Ao todo, seis vidas foram salvas no Paraná com a operação realizada em Toledo
Por Fernando Braga
Um ato nobre para salvar vidas envolveu profissionais de saúde do Hoesp/Hospital Bom Jesus e de outros cinco hospitais do Paraná, além de mobilizar equipes da Guarda Municipal de Toledo nesta terça-feira (08/11). Ao todo, seis vidas foram salvas graças à captação de órgãos realizada hoje, depois que a família de um jovem de 18 anos que faleceu nesta madrugada autorizou a doação de seus órgãos.
O jovem foi vítima de um acidente de motocicleta e seus familiares foram sensíveis ao receberem a notícia de que o ente querido sofrera o que popularmente chamamos de ‘morte cerebral’, e diante da situação autorizaram a doação dos órgãos.
Corrida contra o tempo
Com a possibilidade da captação, no início da manhã a Central Estadual de Doação de Órgãos iniciou os preparativos das equipes necessárias. Enquanto a Casa Militar, em Curitiba, cedia o avião que transportaria os profissionais de saúde, hospitais de quatro municípios mobilizavam suas equipes: Hospital Bom Jesus, de Toledo, Uopeccan, de Cascavel, Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba, e Hospital Nossa Senhora do Rocio, também de Curitiba. Os órgãos retirados em Toledo foram levados para as instituições hospitalares mencionadas, além do Banco de Olhos de Cascavel e do Hospital Universitário de Londrina.

A logística necessária para a distribuição dos órgãos em tempo hábil foi feita com o suporte da Casa Militar do Estado do Paraná.
Uma ambulância que opera em Toledo foi disponibilizada para transportar as equipes que desembarcaram no Aeroporto Municipal Luís Dalcanale Filho, enquanto a Guarda Municipal ficou de prontidão com as equipes compostas por seis agentes: GM Casanova, GM Aparecido, GM Pereira, GM Werner, GM Ladeia e GM De Sousa.
Utilizando duas viaturas e duas motocicletas, eles liberaram o trânsito enquanto escoltavam os profissionais de saúde, garantindo a agilidade e rapidez necessárias para o êxito da operação, uma vez que a partir do momento em que os órgãos foram retirados, iniciou-se uma corrida contra o tempo.

Unidos pelo bem
Quanto o avião bimotor da Casa Militar pousou às 10h30 no Aeroporto de Toledo, os agentes da Guarda Municipal já haviam preparado o trajeto que seria percorrido, garantindo o menor tempo possível para a locomoção da ambulância que transportaria os profissionais de saúde.
Às 12h30, a captação dos órgãos estava em andamento e os guardas municipais ficaram a postos para abrir caminho e permitir que a ambulância percorresse o trajeto de volta ao aeroporto no menor tempo possível.

Com os órgãos e profissionais de saúde embarcados, o deslocamento das equipes entre o Hospital Bom Jesus e o aeroporto ocorreu em tempo recorde: 8 minutos. Escoltada pela GM, a equipe médica saiu da unidade hospitalar às 13h e chegou para embarcar no avião às 13h08. Isso só foi possível graças a colaboração dos manifestantes que estão na saída para a PR-182, rodovia que dá acesso ao aeroporto.

Diante da pressa exigida pela operação, as equipes da Guarda Municipal fizeram contato prévio com as pessoas que se encontram nos protestos organizados pela insatisfação com o resultado das eleições. Os manifestantes, solidários a causa nobre que estava sendo atendida em Toledo para salvar vidas, fizeram uma pausa nos protestos para que a rodovia ficasse totalmente liberada, permitindo a passagem dos veículos envolvidos. Os moradores que estão mobilizados na manifestação chegaram a retirar os quebra-molas portáteis que foram colocados no local onde se encontram, depois que um atropelamento foi registrado no último domingo.
Guardas municipais, profissionais de saúde e manifestantes se uniram em prol do sucesso da operação.

Referência nacional
Depois de conversar com os guardas municipais responsáveis pela escolta, a Gazeta de Toledo fez contato com Itamar Weiwanko, coordenador da CIHDOTT (Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante) do Hoesp/Hospital Bom Jesus, para saber como foram realizados os trabalhos.
Soubemos que ao todo, foram captados do jovem que sofreu traumatismo cranioencefálico duas córneas, dois rins, o fígado e o coração. Itamar nos contou também que o Hospital Bom Jesus atua há 17 anos nesse processo, atingindo a média anual de 25 captações de órgãos para transplantes.
O coordenador da CIHDOTT relatou à nossa Reportagem que o trabalho realizado para sensibilizar as famílias dos pacientes que registram falência encefálica (morte cerebral) é de suma importância, pois a autorização para a captação de órgãos é consequência da conscientização desses familiares. E nisso, os profissionais do Hospital Bom Jesus se destacam, conquistando um elevado índice de respostas positivas dos familiares.
No Hospital Bom Jesus, a taxa de conversão entre familiares para autorização de doação de órgãos é de 95%, a maior do Brasil. O número supera até mesmo o índice da Espanha, que é o maior do mundo, tendo como média nacional a taxa de 91%. No Brasil, a média fica em 70%.
Esse trabalho realizado pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação do Bom Jesus faz do hospital referência nacional para transplantes, um ícone para os profissionais de saúde de Toledo.






