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Decreto decorativo

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Na gestão passada, decreto parecia ter valor apenas estético.
Foi assinado, publicado e tratado como peça de decoração administrativa.

O auxílio-alimentação prometia 11 meses. Pagaram 10.
O que faltou não foi dinheiro. Faltou respeito ao próprio ato oficial.

A culpa é de quem lê

Quando os servidores recorreram à Justiça para cobrar o que estava escrito no decreto, a resposta foi digna de manual da arrogância pública.

Em reunião da CFO, secretários da época garantiram que estavam certos, e que o vereador professor Oseias que cobrava estaria “interpretando errado”.
Documento assinado, publicado e descumprido.
Errado, ao que parece, era quem sabia ler.

Decreto não vence o juiz

O discurso era firme: decreto é decreto. A realidade também: juiz é juiz.

A Justiça fez o que o bom senso já havia feito há tempos — reconheceu que promessa oficial não é sugestão e que decreto não se cumpre pela metade.

O acordo que sobrou

O desfecho coube à atual gestão.
Não por escolha política, mas por obrigação legal e respeito ao servidor.

Assumiu-se um acordo amargo, herdado de quem assinou, publicou e não cumpriu.
Fica o aviso para futuras gestões: papel cobra, tempo cobra,
e a Justiça sempre cobra com juros.

Com IDEAS notificado, agora o caos tem prazo

Demorou, mas finalmente aconteceu: a Prefeitura de Toledo notificou oficialmente o Instituto IDEAS, gestor do Hospital Regional (HRT), dando 15 dias para a OS se explicar diante de apontamentos graves de descumprimento contratual.

E aqui é preciso dizer o óbvio: não é perseguição. É reação tardia.

Porque IDEAS não é novidade.
O instituto carrega um rastro de denúncias e questionamentos pelo Brasil. Araucária já rescindiu por inexecução, glosas, multas e risco assistencial. Em outros lugares, o roteiro é parecido: problema operacional, fornecedor sem receber, falta de médico, falta de insumo… e dinheiro rodando.

Enquanto isso, Toledo foi empurrada para o papel mais humilhante possível: pagar e apanhar.

Nas planilhas, o rombo do HRT já passaria de R$ 22 milhões. E déficit em hospital não vira só planilha: vira fila, vira colapso, vira gente morrendo na espera.

E o mais cínico: Toledo banca cerca de R$ 1,7 milhão por mês, mas menos da metade das internações seriam de moradores da cidade. Traduzindo: Toledo virou caixa eletrônico regional.

A notificação assinada por Costenaro e Adriane muda o jogo: agora não é conversa de gabinete, é contrato, prazo e consequência. Se o IDEAS não responder e não corrigir, o caminho é claro: glosa, multa e rescisão.

E a Câmara? Ou fiscaliza com coragem — contrato, metas, escalas, pagamentos, auditorias — ou vai ficar marcada como cúmplice do “segue o jogo”. Sei que, apenas os vereadores da situação estão se movimentando e querem respostas contundentes porque daqui pra frente, se Toledo insistir em normalizar o caos, não será mais omissão. Será escolha política.

Plano “B”?

Não é preciso grande esforço intelectual para entender que o prefeito não tomaria uma decisão dessa magnitude apenas para agradar alguns ou ceder a pressões momentâneas.
Decisões assim só são tomadas quando já existe — ou pelo menos se acredita existir — um plano “B” para o HRT de Toledo.

A demora, que muitos criticaram, talvez nunca tenha sido indecisão.
Pode ter sido cálculo.
Pensar lá na frente, avaliar cenários, medir riscos — e só então agir.

Se foi isso mesmo, o tempo dirá.
Mas uma coisa é certa: ninguém puxa o freio de mão em alta velocidade sem saber onde pretende parar.

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