Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Fonte de dados meteorológicos: Wettervorschau 30 tage
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Derivados da tilápia incluem couro, curativo médico e até sorvete

h

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Foto: Reprodução/Sistema FAEP/SENAR-PR

A exemplo do bovino, do qual se aproveita tudo, pescado mostra que suas possibilidades vão muito além da produção de proteína

Sorvete, couro e curativo médico. O que esses itens têm em comum? Têm a mesma matéria prima: a tilápia do Nilo, espécie de peixe que lidera as criações em cativeiro no Brasil. O Paraná lidera a produção nacional, com um terço de toda tilápia cultivada no país e se prepara para ampliar essa posição. A expectativa é de que as 188 mil toneladas produzidas no Estado em 2021 saltem para 376 mil toneladas em 2027.

O que muitos não sabem é que o filé do pescado, hoje considerada a parte mais nobre comercializada, pode ser apenas a ponta do iceberg. Existe uma série de usos alternativos, não apenas para a proteína, mas para outras partes do peixe, que hoje são refugadas no processo industrial, como a pele.

“A aquicultura é uma cadeia estruturada e consolidada aqui no Paraná, na qual somos referência nacional. Essa relevância também é sustentada pela diversificação propiciada pelo produto. Hoje, a diversas utilizações do peixe, com todas suas partes aproveitadas em diferentes processos. Tudo isso valoriza ainda mais a cadeia produtiva” (Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino do Sistema FAEP).

Uma das iniciativas mais nobres nesse sentido vem do Ceará, onde pesquisadores desenvolveram produtos com a pele de tilápia utilizados no tratamento de queimaduras. A pele do peixe funciona como um curativo que, quando acondicionado sobre as feridas, evita a perda de líquidos, impede a contaminação e reduz o tempo de tratamento em até dois dias. Sem contar que o curativo não precisa ser trocado diariamente, evitando dor e desconforto aos pacientes.

“O Brasil nunca teve nenhuma pele animal registrada na Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] para tratamento de queimaduras. Temos quatro bancos de pele humana. Porém, a quantidade produzida por eles é insuficiente para os tratamentos. Tenho 44 anos de labuta na área de queimaduras e só utilizei pele humana duas vezes”, revela o médico Edmar Maciel Lima Jr., coordenador geral desta pesquisa com a pele de tilápia.

Segundo Lima, a opção pela pele da tilápia se deu em função da disponibilidade do peixe e pelos bons resultados encontrados em testes. “No estudo histológico vimos que a pele da tilápia tem a proteína colágeno tipo 1 em maior quantidade do que a pele humana, além de ser resistente à tração e ter um bom grau de umidade”, diz. Essa pesquisa hoje está presente em nove países, envolve 300 pesquisadores e já recebeu 19 prêmios. “Começou com os estudos na área de queimaduras, hoje em dia é sucesso nas feridas de animais, na ginecologia e na odontologia”, afirma o médico.

Sorvete inusitado

Mas as possibilidades da tilápia na área da saúde ainda vão além. Em 2019, a doutoranda do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural Sustentável da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) Ana Maria da Silva desenvolveu um produto inusitado para auxiliar a alimentação da filha, que na época estava grávida e enfrentava um câncer.

O tratamento quimioterápico causava feridas na boca da jovem, dificultando a alimentação. Um dos poucos alimentos que traziam algum alívio era sorvete, que, por ser gelado, aliviava as dores. Porém, seu valor nutricional era insuficiente. Diante disso, Ana Maria decidiu inserir a proteína de peixe no sorvete. Por meio de um processo que transforma a carne da tilápia em líquido, foi possível criar um sorvete rico em proteína, que mantém as características e o sabor da sobremesa.

Em outubro, o sorvete de tilápia conquistou o terceiro lugar na Maratona de Inovação do Pescado no AgriFutura, principal encontro da cadeia produtiva do pescado da América Latina.

Usos diversos

Outro projeto que chama a atenção vem do litoral do Paraná. Por lá, iniciativas transformam a pele, não apenas da tilápia, mas também de outras espécies de peixes, em couro, utilizado para fazer bolsas, sapatos e diversos itens de artesanato. Recentemente, o cantor brasileiro de pagode Rodriguinho estreou um tênis totalmente produzido em couro de tilápia nas cores da bandeira brasileira.

O potencial da pele de tilápia também já foi identificado pelas cooperativas, responsáveis pela maior parte da produção estadual. A C.Vale, por exemplo, exporta 75 toneladas de pele de tilápia todos os meses para Taiwan para a produção de cosméticos.

A exemplo do bovino, do qual se aproveita “até o berro”, em referência ao uso de todas as partes do animal, o pescado também mostra que tem muito mais a oferecer do que apenas proteína. E o Paraná tem todas as condições de aproveitar essas oportunidades.

Veja também

Publicações Legais

Edição nº2810 – 24/02/2026

Cotações em tempo real