Da Redação
O Conselho Municipal de Saúde de Toledo demonstrou preocupação com o caso de Aline, paciente que permaneceu internada por oito dias no Hospital Regional de Toledo (HRT) sem conseguir realizar a cirurgia ortopédica necessária devido à falta de materiais básicos, como parafusos e placas. A paciente foi transferida para Assis Chateaubriand, onde conseguiu realizar o procedimento. O episódio reacendeu questionamentos sobre a capacidade operacional da unidade, inaugurada em outubro de 2023, e sobre a gestão da empresa responsável. A matéria foi publicada originalmente pela Gazeta de Toledo.
CONSELHO MUNICIPAL DE SAÚDE DE TOLEDO
Ofício nº 011/2026-CMS
Toledo, 12 de fevereiro de 2026
Ao Jornalista da Gazeta de Toledo
Assunto: Solicitação de informações sobre reportagem do Hospital Regional de Toledo – HRT
Senhor,
Tendo em vista que o Conselho Municipal de Saúde é um órgão de controle social, cujas funções incluem supervisionar, avaliar, controlar e propor políticas públicas de saúde, vimos, por meio deste, solicitar informações referentes à reportagem publicada no dia 11 de fevereiro de 2026 pela redação da Gazeta de Toledo, sobre a denúncia de uma paciente do Hospital Regional de Toledo – HRT.
Solicitamos, ainda, que seja informado se houve resposta por parte do hospital em relação ao fato relatado.
Considerando a gravidade do ocorrido e a necessidade de acompanhamento atualizado das etapas do caso, solicitamos que nos sejam encaminhadas, por escrito, todas as atualizações, andamentos e documentos pertinentes relacionados ao fato.
Cientes de vossa compreensão e atenção, antecipamos protestos de elevada estima e distinta consideração.
Atenciosamente,
JAIRO ZSCHONARK
Conselho Municipal de Saúde de Toledo
“Não tem nem os parafusos”: paciente denuncia falta de insumos no Hospital Regional de Toledo e é transferida após oito dias de espera
A falta de materiais essenciais para cirurgias ortopédicas no Hospital Regional de Toledo (HRT) provocou que a paciente Aline permanecesse internada por oito dias sem realizar a cirurgia necessária. Diante da situação, ela acabou sendo transferida para outro município, onde conseguiu atendimento.
Aline, que autorizou a divulgação apenas do primeiro nome, havia fraturado o tornozelo na terça-feira, 3 de fevereiro. Inicialmente, ficou três dias no Mini-Hospital – Pronto Atendimento Municipal (PAM) Doutor Jorge Milton Nunes e, na sexta-feira, 6 de fevereiro, foi transferida para o HRT com expectativa de cirurgia.
No entanto, segundo relato da paciente, o procedimento não ocorreu por falta de insumos. “O ortopedista me atendeu, mas infelizmente o hospital estava sem os parafusinhos e a placa que seriam usados no meu pé. Eu precisava fazer a cirurgia e não havia material”, relatou.
Durante a internação, Aline aguardou cinco dias no Regional sem previsão concreta de cirurgia, recebendo sempre a mesma resposta: os materiais não haviam chegado. Na manhã de quarta-feira, 11 de fevereiro, ela foi transferida para Assis Chateaubriand, onde conseguiu vaga hospitalar e realizou o procedimento.
A paciente afirmou que não se tratava de um caso isolado e criticou a gestão da unidade, destacando que pacientes muitas vezes têm medo de denunciar. Aline questionou como um hospital recém-inaugurado, com estrutura moderna, poderia enfrentar a falta de itens básicos. Ela também relatou atrasos no pagamento de ortopedistas, o que agravaria a situação de atendimento.
O HRT foi inaugurado em outubro de 2023 com a proposta de ampliar cirurgias eletivas e atendimentos de média e alta complexidade na região Oeste do Paraná. Desde então, a unidade já vinha enfrentando questionamentos sobre modelo de gestão, equilíbrio financeiro e manutenção de serviços.
Preocupação do Conselho Municipal de Saúde
Diante do caso, o Conselho Municipal de Saúde de Toledo se manifestou formalmente, solicitando informações detalhadas à Gazeta de Toledo sobre a denúncia e cobrando resposta do HRT. Em ofício, o conselho enfatizou sua função de controle social sobre políticas públicas de saúde, destacando a gravidade do fato e a necessidade de atualização sobre etapas, andamentos e documentos pertinentes ao ocorrido.
Segundo o Conselho, episódios como este evidenciam a importância de supervisão contínua das unidades de saúde e reforçam a necessidade de garantir insumos básicos, condições adequadas de trabalho e atendimento seguro para a população.
O caso de Aline reacendeu o debate sobre a capacidade operacional do HRT e a responsabilidade da gestão em assegurar atendimento eficaz, com impactos diretos na confiança da população.
A reportagem permanece aberta para manifestação da direção do HRT, da empresa gestora e das autoridades municipais e estaduais responsáveis pela unidade.





