Por Marcos Antonio Santos
Vereadores respondem a processo disciplinar por suposta corrupção; fase de instrução pode definir relatório e eventual punição
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Toledo realiza, neste quarta-feira, 11, mais uma etapa do processo disciplinar que apura denúncia de suposta corrupção envolvendo os vereadores Dudu Barbosa (MDB) e Valdomiro Bozó (PL).
As oitivas começam por volta das 8h30, na sala de reuniões da Câmara, e seguem ao longo do dia. Há intervalo previsto para o meio-dia, com retomada às 14h. A intenção é ouvir todas as testemunhas ainda hoje, embora não haja garantia de encerramento, já que o tempo de cada depoimento é indeterminado.
Enquanto as oitivas acontecem, a sala de reuniões permanece cheia, com a presença de advogados de defesa, vereadores e servidores da Casa. O advogado de defesa dos vereadores, Dr. Alexandre Gregório, faz os questionamentos, seguido pelo relator vereador Marcos Zanetti, que também formula perguntas.
Dudu Barbosa e Valdomiro Bozó retomaram participação nas sessões ordinárias nesta semana, mas não estão presentes na sala durante as oitivas acompanhadas pela reportagem.
Transmissão é suspensa
Inicialmente, os depoimentos são transmitidos ao vivo pelas plataformas digitais da Câmara, incluindo o YouTube. No entanto, durante a oitiva do advogado Gilberto Alievi — autor da denúncia — a defesa solicita a suspensão da transmissão.
O pedido é acatado sob a justificativa de que a exibição poderia influenciar testemunhas que ainda serão ouvidas ao longo do dia. Desde então, a sessão segue sem transmissão ao vivo.
Fase considerada decisiva
O relator do processo, vereador Marcos Zanetti (Cidadania), explica que o procedimento interno ocorre de forma independente da ação que tramita na Vara Criminal.
“Os dois vereadores passam por um processo disciplinar aqui dentro da Câmara. Existe o processo na Vara Criminal, mas também há um processo administrativo, que pode resultar em punição ou até mesmo na absolvição dos vereadores.”
Segundo ele, o Conselho está na fase de instrução, considerada a mais importante do processo.
“É o momento em que tanto o relator quanto o presidente e os demais membros do Conselho de Ética têm a oportunidade de questionar os vereadores e as testemunhas. Os acusados também têm garantido o direito à ampla defesa e ao contraditório.”
Zanetti afirma que a intenção é ouvir todas as testemunhas em um único dia, como ocorre anteriormente no Ministério Público, quando são colhidos depoimentos sobre o mesmo caso.
“Nosso objetivo é esclarecer os fatos. Depois disso, vamos avaliar se são necessárias novas diligências ou se já há informações suficientes para emitir o relatório final e definir o desfecho do processo.”
Testemunhas
Entre as testemunhas indicadas por Valdomiro Bozó estão Josimar Polasso, Odemilson Elias dos Santos, Valdir Augusto dos Santos, Tatiane Pereira de Lima Nhorst, Sara Marostica e Paola Garcia Torres.
Já Dudu Barbosa indica como testemunhas Neodi Mosconi, Artur Marcondes Rezende, Jadir Cláudio Donin, Berenice Becker da Obosco, Thiago Bana Cuba e Lilian Kelly Ferreira Cardoso Borges.
A sessão é pública, com restrição apenas nos momentos em que são analisados documentos sigilosos, quando permanecem na sala apenas os diretamente envolvidos.
Ao final da fase de instrução, o Conselho de Ética deve emitir relatório que pode recomendar punição ou arquivamento do processo disciplinar.

O Caso
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) instaurou investigação contra os vereadores Edimilson Dias Barbosa (Dudu Barbosa – MDB) e Valdomiro Nunes Ferreira (Valdomiro Bozó – PL) por suspeita de corrupção passiva. Segundo a denúncia, os parlamentares teriam solicitado R$ 300 mil em propina a representantes de uma empresa do setor de energia renovável. O pagamento seria condicionado à aprovação de um projeto de lei que tratava da regularização de servidão administrativa para a instalação de uma Central de Geração Hidrelétrica (CGH) no Rio São Francisco, em Toledo. A suposta solicitação teria ocorrido em 31 de outubro de 2024.
Afastamento judicial
Em 2 de agosto de 2025, a 1ª Vara Criminal de Toledo determinou o afastamento dos dois vereadores de seus mandatos por 180 dias como medida cautelar, a pedido do MP-PR, para garantir o andamento da investigação. A decisão foi formalizada e cumprida pela Câmara Municipal.
Posicionamentos dos investigados
Após a decisão de afastamento, Dudu Barbosa e Valdomiro Bozó publicaram notas negando irregularidades. Ambos afirmaram que ainda não haviam sido notificados formalmente em um primeiro momento e declararam que não praticaram atos ilegais, dizendo que colaborariam com as investigações e confiavam na Justiça.
Debates sobre salários e subsídios
Enquanto estavam afastados, parte dos vereadores da Câmara de Toledo chegou a pedir a suspensão dos subsídios (salários) de Dudu e Bozó, argumentando que o pagamento sem exercício das funções seria indevido. A Câmara, porém, cumpriu a decisão judicial que determinou o afastamento sem perda de remuneração.
Tramitação na Justiça e no processo administrativo
O processo penal seguiu tramitando na Justiça, com audiência de instrução e julgamento marcada para 30 de janeiro de 2026. As provas reunidas pelo MP-PR, incluindo gravações e outros materiais, foram autorizadas a serem compartilhadas com o Conselho de Ética da Câmara Municipal de Toledo para que o processo disciplinar interno também pudesse avançar.
Retorno ao mandato
Nessa segunda -freira, 9, o juiz revogou o afastamento após o término do prazo cautelar de 180 dias. Com isso, Dudu Barbosa e Valdomiro Bozó voltaram a exercer normalmente os mandatos e participaram de sessões na Câmara. O processo penal, no entanto, segue em andamento, e ambos aguardam a sentença final.





