislativo e do Executivo municipal.
Caso “kit-propina”: o Legislativo no banco dos réus
A audiência judicial envolvendo vereadores acusados de pedido de propina a empresário — o já conhecido caso do “kit-propina” — expõe uma ferida aberta no Legislativo.
Aqui não se discute narrativa política. Discute-se crime contra a administração pública.
O que se espera: apuração técnica; responsabilização individual; fim do corporativismo silencioso.
O que se teme: empurrar com a barriga; apostar no esquecimento; usar o tempo como aliado da impunidade.
Quando um vereador senta no banco dos réus, não é só ele que está em julgamento. É a Câmara inteira.
IDEAS e o HRT: contrato que já “ensejaria resolução”
No mesmo dia 30, vence o prazo da Notificação Extrajudicial enviada ao
Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (IDEAS), responsável pela gestão do Hospital Regional de Toledo. A notificação tem base no Contrato nº 0523/2023, firmado em 21 de junho de 2023, e é cristalina:
“As inconsistências relatadas já ensejariam a resolução do contrato.” Não se trata de ameaça política. Trata-se de consequência contratual.
A pergunta é direta: O IDEAS vai cumprir? Ou vai levantar acampamento? há indÍcios de que isso aconteça em poucos dias. Porque, juridicamente, o contrato já oferece base suficiente para ruptura.
“Urubus ligadão”: o poder observado de perto
Quatro observadores atentos — e bem posicionados — estarão “de plantão”: Dois no entorno do Centro Cívico, aguardando o desfecho judicial; um no prédio do Executivo; outro no próprio HRT.
Não para interferir.
Mas para registrar quem cumpre a lei… e quem corre dela.Decisão judicial tem tempo próprio — e deve respeitá-lo. Mas contrato administrativo tem prazo, regra e consequência.
Notificados, sim. Surpresos, não.
O IDEAS já foi notificado. Teve prazo. Teve base legal. Teve advertência formal. Se nada for feito, a omissão não será técnica. Será política. E omissão, nesse caso, também é ato administrativo — e passível de responsabilização.
Quem fiscaliza o contrato? (ou deveria fiscalizar)
Aqui a pergunta incomoda — e precisa incomodar. Os principais fiscais do contrato, vinculados à Secretaria de Saúde: não oficializaram irregularidades; não reagiram a falhas graves e, porque, não cobraram formalmente o contratado lá atras? Por que não seguiram os passos da atual secretária que os notificou por várias vezes? Mais grave ainda: prestação de contas com páginas faltando.
Relatório “capenga”: cadê o controle?
O relatório assistencial do HRT de setembro de 2025: deveria ter 100% das páginas, no entanto, no Portal da Transparência da SMS, constam apenas as páginas ímpares.
Ou seja: 50% do relatório simplesmente desapareceu. E ninguém viu? Ninguém questionou? Ninguém cobrou?
Cade os fiscais? Nenhum alerta;nenhuma exigência de complementação;nenhuma manifestação pública.E o “andar de cima” da comissão? O que fez? O que aprovou? O que fingiu não ver?
Erro grosseiro… ou escolha consciente?
Quando páginas somem, fiscais se calam e comissões não analisam, surgem três hipóteses: Incompetência, negligência ou conivência Nenhuma é aceitável. Todas são graves.
Que pelo menos nessa próxima sexta-feira de decisão ou de decepção, seja marcado um início da correção de rumos; ou a confirmação de que a lei só vale para alguns.
A cidade está olhando. A região está olhando. E o silêncio, agora, grita. A pergunta final é simples — e incômoda: Quem fiscaliza os fiscalizadores?
Tem dia e hora marcada para ir embora?
Não posso afirmar. A informação não veio dos meus “urubus”, mas de funcionários que ouviram conversas de bastidores.
O nome que circula é 3 de fevereiro, tratado como último dia. Boato? Talvez.
Mas silêncio, nesse caso, só aumenta o barulho.
Sem salários
Hoje, segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, os colaboradores ligados ao Instituto IDEAS que atuam no HRT, ainda não receberam o salário relativo ao mês de dezembro.
Honrar Toledo
Toledo nunca foi conhecida por escândalos. Construiu sua história na força do trabalho, na organização social e na confiança de que o poder público, mesmo imperfeito, jamais flertou com o embuste como método.
É por isso que o momento exige mais do que decisões formais. Exige gestos institucionais.
O Ministério Público e o Judiciário não são chamados aqui a inovar, mas a honrar a cidade que sempre respeitou a lei. Quando surgem indícios graves — seja na gestão de contratos públicos, seja no rumoroso caso do embuste travestido de propina — não agir é permitir que exceções contaminem uma trajetória limpa.
A Justiça não pune por pressão, mas protege pelo exemplo.
E o exemplo, agora, precisa ser claro: Toledo não compactua com falcatruas, nem tolera atalhos, nem aceita que o silêncio substitua a legalidade. Que o diga o denunciante dos achacadores.
Que as decisões que se avizinham não sejam lembradas como omissões, mas como o dia em que as instituições disseram, com firmeza: aqui, não.





