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Depois de 36 anos, Toledo volta a ficar sem eleger deputado federal

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A ausência de um representante de Toledo na Câmara dos Deputados após as eleições de 2026, situação que não ocorria desde 1990, mesmo com oito nomes ligados ao município na disputa por uma vaga em Brasília. Foto: Fabio Ulsenheimer

Da Redação

Município teve oito candidatos na disputa de 2026, mas nenhum conquistou uma das 30 cadeiras do Paraná na Câmara dos Deputados

Toledo encerrou as Eleições Gerais de 2026 sem eleger nenhum deputado federal diretamente ligado ao município. O resultado quebra uma sequência histórica iniciada em 1994 e faz a cidade voltar a uma situação que não ocorria desde 1990. Naquele pleito, Toledo também terminou a eleição sem conquistar uma cadeira própria na Câmara dos Deputados. A representação voltou quatro anos depois, com a eleição de Dilceu Sperafico, em 1994.

A ausência de um nome eleito em 2026 chama atenção porque Toledo entrou na disputa com oito candidatos a deputado federal. Mesmo com uma oferta ampla de nomes ao eleitorado local, nenhum conseguiu conquistar uma das 30 vagas destinadas ao Paraná na Câmara dos Deputados.

O resultado recoloca em debate a capacidade de Toledo de transformar seu peso econômico, populacional e eleitoral em representação política direta em Brasília.

A história da representação federal do município mostra uma trajetória marcada por diferentes lideranças. Entre os nomes que já representaram Toledo na Câmara dos Deputados estão Egon Werner Bercht, Ernesto Dall’Oglio, Antônio Mazurek, Nelton Miguel Friedrich, Dilceu Sperafico, José Carlos Schiavinato e Elton Welter.

Egon Werner Bercht aparece como um dos primeiros representantes federais ligados ao município. Depois vieram Ernesto Dall’Oglio, Antônio Mazurek e Nelton Miguel Friedrich, que exerceu mandato federal até o início da década de 1990.

Foi justamente naquele período que Toledo viveu sua última eleição sem conseguir eleger um deputado federal antes do resultado registrado agora, em 2026.

Em 1994, Dilceu Sperafico iniciou um novo ciclo de representação. Naquele ano, foi eleito deputado federal e abriu uma longa sequência de mandatos ligados ao município.

Sperafico acabou se tornando uma das figuras de maior permanência da política toledana em Brasília. Foi eleito pela primeira vez em 1994 e posteriormente renovou o mandato em várias eleições, construindo uma extensa trajetória na Câmara dos Deputados.

Mais tarde, Toledo também passou a ter a representação de José Carlos Schiavinato, que chegou à Câmara após ter sido prefeito do município e deputado estadual. Já na legislatura iniciada em 2023, Toledo voltou a contar com dois nomes ligados diretamente à cidade: Dilceu Sperafico e Elton Welter.

Esse cenário, porém, não se repetiu nas urnas de 2026.

Entre os candidatos ligados a Toledo, Dilceu Sperafico foi novamente um dos mais votados no município, mas não conseguiu conquistar uma vaga direta. Elton Welter também tentou permanecer na Câmara, porém terminou a disputa sem assegurar uma das cadeiras.

Ademar Dorfschmidt e Professora Marli do Esporte também obtiveram votações expressivas dentro do município. Além deles, outros nomes ligados a Toledo participaram da corrida eleitoral, totalizando oito candidaturas locais para deputado federal.

O sistema de eleição para deputado federal é proporcional. Isso significa que não basta apenas a votação individual do candidato. O resultado depende também do desempenho do partido ou da federação, da distribuição das cadeiras e da posição de cada candidato dentro de sua própria legenda.

Por isso, um candidato pode ter uma votação expressiva em sua cidade e ainda assim não conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados.

O resultado de 2026 mostra que a quantidade de candidaturas, por si só, não garante representação. A dispersão de votos entre vários nomes pode reduzir a força individual de cada candidatura, especialmente quando elas disputam espaço dentro de partidos e federações diferentes.

Ao mesmo tempo, seria simplista atribuir a ausência de eleitos apenas à divisão do voto local. Para conquistar uma cadeira de deputado federal, o candidato precisa construir votação competitiva em várias regiões do Estado e ainda depender do desempenho da legenda à qual pertence.

É justamente esse ponto que torna o resultado de 2026 relevante para a política local.

Toledo chegou à eleição com oito opções diretamente relacionadas ao município, mas nenhuma conseguiu ultrapassar todas as etapas necessárias para garantir uma vaga. Pela primeira vez em 36 anos, a cidade volta a terminar uma eleição geral sem eleger diretamente um representante para a Câmara dos Deputados.

A comparação histórica reforça o tamanho da mudança. Em 1990, Toledo ficou sem eleger um nome para a Câmara Federal. Quatro anos depois, em 1994, a eleição de Dilceu Sperafico restabeleceu a presença do município em Brasília.

Desde então, diferentes mandatos mantiveram a ligação política de Toledo com a Câmara dos Deputados.

Agora, o cenário volta a ser de ausência de um deputado federal eleito diretamente pelo município.

Isso não significa necessariamente que Toledo ficará sem qualquer acesso à representação parlamentar durante toda a próxima legislatura. Candidatos que ficaram na suplência podem assumir mandatos temporária ou definitivamente caso titulares sejam chamados para outras funções, se afastem ou deixem o cargo.

Mas o fato político produzido pelas urnas é claro: em 2026, nenhum dos oito nomes ligados a Toledo conquistou mandato de deputado federal.

O resultado também deve provocar uma avaliação das estratégias adotadas pelos partidos e lideranças locais. Toledo possui uma das maiores economias do Oeste do Paraná, forte presença agroindustrial, crescimento tecnológico e uma população eleitoral expressiva. Mesmo assim, terminou o pleito sem converter essa força em uma cadeira própria na Câmara.

Mais do que uma derrota individual de candidatos, a eleição de 2026 abre uma discussão sobre a organização política do município, a capacidade de ampliar votos para além das fronteiras locais e a necessidade de maior articulação entre lideranças.

Depois de 36 anos, Toledo volta a enfrentar uma realidade que parecia distante: iniciar uma nova legislatura sem um deputado federal eleito diretamente pelas urnas.

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Edição nº2831 – 07/10/2026

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