Por Marcos Antonio Santos
Dr. Márcio Jachetti Maciel fala sobre a evolução do Centro de Oncologia do Oeste do Paraná e as novidades no atendimento a pacientes com câncer
O Centro de Oncologia do Oeste do Paraná (COOP), em Cascavel, nasceu com uma proposta diferenciada: oferecer acolhimento e tratamento de ponta para pacientes oncológicos, minimizando o impacto do diagnóstico de câncer. Com equipe especializada, o centro reúne médicos, enfermeiros, farmacêuticos e profissionais de apoio com ampla experiência na abordagem de pacientes oncológicos.
Em entrevista exclusiva, o médico e responsável técnico Dr. Márcio Jachetti Maciel conta a trajetória do COOP, que começou em 2014 com apenas três médicos, um farmacêutico e uma equipe restrita de enfermagem, e hoje conta com mais de 10 especialistas, incluindo oncologia clínica, cirurgia oncológica, mastologia, dermatologia e hematologia.
“Hoje oferecemos também atendimento em nutrição oncológica e psicologia, além de consultas em enfermagem e farmácia. Contamos com apoio em genética médica, laboratórios de patologia, imagem e bioquímica. Em breve traremos novidades para toda a população do oeste do Paraná”, revela Dr. Márcio.

A oncologia evolui constantemente, e a região Oeste do Paraná agora conta com um centro especializado que alia tecnologia de ponta e atendimento humanizado. Em entrevista à Gazeta de Toledo, o Dr. Márcio explica a importância de uma abordagem integrada, o papel de diferentes profissionais no cuidado do paciente e os avanços que vêm transformando o tratamento do câncer, incluindo a imunoterapia e a medicina personalizada. Confira os detalhes sobre como a clínica atende pacientes de toda a região e as orientações essenciais para prevenção e diagnóstico precoce.
Gazeta de Toledo – Qual é a importância de Cascavel e da região Oeste do Paraná ter um centro especializado nesse tipo de tratamento?
Dr. Márcio – É de suma importância que uma região tão próspera como o Oeste do Paraná conte com uma instituição nascida já com a vocação de atendimento oncológico atualizado e moderno, mas sem que se perca, com isso, a questão da humanização e da compreensão em relação àquele que é o principal elo dessa corrente: o paciente.
Gazeta – Além dos médicos, quais outros profissionais são fundamentais no acompanhamento dos pacientes oncológicos?
Dr. Márcio – O entendimento da complexidade dos casos que envolvem o tratamento contra o câncer frequentemente torna necessária a abordagem por outros profissionais além dos médicos. Isso faz parte da compreensão acerca do universo que gira em torno deste diagnóstico tão desafiador. Nesse contexto, o apoio psicológico e nutricional são pilares extremamente relevantes, tornando a jornada mais suave. Entendemos também ser importante para os pacientes o aconselhamento de enfermagem e de farmácia, uma vez que efeitos colaterais, dúvidas e incertezas nem sempre conseguem vir à tona nas consultas médicas de rotina.
Gazeta – Como funciona o trabalho integrado entre os diferentes profissionais para garantir um atendimento mais completo ao paciente?
Dr. Márcio – Na prática, dispomos de consultórios e horários específicos para atendimento junto a estes profissionais tão relevantes na nossa jornada. Normalmente, a primeira abordagem parte do médico, que atende o paciente e identifica a necessidade — iminente ou de antemão — de suporte profissional. Alguns pacientes naturalmente relutam, no começo, em aceitar mais de uma abordagem profissional. Entretanto, o tempo mostra, na maior parte dos casos, que o pensamento plural converge de forma mais suave para o bem-estar. A resistência inicial acaba sendo vencida. Aqui também vale a máxima: “duas ou mais cabeças pensam melhor do que uma”.

Gazeta – Qual é a estrutura que a clínica oferece atualmente para o diagnóstico e tratamento do câncer?
Dr. Márcio – A clínica dispõe de três recepções amplas, 12 consultórios, duas alas de aplicação de tratamento (com duas unidades privativas fechadas em uma delas), área de manipulação de medicamentos, estrutura compatível com a guarda de fármacos e auditório onde realizamos reuniões presenciais, com estrutura para transmissão de reuniões à distância, além de cursos voltados a profissionais da saúde e universitários. Também há espaços destinados à parte administrativa, refeitórios e de apoio à manutenção e limpeza.
Gazeta – Que tipos de tecnologias e equipamentos estão disponíveis para os pacientes?
Dr. Márcio – Dispomos de estrutura atualizada de equipamentos destinados à aplicação correta dos fármacos oncológicos. Nossos profissionais participam de treinamentos periódicos de rotinas preventivas e de abordagem das intercorrências mais frequentes que podem envolver nossos pacientes. A clínica mantém um programa de incentivo a todos os profissionais que desejarem ampliar o conhecimento, custeando integralmente pós-graduação na área.
Ainda assim, acreditamos que a melhor tecnologia, a melhor ciência e o melhor conhecimento apenas terão validade se aplicados por quem tiver a compreensão de que, na frente dele, está quem é a razão de nosso projeto ter atingido o patamar de hoje: o paciente.
Gazeta – A clínica tem capacidade para atender pacientes de toda a região? Como funciona essa demanda?
Dr. Márcio – A clínica dispõe de estrutura profissional e física capaz de atender pacientes provenientes de qualquer lugar. Atendemos casos oncológicos provenientes das mais variadas cidades, estados e até países (mesmo fora da América do Sul), o que, por um lado, nos enche de orgulho e, por outro, de responsabilidade em buscarmos sempre a atualização.
Normalmente, a demanda pelo COOP vem de encaminhamento médico direto, mas também ocorre muito por indicação de amigos e familiares de pacientes.

