Um dos meus “urubus-eleições” voltou a grunhir. Desta vez, a história envolve um comitê eleitoral de Toledo, trabalhadores contratados para fazer campanha e um acerto que, segundo os relatos, não teria terminado exatamente como combinado.
Mais de 20 pessoas teriam sido chamadas para receber pelos serviços prestados. O problema é que, segundo uma das mensagens, havia contrato, prazo definido e um valor acertado. Na hora do pagamento, porém, a conversa teria mudado: quem esperava receber o combinado teria ouvido que receberia apenas uma parte.
E quando trabalhador começa a perguntar pelo restante, a conversa parece ter ficado mais séria. Teria até surgido a informação de que policiais estariam no comitê para acompanhar o acerto.
O detalhe curioso é que, depois do episódio, um dos trabalhadores afirma que recebeu apenas metade do que esperava e anunciou que procuraria a Justiça Eleitoral.
O vereador no centro da conversa
O nome citado nos relatos a esse jornalista é o do vereador e candidato a deputado estadual Roberto de Souza, do PT.
Ficam algumas perguntas bastante simples: havia contrato? Qual era o valor combinado? Por que o pagamento teria sido reduzido? E por que a presença policial seria necessária para acompanhar um acerto com trabalhadores da própria campanha? Isso já esta postado o divulgacand? Eleição é disputa política. Pagamento de trabalhador é outra história. E, neste caso, parece que o “Urubu-Eleições” não estava apenas sobrevoando o comitê. Isso pode dar muita dor de cabeça.
Eleição começou: propostas na gaveta, acusações na rua
Basta chegar o período eleitoral para a velha política tirar o pó do paletó, abrir os arquivos e descobrir que o passado pode ser uma excelente ferramenta quando faltam argumentos para falar do futuro.
No cenário nacional, estadual e local, a fórmula é conhecida: acusações, ataques, versões convenientes e muita indignação seletiva. Propostas? Essas parecem ter ficado esperando a próxima reunião.
Para a Presidência, é um acusando o outro. No Estado, um diz que fez, outro diz que não fez e um terceiro, estrategicamente, só enxerga os dois mais fortes para tentar derrubá-los. Em Toledo, a criatividade também não anda muito alta.
O mais curioso é que estamos diante de uma eleição para deputados. Mas há candidato e grupo político ressuscitando problemas de administrações municipais antigas como se a urna fosse escolher o próximo prefeito.
Talvez seja falta de proposta. Talvez seja falta de assunto. Ou talvez o passado seja mesmo mais confortável para quem não tem muito o que oferecer ao futuro.
O contraponto que incomodou
Foi nesse ambiente que o vereador Professor Oseias ocupou a tribuna da Câmara para colocar alguns fatos no lugar.
A discussão envolvia José Carlos de Jesus, servidor relacionado às obras do Hospital Regional de Toledo, e tentativas de associar seu nome e sua atuação a fatos investigados na obra.
Oseias apresentou portarias e fez uma pergunta bastante incômoda para quem tenta escolher convenientemente um culpado: quem nomeou o servidor durante o período em que ocorreram os fatos investigados?
A resposta está nos documentos apresentados pelo vereador.
A memória eleitoral é seletiva
José Carlos não apareceu na administração Beto Lunitti por obra do acaso. Oseias lembrou que ele já havia ocupado função na gestão Schiavinato, mas voltou a ser designado durante o governo Beto.
E aqui está o detalhe que parece ter sido convenientemente esquecido.
A Portaria nº 501, de 29 de novembro de 2016, assinada por Beto Lunitti, designou José Carlos para responder pela Direção Técnica de Engenharia do Hospital Regional.
Portanto, quando se pretende discutir responsabilidade, não basta escolher uma gestão, um nome ou uma fotografia.
É preciso contar a história inteira.
“Superdiretor” só serve quando interessa
Também chamou atenção a tentativa de apresentar o servidor como alguém com “superpoderes”.
Oseias foi direto ao lembrar que ocupar uma função técnica não significa ser o responsável por todas as decisões políticas de uma administração.
E aqui entra uma pergunta que vale mais do que qualquer discurso eleitoral: quem efetivamente decidia?
Porque cargo, portaria e responsabilidade política não são necessariamente a mesma coisa.
Onde estavam os fatos?
Oseias também sustentou que os fatos relacionados às acusações e aos depósitos mencionados no processo ocorreram durante a administração Beto Lunitti.
Isso não significa antecipar julgamento nem retirar do servidor o direito de defesa. Ao contrário: se há investigação e processo, que se apure tudo e que cada responsável responda pelo que efetivamente fez.
O problema começa quando um processo judicial passa a ser usado como panfleto eleitoral.
A pergunta que ninguém quer responder
Se o objetivo é realmente esclarecer o caso, então não deveria haver dificuldade em responder:
Quem nomeou?
Quem fiscalizava?
Quem acompanhava?
Quem autorizava?
Quem decidia?
Quem sabia?
E, principalmente, por que agora, justamente em ano eleitoral, algumas versões resolveram escolher como alvo uma gestão que, segundo os documentos apresentados em plenário, não estava no comando quando os fatos investigados ocorreram?
E as mensagens?
Há ainda documentos, registros e mensagens que podem ajudar a esclarecer o que aconteceu. Algumas pessoas preferem guardar mensagens a sete chaves.
É um direito. Mas quem decide transformar o passado em discurso eleitoral deveria lembrar que arquivos também podem ter memória — e que, quando abertos na hora e na instância certas, podem contar uma história bem diferente daquela apresentada no palanque.
Santinho é fácil. Responsabilidade é outra coisa.
Em ano eleitoral, é impressionante como surgem candidatos que parecem ter acabado de desembarcar na política sem passado, sem aliados antigos e sem qualquer relação com decisões tomadas por seus grupos.
O problema é que Toledo é pequena.
As pessoas lembram. Os documentos existem. As portarias existem. Os processos existem.
E, principalmente, quem participou da política por anos não pode agora agir como se tivesse acabado de descobrir que administração pública envolve decisões, responsabilidades e consequências.
Mas a eleição é para deputado
Talvez seja necessário lembrar o básico. A eleição é para deputado estadual e federal.
Não é para prefeito.
Então, em vez de gastar a campanha inteira revirando obras e administrações municipais de anos atrás, seria interessante ouvir o que os candidatos pretendem fazer daqui para frente.
Quais recursos vão trazer?
Quais projetos vão defender?
Quem vão representar?
O que pretendem conquistar para Toledo e para o Oeste? Porque, até aqui, alguns parecem muito interessados em explicar o passado dos outros.
Sobre o próprio futuro político, ainda se ouve pouco.
E quando uma candidatura precisa passar mais tempo olhando pelo retrovisor do que apresentando o caminho pela frente, talvez o problema não esteja no passado. Talvez esteja justamente na falta de propostas para o futuro.
Solidariedade ao Celeiro
A Associação Toledana de Turismo Rural (ATTUR) manifestou solidariedade aos proprietários, familiares, colaboradores e toda a equipe do Restaurante Celeiro, atingido por um incêndio que destruiu o estabelecimento, em Vila Nova.
Em nota assinada pelo presidente Valério Augusto Mazzarollo, a entidade destacou a importância do Celeiro para o turismo rural e a gastronomia da região e desejou força para que a reconstrução possa começar em breve.
Mais do que uma mensagem institucional, é o reconhecimento de um empreendimento que ajudou a construir a identidade turística de Toledo e que agora enfrenta um dos momentos mais difíceis de sua trajetória.





