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Crise política interna: quem está cuidando da retaguarda de Mário?

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O prefeito Mário Costenaro vem enfrentando um desgaste político que, em boa medida, poderia ser evitado. E o problema não parece estar na falta de trabalho do chefe do Executivo, mas na ausência de uma articulação política capaz de antecipar conflitos, aproximar pessoas e apresentar soluções.

Quem deveria assessorá-lo politicamente precisa compreender que preferências pessoais não podem se sobrepor às necessidades do prefeito, muito menos aos interesses de Toledo. Afinal, assessoria política existe para resolver problemas ou para criar novos?

Vereadores cansaram de mendigar respostas

Vejamos: vereadores da própria base governista demonstram cansaço de solicitar providências para atender demandas dos contribuintes e sequer receber uma resposta de algumas pastas. Na semana que passou, dois deles recorreram à tribuna para cobrar que determinados secretários ao menos respondessem aos pedidos. Nem que fosse um simples não!

Quando um vereador da base precisa usar a tribuna para implorar uma resposta do próprio governo, alguma coisa está muito errada na articulação política. Fogo amigo?

Cadê a articulação?

Depois dos desabafos no Legislativo, também foram relatados momentos de tensão envolvendo integrantes do secretariado, ampliando a percepção de falta de sintonia interna. Sem demagogia!

E onde está quem deveria administrar esses conflitos? Não se pode deixar toda a responsabilidade sobre os ombros do líder de governo na Câmara.

Articulação política não se faz apenas com reuniões e conversas de gabinete. Faz-se com presença, diálogo, respeito e, principalmente, capacidade de resolver.

Falta o olho no olho

O resultado desses desencontros é mais desgaste para a administração de Mário Costenaro. Situações que poderiam ser resolvidas com uma conversa franca, um telefonema ou uma reunião olho no olho acabam ganhando proporções desnecessárias. O prefeito precisa de alguém que apague incêndios políticos, não de alguém que espere a fumaça chegar ao gabinete para descobrir que existe um problema.

Estopim curto?

Também circulam relatos preocupantes sobre o comportamento de integrantes do secretariado no relacionamento com colaboradores, muitas das vezes, sarcásticos e outras, intencionais.

Se houver fundamento nesses relatos, o assunto exige esclarecimento imediato. Cargo público não concede a ninguém o direito de intimidar ou desrespeitar colaboradores. Autoridade se exerce com equilíbrio e respeito, não com demonstrações de força.

O drama do sapatênis

E tem ainda o episódio do secretário que resolveu tornar público o desconforto de ter sujado o sapatênis durante uma atividade de sua própria pasta.

Ora, secretário! Dependendo da função, barro, chuva, poeira e dificuldades de campo fazem parte do serviço. Não são acontecimentos extraordinários que mereçam medalha de bravura. Há cargos em que o sapatênis precisa dar lugar à botina. E não apenas para a fotografia!

Enquanto uns reclamam, outros enfrentam o barro

Na última quarta-feira, testemunhei dois ocupantes de cargos comissionados trabalhando debaixo de chuva, molhados e cobertos de barro, para dar conta das necessidades daquela mesma secretaria.

Não houve espetáculo. Houve trabalho.

É justamente esse contraste que chama a atenção: enquanto alguns parecem incomodados com a sujeira no calçado, outros enfrentam as dificuldades reais para manter os serviços funcionando.

Na administração pública, o importante não é mostrar que sujou o sapato. É mostrar o serviço realizado.

A conta política chega ao gabinete

Mário Costenaro tem apresentado projetos, obras e indicadores administrativos positivos. Mas nenhuma gestão se sustenta apenas com resultados técnicos se a retaguarda política não funcionar.

O prefeito não pode ser obrigado a administrar pessoalmente cada desencontro entre secretários, vereadores e assessores. Para isso existem funções de coordenação, de assessoria e articulação.

Se quem deveria aproximar está afastando, se quem deveria responder está silenciando e se quem deveria resolver está criando dificuldades, chegou a hora de rever responsabilidades.

Mário precisa bater na mesa — também dentro de casa

Toledo acaba de sair de uma eleição sem deputados estaduais e federais diretamente ligados ao município. O prefeito precisará de muita articulação em Curitiba e Brasília.

Mas como buscar unidade política lá fora quando faltam sintonia, diálogo e respeito dentro da própria administração?

Mário Costenaro precisa ser cada vez mais político, sem deixar de ser técnico. E talvez o primeiro lugar para bater na mesa não seja Curitiba nem Brasília. Seja dentro do próprio Paço Municipal.

Porque o prefeito pode fazer sua parte, mas não conseguirá carregar sozinho o peso de uma equipe que não trabalha em sintonia.

Na berlinda

Nesse sábado, irei receber o prefeito Mario Costenaro para ouvir essas e outras respostas. Se conecte nas redes socias da Gazeta e mande sua pergunta.

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