Gazeta – Nos últimos anos, quais foram os principais avanços no tratamento do câncer que o senhor destacaria?
Dr. Márcio – A oncologia evoluiu de forma muito marcada.
Há algum tempo, incluímos no arsenal terapêutico drogas que buscavam reduzir a nutrição tumoral, bloqueando a entrada de sangue nos tumores. Esta estratégia mostrou-se válida em vários tipos de câncer, porém a maioria não conseguiu se beneficiar dela.
Em seguida, vimos a busca por medicamentos que bloqueiam determinadas mutações que causam os tumores. O grande desafio aqui foi identificar tais alterações, uma vez que os exames específicos nem sempre estavam ao alcance e no tempo adequado.
Ultimamente, a evolução que mais tem chamado atenção é a terapia imunológica de combate ao câncer. Começamos a entender melhor suas indicações e vemos hoje resultados inimagináveis mesmo num passado recente. Tumores avançados e letais, em curto período de tempo, passaram a tornar-se controláveis por longos anos, sem que esse tratamento causasse problemas significativos como a quimioterapia convencional. Ouso dizer que, durante o período em que trabalho com oncologia, nenhum outro tipo de tratamento me causou mais empolgação do que a imunoterapia contra o câncer.
Infelizmente, ainda nem todos os pacientes se beneficiam dessa alternativa terapêutica, além de envolver valores significativos. Há expectativa futura de redução dos custos, o que melhorará o acesso a essas drogas a mais pessoas. Também gosto de ressaltar que, embora os resultados empolguem, ainda não podemos universalizar a indicação destes medicamentos, sendo necessário que testes sejam feitos em alguns casos para uma indicação precisa.
Gazeta – Hoje os pacientes têm mais chances de recuperação ou controle da doença do que no passado?
Dr. Márcio – Sem dúvida. A evolução do tratamento oncológico tornou muitos casos controláveis e curáveis, palavras bem mais raras de serem ditas antigamente.
Gazeta – Como a medicina personalizada e os novos medicamentos têm mudado o tratamento oncológico?
Dr. Márcio – Reconhecemos hoje que tumores são individuais em relação às suas características. Quando falamos, por exemplo, de câncer de mama, não podemos achar que todos são iguais. É necessário esmiuçar com maiores detalhes as características de cada tumor para encontrar o tratamento com mais chance de êxito.
Considerar apenas o nome e sobrenome de determinado tumor é agir de forma ampla, o que nem sempre permite atingir a melhor eficácia terapêutica. Por exemplo, há tumores que expressam determinadas mutações genéticas promotoras de crescimento celular. Isso permite o uso de medicamentos de bloqueio específico desse erro, o que trava o desenvolvimento da doença. Sabemos que os efeitos colaterais dessas drogas modernas existem, mas, de forma geral, são menores que os da quimioterapia convencional.
Não estou dizendo que a quimioterapia convencional não tem mais papel — muito pelo contrário — ela é o pilar de cura de muitos tumores e deve ser usada sempre que houver indicação precisa e benefício comprovado.
Gazeta – Quais são os principais tipos de tratamento oferecidos na clínica atualmente?

