Enquanto o ritmo das exportações brasileiras de soja – e derivados – segue muito forte, a demanda interna pela oleginosa também se mostra muito forte, sendo o principal combustível para as cotações no interior do país. Já foram embarcadas, afinal, 65,8 milhões de toneladas da soja em grão em todo ano de 2020.

Para todo o complexo são 75,6 milhões de toneladas, contra 55,2 milhões do mesmo período do ano passado. Os números tanto do farelo, quanto do óleo de soja estão acima do registrado em 2019, nessa época.

E para o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, o ritmo pode seguir intenso e trazendo novos recordes. O câmbio segue trazendo boas oportunidades e a demanda é forte.

“Nos primeiros dias de julho, a soja e derivados foram os principais em faturamento com exportação, que trouxe US$ 780 milhões ou, no câmbio atual, mais de R$ 4 bilhões. Segue o complexo soja como maior caminho de divisas para a economia brasileira”, explica o consultor.

Enquanto isso, a demanda interna também tem mostrado sua força e seu potencial. E assim, já pagam mais pela pouca soja disponível que há ainda no país para garantir seu abastecimento e, dessa forma, seguir com suas atividades diante de um consumo forte de farelo e óleo de soja.

“A indústria entra agressivamente, comprando os lotes livres que aparecem para ter matéria-prima para trabalhar”, diz Brandalizze. Inclusive, o consultor cita ainda as importações de soja do Brasil, apontadas no relatório da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) em 13 mil toneladas, “sinalizando a necessidade de grãos para o mercado brasileiro”.

Em seu último reporte de mercado, o Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) aponta que que o indicador da instituição continua subindo diante da força da demanda local, e registrando uma alta de 1,54% somente na última semana, chegando a R$ 101,88 por saca.

“O preço paridade exportação acumulou alta de 3,74% nesta semana, influenciado pela valorização do câmbio e subida dos preços em Chicago”, informou o Imea. “Apesar de a margem de esmagamento (relação soja/farelo e óleo) estar reduzindo há mais de dois meses, houve aumento no indicador na semana passada, alcançando R$ 236,92/t, reflexo da valorização dos subprodutos da soja”, completa o instituto.

E não só em Mato Grosso que o movimento tem sido registrado, como em outras regiões produtoras também. No Rio Grande do Sul, há praças pagando até R$ 114,00 por saca, enquanto o porto precisaria pagar, ainda como explica Brandalizze, cerca de R$ 120,00 ou mais para atrair novos negócios.

Apesar de todo esse cenário, a comercialização está um pouco mais lenta no Brasil neste momento. Isso se dá com mais de 90% da safra 2019/20 comercializada e este índice superando os 40% quando se trata da temporada 2020/21. “Quando aparece uma boa oportunidade, o produtor aproveita, faz algum faturamento e vai fazendo boa média com a soja durante o ano”, completa Brandalizze.

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja

Fonte: Notícias Agrícolas