Dr. Márcio – A clínica dispõe de tratamento através de quimioterapia, imunoterapia (tanto para o câncer quanto para doenças do sistema imune, como reumatismos e outras doenças autoimunes), hormonioterapia oncológica e terapia-alvo.
Gazeta – Como é definido o melhor tratamento para cada paciente?
Dr. Márcio – O melhor tratamento depende de uma série de variáveis. Elas são inerentes ao próprio tumor (evolução, tamanho, extensão, localização, mutações, características imunoistoquímicas), ao paciente (capacidade de tolerar o tratamento) e ao tratamento propriamente dito. É uma decisão que nasce da análise de vários fatores, levada em conta pelo profissional, e conversada com pacientes e familiares antes da conclusão final.
Gazeta – Em alguns casos, os pacientes precisam passar por cirurgia. Como funciona essa etapa dentro do tratamento oncológico?
Dr. Márcio – Para a maior parte dos cânceres, a cirurgia ainda é o tratamento oncológico mais importante para obtenção da cura e tem suas indicações avaliadas sempre que factíveis. Alguns procedimentos carregam consigo marcas e sequelas de maior ou menor intensidade.
A evolução do tempo trouxe algumas novidades em relação a tumores que podem ser curados sem expor o paciente aos riscos e consequências do procedimento cirúrgico. São casos pontuais que necessitam de adequada avaliação do oncologista.
Gazeta – Existem tipos de câncer ou situações em que o atendimento precisa ser feito com mais rapidez?
Dr. Márcio – Tecnicamente, existem tumores de evolução mais rápida, o que torna obrigatória a pronta abordagem. Entretanto, é muito difícil não considerar todos os casos como portadores de algum grau de urgência, seja ela propriamente dita urgente, seja emocional. O diagnóstico de câncer costuma mexer tanto com pacientes quanto familiares, e a espera se mostra cruel nesse sentido.
Mesmo com a compreensão de tudo que foi dito, é importante que o paciente saiba que, em muitos casos, não estamos apenas esperando passivamente, mas sim, através de exames (que nem sempre são rápidos da forma que gostaríamos), usamos esse tempo de forma sábia para obter a maior quantidade de informações necessárias para a melhor escolha do tratamento e, por conseguinte, os melhores resultados.
Gazeta – Quais sinais ou sintomas devem alertar as pessoas para procurar avaliação médica o quanto antes?
Dr. Márcio – Como falamos acima, a oncologia trata de diagnósticos bastante variados, que envolvem diferentes órgãos e sistemas do corpo humano. Portanto, os achados de cada tipo de tumor são diferentes.
De forma geral, a situação mais ideal seria que o paciente se apresentasse com diagnóstico precoce, antes do surgimento de sintomas, pois tumores sintomáticos nem sempre são iniciais. Daí a importância da realização de exames periódicos preventivos. Tumores diagnosticados nas fases iniciais têm chances de cura muito maiores.
Podemos citar alguns sintomas gerais importantes para alertar a população quanto à possibilidade de causa oncológica:
- Perda de peso repentina e inexplicada, sem mudanças na dieta ou exercícios;
- Cansaço constante que não melhora com descanso;
- Dor persistente que não passa com medicamentos comuns;
- Caroços que aparecem e permanecem (locais mais comuns: mama, pescoço, axila e virilha);
- Pintas na pele que mudam de cor, formato ou tamanho;
- Feridas que não cicatrizam;
- Sangramento anormal na urina, fezes, tosse ou sangramento vaginal fora do período menstrual;
- Variação nos hábitos intestinais ou urinários, como constipação ou diarreia;
- Tosse ou rouquidão nova que não desaparece após 3 semanas;
- Sensação de alimento preso na garganta.
Esses sintomas não significam obrigatoriamente câncer, mas devem ser investigados por um médico para diagnóstico preciso.

Gazeta – Qual orientação o senhor deixaria para a população sobre prevenção e diagnóstico precoce do câncer?
Dr. Márcio – Em palestras, as pessoas perguntam: “o que fazer para não ter câncer algum dia?” Eu sempre digo que a resposta ou será muito fácil, ou muito óbvia (não fumar, não beber, praticar exercícios, manter equilíbrio emocional). Mas muitas vezes o paciente que se depara com o diagnóstico não terá uma causa óbvia e se questionará sobre a razão da doença.
O câncer nasce a partir de dois fatores: genética e escolhas. A genética é herdada e não pode ser modificada (até o momento). Já as escolhas podem ser revistas a qualquer momento da vida. Infelizmente, basta um dos fatores para que o câncer ocorra.
Existem ainda dois fatores que gosto de salientar: autoconhecimento e histórico familiar.
- Autoconhecimento: conhecer como seu corpo funciona, suas características e o que está diferente. Seria como o primeiro amor: o amor pessoal.
- Histórico familiar: verificar se existem casos de câncer que parecem passar de geração em geração. Isso pode indicar alterações genéticas que nos permitem realizar exames preventivos, mesmo antes do surgimento da doença.
Gazeta – E para quem está enfrentando a doença neste momento, qual mensagem o senhor gostaria de transmitir?
Dr. Márcio – O diagnóstico de câncer é um desafio. Enfrentar não é bater de frente com a cabeça abaixada; é olhar com a cabeça erguida. Pedir ajuda não é fraqueza, ficar triste não é desistir, chorar não é perder.
Haverá uma constelação de sentimentos que mudará a todo momento. É normal sentir-se assim. Tenha fé, confie nas palavras do seu médico e na ciência. Tenha bons amigos e ouvintes para os momentos difíceis. Sua força e sabedoria são maiores do que imagina. Talvez hoje precise de ajuda, mas em breve será fonte de inspiração e ajudará muitas outras pessoas.
COOP: Informações de contato
Rua Paraguai, 758 – Bairro Alto Alegre, Cascavel
Telefone: (45) 99137-4941 | (45) 99151-8688
E-mail: ouvidoria@clinicacoop.com.br





